Mudanças no comando do FMI

Serguei Aleksachenko, ex-vice-presidente do Banco da Rússia/Foto: RIA Novosti

Serguei Aleksachenko, ex-vice-presidente do Banco da Rússia/Foto: RIA Novosti

Com a renúncia do presidente e os últimos três meses de mandato do seu vice, a instituição se prepara para perder seus líderes.

John Lipski, vice-presidente do FMI, assumiu a antiga posição de Dominique Strauss-Kahn, mas pretende deixá-la em agosto. Embora o órgão venha sendo invariavelmente liderado por executivos da Europa Ocidental, a situação pode mudar. Essas são as palavras do ex-vice-presidente do Banco da Rússia, Serguei Aleksachenko, ao jornal Kommersant.

Mesmo todos sabendo que Strauss-Kahn concorreria à presidência da França no ano que vem, é pouco provável que alguém estivesse sendo preparado para o cargo...

 

Alguns meses atrás, John Lipski havia anunciado publicamente que se desligaria do FMI. Portanto, todo mundo estava pronto para isso. Na verdade, o Fundo Monetário Internacional é dirigido por europeus há 60 anos. E o Banco Mundial vem sendo comandado por um americano. Esse esquema funcionou até as últimas eleições, realizadas em 2007, quando houve uma grande pressão dos países em desenvolvimento. Eles afirmaram: “nosso papel mudou no mundo e seria uma boa ideia eleger alguém dos nossos países para essa posição”. Houve um grande debate e o candidato foi Josef Tosovski, ex-presidente do Banco Nacional Tcheco. Existem rumores de que um consenso foi atingido para a próxima eleição, agendada para 2012, na qual o posto irá para um representante do mundo emergente.

Existem alguns representantes dos países em desenvolvimento: Trevor Manuel, da África do Sul, e o ex-ministro da Economia da Turquia Dervish. Considero, porém, bastante interessante a situação econômica que está surgindo na Europa. Nesse aspecto, quais são as chances de Christian Lagarde ou Axel Weber serem indicados como diretores do FMI?

 

A Europa é a área principal do FMI. Por isso, acho que as chances de um europeu ser indicado ao cargo são bem altas, pois o presidente deve estar ciente dos problemas e acompanhá-los de perto. Ou, ao menos, ter uma compreensão mútua junto aos membros da elite política europeia. Essa era uma característica marcante de Strauss-Kahn. Creio que ainda seja um pouco cedo para falar sobre quem será o candidato real, pois ele anunciou sua renúncia apenas alguns dias atrás e nenhum candidato oficial foi nomeado desde então.

Qual é a importância da imagem de um líder forte para o FMI?

 

Gigante. O diretor-administrativo é o homem que lida diretamente com os líderes de Estado, tanto com os receptores quanto com os doadores. Ele representa a organização e, nesse aspecto, Strauss-Kahn assumiu um papel fundamental no bom desempenho do FMI durante a crise financeira, especialmente nos países europeus. No início, ele rapidamente convenceu os líderes do G20 a injetar capital e, em seguida, entrou em acordo com os países europeus em relação a um pacote emergencial para socorrer as economias da Grécia, da Irlanda e de Portugal. Todos admitem que esta foi a sua principal conquista como líder político. Ele é um homem envolvido em diversos círculos e com pulso firme para controlar os problemas da economia mundial.

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