Roberto Carlos: “Quero viver como uma pessoa comum”

Roberto Carlos com a sua esposa/Foto:ITAR-TASS

Roberto Carlos com a sua esposa/Foto:ITAR-TASS

Em entrevista à correspondente da agência R-Sport Aleksandra Vladimirova, o lendário jogador brasileiro promete pegar metrô em Moscou, conta que os profissionais não escolhem onde jogam e dá o seu palpite para a semifinal da Liga dos Campeões entre Barcelona e Real Madrid

- Roberto, você completou recentemente 38 anos. Dez anos atrás, imaginava ainda estar jogando nessa idade, ainda mais no campeonato russo?

- Estive aqui mais de uma vez para jogar, tanto pela seleção quanto por clubes. E tinha vontade de voltar para cá, de conhecer Moscou. Agora, esse sonho virou realidade. Estou morando numa cidade maravilhosa e jogando num clube maravilhoso, que é o Anji .

- O que seus parentes acharam quando chegou a proposta do clube de Makhatchkalá?

- Para falar a verdade, toda a família ficou muito contente. Além disso, sou um jogador profissional e, por isso, não devo escolher o lugar em que irei trabalhar. Para a minha família, é mais uma oportunidade de conhecer um país novo, uma cultura nova, talvez até uma língua nova. Para nós brasileiros, isso é muito importante.

- Alguns estereótipos sobre a Rússia se desfizeram depois que você começou a morar aqui?

- Ainda é difícil falar algo concreto sobre isso, mas encontrei muita coisa na internet que não correspondia de forma alguma à realidade. Na verdade, tanto Moscou quanto Makhatchkalá são cidades excelentes para se morar. Tem muita mentira na internet.

- Quais foram as suas primeiras impressões sobre a capital e seus habitantes?

- Achei tudo muito bom, para ser sincero. Estou muito feliz de estar aqui. As pessoas na rua tratam a mim e à minha família muito bem. Geralmente, as pessoas pedem para tirar fotos e, no trânsito, começam a buzinar quando me reconhecem dentro do carro. Para mim, é uma grande honra ser reconhecido.

- E o metrô de Moscou, você já conheceu?

- Não, ainda não. Mas, um dia, sem dúvida irei com o meu tradutor. Sou uma pessoa normal, por que não andaria de metrô? Quero viver da mesma maneira que as outras pessoas.

- Você se mudou para Moscou com a família?

- Sim, com a minha esposa e a minha filha. Elas gostam muito de Moscou. No começo, tivemos algumas complicações relacionadas ao lugar em que iríamos morar, mas agora já está tudo resolvido. Já temos a nossa casa e a minha esposa ficou muito contente.

- Ao longo da sua carreira, você jogou em cinco países diferentes. Qual deles é o seu preferido?

- Morei onze anos em Madri. Nesse tempo, passei a gostar muito da Espanha. Na Itália gostavam muito de mim. Eu falava muito bem o italiano. Agora eu vou morar dois anos e meio em Moscou e espero depois poder responder que o meu país favorito é a Rússia. E, para falar a verdade, espero passar mais de dois anos e meio aqui.

- Os torcedores desses países são muito diferentes entre si?

- É difícil comparar. Em cada país, as pessoas torcem de maneiras muito diferentes. Na Turquia, as pessoas são simplesmente doentes por futebol. Em Makhatchkalá também. Os torcedores apoiam o time de uma maneira sensacional. É claro que todo jogador precisa do suporte da torcida, especialmente jogando em casa. Em Makhatchkalá, eles apoiam o time durante os 90 minutos da partida, o que dá uma motivação extra. Eles são o décimo-segundo jogador da nossa equipe.

- Torcedores do mundo inteiro ainda associam o seu nome ao Real Madrid, em que você jogou por 11 temporadas. Certamente, você ainda o acompanha. Amanhã será o primeiro jogo do time pela Liga dos Campeões contra o Barcelona. Quem você acha que vai para a final?

- O Real, é claro (risos)! Vou torcer por eles. Eu, na verdade, acompanho todos os times por que joguei, não apenas o Real. Quanto ao clássico, realmente espero que o Real vença, mas é preciso admitir que hoje em dia o Barcelona joga um futebol excepcional.

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