Com cortes no orçamento, Rússia investe firme na LAAD

Foto:AFP_EastNews

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País leva delegação de 40 pessoas ao Rio de Janeiro e oferece helicópteros e veículos Tigre, entre outros produtos, ao mercado brasileiro

Segunda maior fornecedora de armamento e produtos de defesa do mundo, a Rússia trouxe uma delegação de peso ao Riocentro: 40 pessoas, entre civis e militares, vão participar da 8ª edição da Latin América Aero & Defence, maior feira do gênero na América Latina. Participante tradicional da LAAD, a trading estatal russa Rosboronexport detém o monopólio de exportação e importação de produtos finais, tecnologia e serviços militares. No ano passado, suas vendas ultrapassaram US$ 8,6 bilhões, o que coloca a empresa entre as líderes do setor no planeta. A delegação russa é chefiada por Aleksandr Fomin, primeiro vice-presidente do Serviço Federal para Cooperação Técnico-Militar da Federação da Rússia.

O reequipamento das Forças Armadas brasileiras, acompanhado em escala proporcional por outros países latino-americanos, e a adoção de tecnologias mais modernas de segurança pública para enfrentar o desafio do crime organizado despertam o apetite de fornecedores do mundo inteiro. Este ano, pela primeira vez, as autoridades estaduais e federais de segurança participam da feira como expositores e palestrantes, não apenas como convidados, e estarão presentes nas rodadas de negócios.

Tigre e defesa aérea


O produto russo mais promissor nesse segmento é o blindado Tigre, utilizado para transporte de policiais e uso em combate, que está sendo testado desde setembro no patrulhamento das favelas do Rio. O veículo despertou interesse de outros governos estaduais e é objeto de negociação entre os governos da Rússia e do Brasil para a instalação de uma fábrica no Sul ou no Sudeste do país.

A América Latina responde por apenas 2% das vendas russas de produtos militares, bem abaixo dos líderes Índia, Argélia e China. As exigências crescentes de transferência de tecnologia e instalação de unidades fabris e centros de manutenção como contrapartida às compras desses itens, feitas pelos governos latino-americanos, dificultam a manutenção da hegemonia do mais tradicional fornecedor desses países, os Estados Unidos, cuja legislação impõe severas restrições à disseminação de tecnologias mais sensíveis. Com isso, abre-se o caminho para a ascensão de novas forças.

A disposição para a qualificação de brasileiros e a associação a empresas locais será um dos principais trunfos dos concorrentes dos Estados Unidos para a venda de artigos destinados ao sistema de defesa aérea do Brasil. Esse processo está na primeira fase de licitação (RFI, “request for information” em inglês), em que os potenciais fornecedores informam ao país suas soluções tecnológicas. Teriam recebido as requisições representantes da Rússia, da Índia, da Suécia, do Reino Unido e da França, além dos EUA. A informação de bastidor é de que os americanos teriam recusado os termos da sondagem. O Brasil busca melhorar as defesas contra ataques de altitudes média a alta, hoje mais precárias.

Sukhoi no Brasil


Fora da reta final do processo de escolha dos caças para reequipar a Força Aérea brasileira, a Sukhoi reafirmou a disposição de fabricar o avião supersônico Su-35 em território brasileiro. “Além de contratos de aquisição de armas, oferecemos uma ampla variedade de serviços de manutenção pós-garantia e a produção licenciada de modelos de alta tecnologia”, informou o chefe da delegação da empresa Rosoboronexport, Serguei Ladiguin.

Adaptações civis de helicópteros responderam pelo maior sucesso imediato russo na feira: o contrato para fornecimento de até 150 helicópteros leves Mi 34C1 para o Qualy Group, empresa de serviços aéreos comerciais do Brasil. O material aeronáutico também prevalece na exportação de produtos militares russos, tendo 43% de participação no segmento. Esse peso deriva do fornecimento de conjuntos tecnológicos e equipamentos para a produção licenciada de caças Su-30MKI na Índia, de aeronaves Su-30MK2 para o Vietnã, de motores aeronáuticos para a China e de helicópteros Mi-35M para o Brasil.

No caso brasileiro, as negociações também envolvem a construção de um centro de manutenção dos Mi-35M, o que deve provocar novas encomendas da aeronave, de acordo com especialistas.

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