Fukushima 2 sofre fusão de combustível e vazamento de água radioativa

Trabalhadores enfrentam altos níveis de radiação numa tentativa de salvar a situação na usina nuclear da Fukushima/Foto:Getty Images / Fotobank

Trabalhadores enfrentam altos níveis de radiação numa tentativa de salvar a situação na usina nuclear da Fukushima/Foto:Getty Images / Fotobank

O secretário-geral do gabinete de ministros do Japão Yukio Edano confessou que houve fusão parcial de combustível no segundo reator da usina atômica Fukushima 2, processo que provocou grande aumento do nível da radiação na localidade. Segundo a agência ITAR-TASS, o material entrou em contato com a água, que penetrou na sala de turbinas do segundo bloco energético.

O relatório da Comissão da Segurança Nuclear, entregue na segunda-feira ao primeiro-ministro Naoto Kan, aponta que também ocorreu um vazamento da água radioativa, problema ainda mais grave. No documento, afirma-se que o líquido pode contaminar os terrenos e a zona marítima das regiões mais próximas.

Os representantes da companhia energética Tokyo Electric Power, operadora da usina, acreditam ser possível que, no segundo bloco energético, seja danificado o invólucro do reator que protege varetas de combustível nuclear. Essa brecha pode causar vazamento da água radioativa para o espaço protegido pela caixa de aço externa. 

Segundo os peritos da Agência Nacional da Segurança Nuclear e Industrial, é pouco provável que esse acidente aconteça. “No entanto, admitimos todas as possibilidades”, declarou um representante da entidade em entrevista coletiva nesta segunda-feira.

O nível da radiação da água no segundo reator da usina superou a norma de segurança em 100 mil vezes, contendo 1,9 becquerel por centímetro cúbico. Todavia, os representantes da Tokyo Electric Power desmentiram as informações, divulgadas anteriormente, de que esse patamar tenha sido ultrapassado em 10 milhões de vezes. De acordo com a companhia, após serem refeitas as mediações, verificou-se que essa notícia era falsa. 

A Agência Nacional da Segurança Nuclear e Industrial informou que o conteúdo do iodo-131 na água do mar situada nas vizinhanças de Fukushima 1 supera a norma em milhares de vezes. Na opinião de especialistas, o aumento do conteúdo do iodo foi provocado pelo vazamento de radiação do quarto e sexto blocos energéticos da usina atômica.

Na próxima segunda-feira, os especialistas continuarão a tirar água contaminada das salas de turbinas dos primeiro, segundo e terceiro reatores de Fukushima 1. Entretanto, o alto nível da radiação impossibilita que seja reiniciada a reconstrução do sistema de resfriamento dos blocos energéticos.  

O governo japonês revogou o aviso da ameaça de tsunami no nordeste do Japão, anunciado após o potente terremoto que abalou a região. O tremor não causou danos, embora tenha paralisado o tráfego em diversos trechos de estradas no litoral de Honshu, principal ilha japonesa. As usinas atômicas locais, suspensas depois do terremoto de 11 de março, também não foram danificadas.

No domingo, uma manifestação de cerca de 1.200 pessoas, realizada em frente à sede principal da Tokyo Electric Power, em Tóquio, exigiu que todas as usinas atômicas do país fossem fechadas. Os participantes tinham cartazes que apelaram para o encerramento das atividades das usinas incapazes de resistir a terremotos e tsunamis. Eles também pediram que o setor energético passasse a utilizar fontes alternativas de energia.

Pesquisas divulgadas no mesmo dia revelaram quemais da metade dos japoneses (58%) está descontente com as ações do governo no que diz respeito à resolução das consequências das avarias em Fukushima 1, ocorridas após os catastróficos acidentes naturais de 11 de março. Para Yukia Amano, diretor da MAGATE, a situação na usina “permanece não resolvida”.   

Kirienko: “Fukushima não ameaça e não vai ameaçar a Rússia”


 O diretor da Rosatom, Serguei Kirienko, declarou que os problemas em Fukushima não ameaçam a região russa situada no Extremo Oriente. “Consideramos o pior cenário possível na usina japonesa e, mesmo neste caso, o nível da radiação na Rússia e, em particular, no Extremo Oriente permanecerá nos limites da norma”, afirmou.

De acordo com ele, os índices da radiação continuam bastante altos na própria usina atômica, mas os liquidantes podem trabalhar sem riscos para a saúde, desde que respeitem as normas de segurança. Ele salientou que o motivo das cinco mortes ocorridas em Fukushima foi a explosão do hidrogênio, não a radiação.

No último dia 24, 17 funcionários da usina foram submetidos a graves doses de radiação. Dois deles, aliás, foram hospitalizados com a pele seriamente danificada. O nível da radiação da água que penetrou nos macacões dos funcionários superou a norma de segurança em dez mil vezes. Além disso, as autoridades pediram que os habitantes locais abandonassem a zona de 30 quilómetros ao redor da usina. 

Dias antes do ocorrido, o Ministério da Saúde Pública de Massachusetts (EUA) afirmou que havia certo nível de iodo radioativo na água pluvial. Segundo o órgão, trata-se de um “patamar muito baixo”, que “não vai influenciar a situação das fontes de água potável no Estado”.   

Antes disso, soube-se que as partículas radioativas resultantes do acidente em Fukushima 1 alcançaram o Estado de Nevada, também nos Estados Unidos. Mas a agência AP, citando os representantes da estação de controle de radiação do DPI (Desert Research Institute), informou que não há perigo para as pessoas por causa da baixa concentração das partículas.   

Em 26 de março, detectou-se traços de iodo-131 e xenon-133 na cidade de Las Vegas, que fica em Nevada, mundialmente conhecida como centro recreativo e de jogos de azar. Os cientistas supõem que estas substâncias vieram do Japão, já que partículas da mesma origem já haviam sido registradas no Estado vizinho de Califórnia. 

Uma comissão da Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares declarou no dia 25 de março que as substâncias radioativas que vazaram de Fukushima 1 vão contaminar outros países durante as próximas duas ou três semanas.

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