IPOs voltam ao sistema financeiro

Foto: Getty Images/Fotobank

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Após recuo no início do ano, os IPOs, a oferta inicial de ações de uma empresa na bolsa, retornam ao mercado russo.

A expectativa da Rússia no começo deste ano era gerar US$ 20 bilhões em ações abertas ao público. No entanto, a insistência das companhias russas em não seguir a faixa de valores dos mercados de títulos fez com que o mercado tivesse acesso a apenas cerca de US$ 3 bilhões. Agora o negócio volta a funcionar. Algumas empresas insolventes precisam buscar dinheiro no mercado. Peter Westin, estrategista do banco de investimento Aton, afirma que “este é, até certo porto, um processo natural de quando se sai de uma crise econômica”.

Agora, os investidores globais que aplicam em mercados emergentes como Brasil, China, Índia, África do Sul e Turquia, podem voltar seus olhos para o mercado de capitais russos, cujas ações são mais baratas.

Chris Weafer, estrategista-chefe do banco de investimentos russo UralSib, relatou que, no final de outubro, os fundos da Rússia tinham atraído os maiores índices de investimento de qualquer mercado emergente pela primeira vez desde maio. “Já há, à margem do mercado, capital que poderia ser tentado por algumas dessas ofertas”, diz o estrategista-chefe da Otkritie Financial Corporation, Tom Mundy.

Os investidores, porém, seguem cautelosos em relação aos IPOs russos. “Creio que o mercado será bastante cético”, afirmou Mundy. Na mesma ocasião de outubro, nenhuma empresa russa que fez seu IPO em 2010 estava negociando ações acima de seu preço de emissão. Mesmo os lançamentos de blue chips – ações das empresas com boas cotações na bolsa de valores – como a petroleira Rosneft, antes da crise de 2008, acrescentaram otimismo a este cenário.

Internet e supermercado


O supermercado varejista O’key, de São Petersburgo, é um dos nomes mais atraentes na economia doméstica, segundo Mundy. “Há relativamente poucos nomes no mercado de varejo, e os índices de consumo estão subindo graças ao contínuo apoio financeiro do Estado.” Embora o O’key estivesse 5% acima da média, mesmo no mais baixo valor da variação de face dos papéis, de US$ 9,90 a US$ 12,90 por GDR (Depositos Recebíveis Globais), a empresa conseguiu fechar o seu IPO, em 2 de novembro, a US$ 11, muito acima do obtido por qualquer outra empresa até então. Ainda assim, a companhia recebeu 17% menos do que os US$ 540 milhões inicialmente esperados. 

O mais bem-sucedido dessa leva foi o grupo de internet Mail.ru, cuja variação inicial de preço para sua estreia em Londres levou à empresa um valor “bem maior do que a maioria de seus pares internacionais”, segundo o analista Konstantin Tchernishev, do UralSib.

Impulsionado pelo posicionamento da companhia como “única empresa de peso em tecnologia com ações em bolsa na Rússia”, como afirma Westin, e considerando a penetração que oferece tanto em número de consumidores quanto no chamado “capital humano da Rússia”, conforme sugere Mundy, a oferta inicial chegou ao topo da variação de seu preço no início de novembro.

Outras empresas permanecem sem abrir mão de manter  suas próprias expectativas de valor e se recusam a aceitar os valores propostos pelos investidores.

Ferrovias e empreiteiras


A transportadora ferroviária Transcontainer definiu o preço de sua oferta inicial 5% mais baixo do que o menor preço de orientação.

Em novembro, a empreiteira  Mostotrest, que constrói pontes, chegou ao preço mais baixo no pregão, em um dia em que o mercado abriu com suas ações em alta. “As empresas devem entrar no mercado com transparência e descontos saudáveis e, com o tempo, alguns desses negócios irão prosperar”, diz Mundy. O mesmo mantra foi ouvido no início do ano e, depois que os primeiros casos comprovaram a ideia, a fonte rapidamente secou.

Parece improvável, assim, que todas as empresas que anunciaram planos de se listar em breve passem por isso. Entretanto, com o programa de privatização de US$ 50 bilhões assinado para o período de 2011 a 2015, esta pode ser a única oportunidade para muitos.

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