Nova aliança da oposição gera desconfiança de observadores

Opositores querem enfrentar nas eleições de 2012 o único partido que concorre à presidência/Foto: Kommersant

Opositores querem enfrentar nas eleições de 2012 o único partido que concorre à presidência/Foto: Kommersant

União foi firmada em setembro, mas, com fracasso de tentativas anteriores, ainda se coloca em dúvida seu êxito.

Em setembro, os líderes Mikhail Kassianov, Boris Nemtsov e Vladímir Rijkov, entre outros políticos de oposição, lançaram a coalizão Por Uma Rússia Sem Arbitrariedade e Corrupção. A oposição liberal já tentou se unir em ocasiões anteriores, mas o casamento sempre fracassou devido a plataformas conflituosas e disputas de egos. O grupo se uniu em oposição ao primeiro-ministro Vladímir Putin e seu partido Rússia Unida. Mas esse parece ser o único ponto de convergência.

“Cometemos muitos erros nos últimos 20 anos,” relembrou Boris Nemtsov, ex-vice-premiê do governo Boris Iéltsin. A última coalizão da oposição foi desfeita em 2008,  depois que seus líderes não conseguiram definir um candidato comum às eleições presidenciais. Entretanto, Nemtsov afirma que agora a oposição - da qual faz parte - teria amadurecido e domado os egos políticos.

Além disso, o opositor mostra-se confiante principalmente devido à onda de protestos que invadiu o país no último verão. Segundo ele, “todo mundo” teme a possibilidade de Vladímir Pútin voltar à presidência e permanecer no poder até 2024.

Nemtsov diz que, segundo uma pesquisa do Centro Levada, esse receio teria estimulado em até 20% o apoio à recém-criada coalizão. Entretanto, a pesquisa mostra que apenas 3% afirmavam que o fariam “com certeza”.

A pesquisa revela também que não mais de 32% da amostragem total acreditam que a coalizão possa ter êxito no árduo processo de se registrar como partido político legítimo.

Ainda assim, Nemtsov se mostra irredutível. “Registrar o partido não seria muito difícil, mas pode ser ainda mais fácil mais próximo de 2012,” disse. “Quem sabe o que pode acontecer no panorama político? Quando expus a corrupção de Iúri Lujkov em meu relatório de 2009 e pedi sua demissão, todo mundo me chamou de louco. Vejam agora o que aconteceu!”

Mas nem a demissão de Lujkov, ex-prefeito de Moscou, teria sido suficiente para convencer outros líderes liberais a somarem suas forças à aliança.

Os dirigentes do partido Iábloko, por exemplo, descartaram a coalizão, acusando-a de procurar regredir aos tempos de Iéltsin — principalmente porque seus líderes não prometem derrubar os oligarcas criados por essa administração.

O ativista liberal Garry Kasparov disse, no mês passado, que não iria aderir à coalizão se o objetivo da empreitada se limitasse ao registro de um partido político. “É uma base enganosa para a união”, afirmou, argumentando que a principal meta da oposição liberal russa hoje seria mobilizar seus seguidores e realizar grandes eventos públicos.

A pesquisa do Centro Levada também apontou que 86% dos russos não tinha nenhum conhecimento da formação da coalizão. A imprensa e o público russo ignoraram a ação da oposição, um sinal de que a maioria ainda parece satisfeita com a condição econômica e a estabilidade do país.

Alguns analistas sugerem que, ao demitir o prefeito de Moscou em setembro, o Kremlin já se antecipou ao movimento da nova coalizão.

“Ao iniciar uma campanha contra Lujkov envolvendo acusações de corrupção e arbitrariedade, o Kremlin se apropriou dos principais slogans da oposição, quase como transcrevendo literalmente um panfleto de Nemtsov e Milov”, afirmou Irina Pavlova, comentarista do jornal online Grani.ru.

A coalizão deverá realizar seu primeiro congresso em dezembro para discutir sua abordagem nas eleições para a Câmara dos Deputados.

Nemtsov afirmou que nenhum candidato será escolhido para a eleição presidencial até o segundo congresso da aliança, em 2011.

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