Potássio rumo ao topo do mercado

Foto: RIA-NOVOSTI

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Depois de adquirir a Uralkáli e a Silvinit, deputado Suliman Kerimov se prepara para bater a produção da líder canadense PotashCorp.

Outra gigantesca fonte de recursos naturais da Rússia se levanta para dominar seu mercado, e não se trata de vender petróleo ou gás.

Em agosto, o oligarca e membro do parlamento russo Suliman Kerimov comprou o controle acionário da Uralkáli e da Silvinit, duas das maiores mineradoras russas de potássio, principal ingrediente em fertilizantes agrícolas.

A Rússia abriga o segundo maior depósito do mundo desse recurso natural e a união dessas companhias resultará no segundo maior produtor mundial, atrás apenas da canadense PotashCorp.

A alta dos preços de cereais incitou uma frenética atividade de fusões e aquisições no setor de fertilizantes. Na última semana de agosto, a BHP Billinton, maior companhia mineradora do mundo, apostou bilhões na demanda crescente por commodities agrícolas dando um lance tentador de US$ 39 bilhões pela PotashCorp.

O preço do potássio subiu a níveis astronômicos desde o boom provocado pelas commodities. O custo da tonelada chegou a US$ 1 mil em 2008, até despencar para o nível atual de US$ 350 a US$ 375 por tonelada. Entretanto, espera-se que a alta nos preços seja significativa na medida em que as economias ao redor do mundo se recuperam, principalmente em importantes mercados emergentes como China e Índia.

Além do mais, em consequência das temperaturas recordes desse verão na Rússia e dos subsequentes incêndios que destruíram um terço da colheita de grãos do país, os preços dos produtos agrícolas também estão subindo rapidamente, puxando consigo os preços do potássio.

Apesar da crise de crédito internacional que assolou o mundo, especialistas preveem que praticamente nada mudou na dinâmica de suprimento de alimentos desde 2008, quando a escassez no abastecimento provocou uma drástica elevação nos preços.

Conhecido como “o funcionário público mais rico da Rússia”, Kerimov chegou à Câmara dos Deputados (Duma) em 2007. O empresário é membro do partido dominante Rússia Unida e deputado pelo Daguestão.

Kerimov chegou a ser repreendido recentemente por ser o mais ausente dentre os políticos russos, mas é mais conhecido por seus vastos investimentos em ouro, petróleo, imóveis e tecnologia.

Segundo alguns analistas, o deputado estaria construindo seu império em nome do Kremlin. Ele estaria juntando bens em vários setores para formar uma série de “campeões nacionais”, que poderiam usar seu tamanho e força avassaladores para tirar vantagem nos mercados globais.

Conforme sugere o banco de investimentos Troika Dialog, “Kerimov é um típico financista e suspeitamos que ele esteja encenando um drama de muitos atos com o intuito de monetizar seu investimento”.

Ainda assim, a fusão faz sentido economicamente.

Os efeitos da consolidação e a alta dos preços agrícolas já se fizeram sentir no setor dos fertilizantes depois que a Uralkali subiu os custos para pronta entrega em torno de 10% no início de setembro. Uma tentativa similar em fevereiro foi abortada pela reação agressiva dos compradores e pela indisciplina da parte da Silvinit.

Enquanto o mercado observa a BHP cortejar a PotashCorp, também se indaga quais são as cartas da Rússia na jogada.

Sugestões de que o novo campeão poderia se juntar à Norish Nickel para formar uma gigante da diversificada mineração são pouco prováveis, enquanto um acordo com fabricantes de fertilizantes químicos como a Phosagro oferece poucos benefícios porque os métodos de produção são inteiramente diferentes.

Em vez disso, Kerimov estaria tentando expandir o novo gigante através da fronteira com a Bielo-Rússia, que possui o terceiro maior depósito de potássio do mundo.

No começo de agosto, o vice-premiê da Bielo-Rússia, Vladímir Semashko, desmentiu que o governo estivesse discutindo uma oferta de US$ 7,5 bilhões de Kerimov para adquirir 51% da maior produtora de potássio do país, a Belaruskali.

No entanto, apesar de informações sobre o interesse de chineses e indianos pela produtora bielo-russa, Semashko espera que o conglomerado russo emergente esteja entre os principais compradores da companhia.

O premiê afirmou acreditar que o interesse de Kerimov nasceu de sua recente aquisição da Uralkáli. “Espero que depois [que assuma o controle] da Silvinit, a Belaruskali venha a seguir,” disse Semashko.

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