Dois séculos de negócios

Comércio entre os dois países já inclui produtos para os setores de energia e militar/ Foto: Alamy Photas

Comércio entre os dois países já inclui produtos para os setores de energia e militar/ Foto: Alamy Photas

História, quadro atual e perspectivas do desenvolvimento das relações comerciais e econômicas entre Rússia e Brasil.

O comércio entre a Rússia e o Brasil começou em 1812, quando atracaram pela primeira vez na Rússia os navios de um próspero empreendedor português, vindos do outro lado do oceano. Em 1814 chegaram ao Brasil os primeiros navios mercantes russos. O início das relações diplomáticas entre os países, em 3 de outubro de 1828, inaugurou o intercâmbio comercial e econômico da Rússia não só com o Brasil, mas com todos os países da América Latina.

No século 20, as relações comerciais permanentes entre a União Soviética e o Brasil se desenvolveram de modo mais ativo após a assinatura, em 1959, do primeiro acordo comercial e de pagamentos. A participação da União Soviética na balança do comércio internacional brasileiro chegou a 3%, naquela época. O Brasil, por outro lado, se tornou um dos maiores parceiros da URSS entre os países em desenvolvimento.

Hoje, o Brasil é o maior parceiro comercial da Rússia na América Latina. A crise financeira e econômica internacional provocou a queda da produção industrial nos dois países, inclusive daquela voltada à exportação. Os volumes de crédito minguaram e, em consequência, foram reduzidos os negócios entre os parceiros.

Segundo estatística da Receita Federal brasileira, os indicadores do comércio do Brasil com a Rússia em 2009 reduziram-se em 46% e chegaram a US$ 4,3 bilhões, contra US$ 8 bilhões em 2008. No mesmo período, a exportação da Rússia para o Brasil foi de US$ 1,4 bilhão e a importação ficoou em US$ 2,9 bilhões (uma queda de 57% e 39%, respectivamente).

Em 2009, a Rússia exportou fertilizantes, matéria-prima para fertilizantes, carvão, derivados de petróleo, enxofre granulado e derivados de borracha natural para o Brasil. Pela primeira vez nos últimos anos, notou-se o incremento de vendas de produtos de alta tecnologia, dentre os quais estão helicópteros e peças para reposição, assim como turbinas e geradores para as hidrelétricas em construção no país.

Do lado brasileiro, os produtos agrícolas foram responsáveis por grande parte das exportações para a Rússia em 2009, representando 95% do valor total. Os produtos mais exportados foram carne bovina (33,2% do total exportado), açúcar (30,3%), carne suína (19,8%), carne de frango (4,3%), tabaco (4%) e café (3,4%).

Em 2010, a balança comercial Brasil-Rússia somou US$ 3,4 bilhões entre janeiro e julho. As exportações brasileiras para a Rússia foram de US$ 2,4 bilhões, ou seja,  cresceram 41% se comparadas ao mesmo período de 2009. As importações brasileiras da Rússia movimentaram US$ 1 bilhão (crescimento de 94%).

Agora, a meta da Rússia é levar ao mercado brasileiro produtos de alto valor agregado e tecnologia, principalmente aqueles relacionados às áreas de energia hidrelétrica, petróleo e gás, mineração, exploração pacífica do espaço e da energia atômica, aviação, medicina e telecomunicações.

As companhias russas estão interessadas principalmente em tecnologias brasileiras de pecuária e avicultura para organizar cadeias produtivas. Também há necessidade de equipamentos tecnológicos para uso nos complexos pecuários e para o processamento de produtos de carne, bem como a implementação de redes de churrascarias no país.

Órgãos estatais e companhias privadas russas e brasileiras estão elaborando diversos projetos de infraestrutura energética e de transporte, de nanotecnologia e de pesquisa e uso de recursos naturais. Também desenvolvem mecanismos de pagamento com as próprias moedas nacionais, além de parcerias técnicas e militares e cooperação no âmbito do BRIC.

Os projetos de pequenos e médios negócios entre os países ainda não tiveram um desenvolvimento digno de nota. Mesmo assim, grandes companhias e instituições financeiras russas, como Power Machines, Gazprom, Rostekhnologii, Agência Federal Espacial (Roskosmos) e Banco do Desenvolvimento e de Economia Externa (Vnesheconombank), atuam ativamente e com sucesso em território brasileiro.

A companhia brasileira de aviação Embraer, por outro lado, demonstra interesse em estabelecer parcerias com empresas de aviação da Rússia. Novas perspectivas de parcerias entre os dois países se iniciam com o projeto de exportação de blindados russos GAZ-2330 Tigre, da companhia Russkie Machini (RM Corporation). Recentemente, o Rio de Janeiro recebeu um modelo do veículo para testes e, se tiverem sucesso, os Tigres russos podem invadir o mercado brasileiro, abrindo caminho para mais uma série de produtos competitivos.

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