A terceira onda de privatização

Governo russo planeja arrecadar US$ 30 bilhões com a venda das ações de onze companhias nacionais e combater o déficit orçamentário.

Nikolai Sergueiev, corretor de uma firma de investimentos russa, vem acompanhando de perto as cotações de ações preferenciais da Transneft. Num período de dez dias, o preço desta operadora dos principais oleodutos da Rússia subiu cerca de 25%.

Mas Sergueiev tem certeza de que esse não é o limite. A Transneft está entre as importantes corporações estatais russas que se enquadram nos planos governamentais de aumentar a participação de investidores privados.

Esta não é a primeira decisão das autoridades russas para atrair recursos de investimento e diminuir a participação do estado na economia. Em junho, num fórum econômico internacional em São Petersburgo, o presidente Dmítri Medvedev anunciou uma redução quíntupla na lista de empreendimentos estratégicos não sujeitos a privatização.

Agora o governo, no contexto do processo global de atrair investidores, está pronto para vender sua participação acionária em onze companhias russas.

Observadores na mídia batizaram esta decisão de terceira onda da privatização. Ao contrário das ondas anteriores, esta não provocou duras críticas da oposição de esquerda. O governo tem um argumento de peso: o orçamento federal sofre de um grande déficit, enquanto o Estado, conforme o presidente observou, tem obrigações sociais permanentes.

Além das ações da Transneft, o governo planeja vender quase a metade (49%) dos ativos do Rosselkhozbank, o quarto maior banco da Rússia. O Rosselkhozbank participa atualmente de um programa estatal para desenvolver a agricultura e regular os mercados da produção agrária.

Também serão oferecidos aos investidores quase 25% da Sovkomflot, e 49% tanto do complexo unido de grãos Rosagrolizing como da Rosspirtprom, uma das principais produtoras de álcool e vodca da Rússia.

As últimas três companhias substituíram a Agência de Hipoteca Imobiliária e de Empréstimos e o monopólio russo de ferrovias Russian Railways ambos incluídos numa lista anterior. “As mudanças feitas na lista de privatização de futuras companhias públicas não foram muito radicais”, disse Vladímir Kuznetsov, analista da UniCredit Securities.

O governo russo também está pronto para vender sua participação acionária em companhias que já estão sendo negociadas no mercado de ações: a companhia de energia russa FSK EES (uma operadora de sistemas elétricos na Rússia); a RusHidro, segunda maior companhia hidrogeradora no mundo; bem como a Rosneft e os dois maiores bancos da Rússia, o Sberbank e o Vneshtorgbank (VTB).

O Ministério das Finanças estima que as privatizações trarão cerca de US$ 30 bilhões para os cofres do Estado nos próximos três anos e ajudarão a combater o déficit orçamentário, que em 2010 esperava-se que fosse cerca de 5,4% do produto interno bruto.

No entanto, segundo o primeiro-ministro Vladímir Pútin, o déficit de 2010 não excederá 5% do PIB. E ao longo dos três anos seguintes aquele déficit diminuirá. Em 2011, segundo estimativas do Ministério das Finanças, ele totalizará 3,6% do PIB; em 2012, 3,1%; e em 2013, 2,9%.

O cenário mais provável para a venda das participações acionárias do governo envolverá colocações primárias e secundárias nos mercados. Apesar da instabilidade dos mercados financeiros do mundo, os especialistas estão convencidos de que não haverá falta tanto de investidores estratégicos como de especuladores desejando participar das privatizações das principais companhias russas.

Os especuladores já estão lucrando com o aumento das cotações graças às anunciadas privatizações. Enquanto isso, estrategistas potenciais desejosos de investir nos ativos russos incluem a China.

Espera-se que a lista de companhias russas prontas para a privatização seja finalizada até 1º de outubro de 2010. 

Por isso, ainda existe muito tempo para que os especuladores lucrem com o aumento das cotações e para que os investidores decidam quais são os ativos russos mais atraentes.

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