Quatro motivos para se sentir em outro mundo em Kamtchatka

Tolbachik volcano Foto:Vadim Gippenreiter

Tolbachik volcano Foto:Vadim Gippenreiter

Apesar dos preços altos e da logística complicada, milhares de turistas são atraídos à península todos os anos. Vulcões e ursos são só uma amostra do que se vê no Extremo Oriente russo.

1. Terra dos Ursos

Kamtchatka é o verdadeiro ‘país dos ursos’: estudos diversos estimam que lá vivem de 15 a 30 mil deles. Essa concentração de ursos não é observada em nenhum outro lugar da Rússia nem no resto do mundo.


Foto: Diana Serebrennikova

Quer saber o ponto mais adequado e seguro para observar os ursos da Kamtchatka? Vá aos entornos do lago Kurilski, a 200 km de Petropavlovsk-Kamtchatsk). Ali o fotógrafo Serguêi Gorchkov já conseguiu registrar até 17 ursos em uma só foto panorâmica! Não tenha receio, pois o lago faz parte do Parque Nacional de Kronotski http://kronoki.org/, onde todas as visitas são monitoradas por guias armados.

2. Vulcões em atividade

Se o tempo estiver bom, é possível avistar os vulcões de Koriaksk, Avatchinsk e Kozelsk de qualquer ponto da capital da Kamtchatka. Alias, esse trio principal de vulcões foi apelidado carinhosamente pelos moradores da região de ‘etgigantes’.

 

Quatro motivos para se sentir em outro mundo na Kamtchatka
Vulcão Tolbachik Foto:Vadim Gippenreiter

 

Valor histórico

Foi justamente na península da Kamtchatka que aconteceu o único episódio positivo para a Rússia em toda a história da Guerra da Crimeia (1853-1856). No auge do conflito, a tropa pouco numerosa que protegia Kamtchatka conseguiu vencer as poderosas forças das esquadras inglesas e francesas que haviam alcançado o porto de Petropavlovski – o principal ponto de apoio da Rússia no Extremo Oriente.

Quando estão ativos, seguem fumegando e expelindo cinzas –  nessas horas sente pequenos abalos sísmicos por toda cidade. Mas viver sobre um vulcão faz com que os moradores da Kamtchatka se acostumem com esses fenômeno. Além disso, muitas das residências de Petropavlovsk-Kamtchatsk possuem estruturas resistentes a tremores.

Os moradores também permanecem atentos às mínimas alterações no comportamento de seus furiosos vizinhos. Os vulcões da Kamtchatka, cujo número chega a trinta, figuram entre os nomes da lista de Patrimônio da Humanidade da Unesco. Para observá-los com mais atenção, o melhor é reservar um dos vários quartos da região com vista especial. As diárias custam a partir de 5 mil rublos (R$ 280).

3. Caviar ultrafresco

Em um passado não muito distante, os moradores da Kamtchatka não conseguiam dormir em paz à noite por causa do barulho que os salmões fazem durante a desova – isso por causa da abundância de peixes na região. Pouco desbravada e povoada, a Kamtchatka apresenta excelente condições ecológicas e água pura.\


Foto: Iúlia Chandurenko

A base da culinária local é composta por vários tipos de salmão do Oceano Pacífico, ostras e o famoso caranguejo da Kamtchatka. Claro que o caviar não poderia falta nessa lista: o vermelho piatiminutka é iguaria que existe apenas na Kamtchatka e só pode ser obtida na estação de pesca do verão. Ali mesmo, à beira do rio, é possível preparar o peixe recém-pescado ou provar o caviar.

4. Selvageria do bem

A Kamtchatka é um paraíso para quem não tem medo de superar os obstáculos mais difíceis só para ver de perto a verdadeira beleza selvagem: além dos lagos e vulcões, superfícies congeladas convivem com fontes de água quente, e animais selvagens ficam lado a lado com os seres humanos.


Foto: Ígor Chpilenok

No livro “A Kamtchatka que eu amo”, o fotógrafo Igor Chpilenok narra o cenário delirante da península. “Quando, em uma manhã tranquila, você segura a câmera às margens do lago Kirilski e vê o nascer do sol sobre o vulcão de Ilinsk, parece que a paisagem ao redor se congela”, descreve Chpilenok.

“E apenas um inesperado e forte tremor de terra – o início de um terremoto – de repente faz com que você se lembre de que esse é um dos lugares mais perigosos do planeta, e a qualquer momento pode acontecer algo grandioso.”

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