Leningrado, Stalingrado e outros rastros da guerra

Em 1945, esgotada pela guerra, a URSS estava quase em ruínas. Moscou sofreu muito com os ataques de aviões inimigos, enquanto sobrevivia à fome gerada pelo bloqueio de Leningrado, atual São Petersburgo. Dois terços de Staliningrado, hoje Volgogrado, ficaram também destruídos. Setenta anos depois, os lugares de batalhas terríveis se tornaram complexos memoriais e, é claro, destino de muitos turistas.

Na Rússia moderna, é difícil encontrar uma cidade que não foi afetada pela Segunda Guerra Mundial: as cidades viravam campos de batalha ou lugares para a evacuação de pessoas e de empresas.

Hoje, as nove que enfrentaram os piores ataques durante a guerra carregam o título de ‘heroicas’: Moscou, São Petersburgo, Volgogrado, Tula, Smolensk, Murmansk, Kerch, Sevastopol e Novorossisk. Viaje conosco por algumas delas.

Volgogrado (910 km de Moscou)

Pontos simbólicos: complexo memorial na Colina de Mamaev e estátua da Mãe-Pátria

Na época da União Soviética, Volgogrado ainda se chamava Stalingrado. Durante a guerra foi palco da batalha mais funesta na história mundial: quase 1,5 milhão de mortos. Em julho de 1942, na colina de Mamaev, o Exército Vermelho derrotou o de Hitler na frente oriental e, assim, mudou o rumo da Segunda Guerra Mundial. O memorial e os monumentos construídos nos lugares desses eventos até hoje continuam a ser as principais atrações da cidade.

A maioria dos monumentos dedicados ao conflito se concentra em três partes da cidade, que ficam bem próximas entre si: a Alameda dos Heróis, que leva da beira do rio até a Praça dos Combatentes Caídos, ao redor do Museu Panorama Batalha de Stalingrado, na colina de Mamaev. A melhor forma de fazer o percurso é de “metrotram”, que vai ora por debaixo da terra, ora sobre a superfície.


No topo da Colina de Mamaev, monumento da Mãe-Pátria: o dobro do Cristo Foto: Lori/Legion Media

Um minuto de silêncio interrompe periodicamente a música tocada no Museu Panorama, e o barulho dos passos predomina. Por mais que se leia sobre os fatos horripilantes da Batalha de Stalingrado em livros ou na internet, a tragédia do conflito adquire outra dimensão depois de se visitar a Colina de Mamaev e subir os seus 200 degraus, que equivalem ao número de dias da batalha pela cidade.

No topo, eis que surge o monumento da Mãe-Pátria. Observando os visitantes de sua altura gigantesca, ela entrou no Guinness, livro dos recordes, como a maior estátua do mundo em 1967, quando foi criada: são 85 metros sem pedestal. A título de comparação, a Estátua da Liberdade, em Nova York, tem 46 metros, e o Cristo Redentor, 38 metros.

São Petersburgo

Pontos simbólicos: Praça da Vitória e  Museu do Bloqueio

Na mesma época em que os moradores e soldados defendiam Stalingrado, os habitantes de Leningrado enfrentavam outra tragédia: um bloqueio de 872 dias, durante os quais 97% das vítimas não foram feridas na linha de frente, mas morreram de fome e doenças. Em seu livro “Just and Unjust Wars”, o filósofo americano Michael Walzer, cita que, “no bloqueio de Leningrado morreram mais civis do que em Hamburgo, Dresden, Tóquio, Hiroshima e Nagasaki juntos”.


Praça da Vitória é um marco do bloqueio que durou quase 900 dias Foto: Lori/Legion Media

O Monumento aos Defensores Heroicos de Leningrado, na Praça da Vitória, é o monumento mais famoso de São Petersburgo dedicado ao heroísmo dos cidadãos nos dias de bloqueio. Embaixo do monumento há o museu Memorial, decorada com dois enormes mosaicos: Bloqueio e Vitória.

No espaço do Museu Memorial da Defesa e Bloqueio de Leningrado foi recriado o quarto de um apartamento de Leningrado na época do bloqueio, com direito a sirene, fotos, modelos de armas, itens pessoais e até o tipo de alimento durante o bloqueio, que as vítimas faziam a partir de restos.


Monumento aos Defensores Heroicos de Leningrado tem espaço que recria realidade durante o cerco Foto: TASS

Kursk (450 km de Moscou)

Pontos simbólicos: complexo memorial do “Arco de Kursk” (Arco do Triunfo)

A batalha de Stalingrado pode ter mudado o curso da Segunda Guerra Mundial, mas o seu sucesso se confirmaria sem a batalha de Kursk, em julho de 1943. A importância geopolítica desse episódio ultrapassou os limites da frente soviética-alemã – pôs fim ao regime de Mussolini e forçou a Itália a se retirar da guerra ao lado da Alemanha. O confronto em Kursk entrou na história como a maior batalha de tanques: além dos 2 milhões de soldados, havia 6.000 tanques e 4.000 aviões.

O Parque Monumental, na periferia ao norte da cidade, se estende por uma alameda de um quilômetro. No caminho as atrações principais são o Arco do Triunfo, o monumento ao marechal Gueôrgui Jukov (um dos principais militares soviéticos da Segunda Guerra Mundial), a igreja cristã de São Jorge e o túmulo do soldado desconhecido em Kursk.


Arco de Kursk é uma das atrações ao longo da alameda do Parque Monumental Foto: Lori/Legion Media

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