Reservas da Sibéria proporcionam encontros com a natureza selvagem

Viajar no Transiberiano, admirando a espessa taiga pela janela, não é o mesmo que visitar lugares puramente selvagens Foto: Lori / Legion Media

Viajar no Transiberiano, admirando a espessa taiga pela janela, não é o mesmo que visitar lugares puramente selvagens Foto: Lori / Legion Media

Viajar no Transiberiano, admirando a espessa taiga pela janela, não é o mesmo que visitar lugares puramente selvagens, autênticas reservas habitados apenas por animais. A Gazeta Russa selecionou algumas delas.

As visitas a reservas naturais são parte importante da indústria turística em quase todo o mundo. Na Sibéria, porém, onde existem ainda muitos locais onde a mão do homem não tocou, com florestas, rios, lagos e montanhas, há vantagens: os itinerários ecológicos são individualizados e não há muitos turistas.

A Gazeta Russa encontrou reservas naturais onde os amantes da natureza selvagem, da ciência e do silêncio serão, sem dúvida, bem recebidos.

Reserva Natural da Sibéria Central

http://www.centralsib.ru/ (apenas em russo)

É um local sombrio, desabitado e belo, situado no Território de Krasnoiarsk, a 3.352 quilômetros de Moscou, abrangendo os distritos de Turukhanski e Evenkiski. Fica no coração da Eurásia, onde corre o Ienissei, com reservas em ambas as margens, bem como o pouco navegável Tunguska Pedregoso, na vastidão da taiga inexplorada, povoada de ursos, alces, glutões, linces e, claro, de zibelinas –animais siberianos historicamente importantes devido a sua comercialização, pelo que estão sob apertada vigilância na reserva.

Foto: Shutterstock

Há 400 milhões de anos, quando apenas os mares e oceanos eram habitados, estas terras estavam cobertas por um quente mar tropical, que desapareceu há muito  tempo. No entanto, nas margens de rios agitados, ainda hoje é possível encontrar vestígios desse tempo recuado, como fósseis de corais. São testemunhos do antigo continente Angarida, ocupado hoje em dia pela Plataforma Siberiana.

Na Reserva Natural da Sibéria Central estão sob proteção não só os animais e a natureza, mas também os Keto, pequeno povo autóctone. Em atenção desse povo foi criada uma área etnográfica especial protegida, chamada de Eloguiski Zakaznik. Os Keto, segundo opinião de alguns investigadores, são antepassados dos índios norte-americanos, que teriam povoado as margens do Ienissei desde tempos remotos, vivendo da pesca e da caça. Nas zonas limítrofes da reserva, vivem “velhos crentes” ortodoxos, que se separaram no século 17 da Igreja Ortodoxa Russa.

A reserva natural é cruzada por diversos itinerários ecológicos, sobre os quais se pode colher mais informações no site  http://www.centralsib.ru/tours/3/. Um dos mais interessantes se chama “Itinerário Não Percorrido de Fridtjof Nansen”, conhecido viajante e investigador polar norueguês (1861-1930).

Objetivo da viagem: Ver a genuína Sibéria através da reserva natural.

Fonte de inspiração: Livro de Fridtjof Nansen “Para o País do Futuro. Grande Rota do Norte da Europa à Sibéria, Através do Mar de Kara”.

Reserva Natural do Baikal

http://baikal-zapovednik.ru/

Se situa na unidade federal de Irkutsk, ao redor do lago Baikal (a 5.110 quilômetros de Moscou). As áreas protegidas Kabanski Zakaznik e Altatcheiski Zakaznik, na República da Buriácia, uma das divisões federais da Rússia, fazem parte desta reserva. A proteção abrange a margem sul do lago Baikal (“mar glorioso e sagrado”, como é chamado numa canção popular) e a parte central da cordilheira de Khamar-Daban. Em redor do lago vivem 360 espécies de animais, muitos deles inscritos no Livro Vermelho, embora também ali habitem outros muito raros, como a abetarda, a águia-real, o pigargo, a rena e o taimen –espécie rara de salmão.

O Baikal por si só já é uma verdadeira reserva natural: junto do lago não se ouve o barulho dos trens transiberianos, nem o de turistas que deixem lixo atrás de si. O mais interessante para os amantes de pássaros são os ecoitinerários ornitológicos, a maior parte deles concentrada no Kabanski Zakaznik.

Foto: Lori / Legion Media

É imperdoável passar pelo Baikal sem percorrer a Grande Vereda de Baikal, visitar o Museu da Natureza e ali aprender a distinguir vozes dos animais; estudar o mapa celeste do Hemisfério Norte (com bom tempo daqui se vê a Via Láctea), trabalhar como voluntário no acampamento internacional, fazendo amigos de todos os cantos do mundo (http://www.greatbaikaltrail.org/en). E, claro, admirar o Baikal em momentos distintos: azul e pacífico num dia de sol sem vento, ou agitado e severo, mas impressionante, num dia tempestuoso.

Objetivo da viagem: Observar o Baikal não turístico, o lago mais profundo da Terra, cartão de visita da Sibéria.

Fonte de inspiração: Livro “Nas Florestas da Sibéria”, de Sylvain Tesson, na qual o viajante francês relata como viveu na taiga do Baikal.

Reserva Natural Saiano-Chuchenski

http://sayanzapoved.ru/ (só em língua russa)

No dia 23 de Outubro, zoólogos de vários países comemoraram o Dia Internacional de Leopardo das Neves, um predador raro. Segundo os especialistas, existem apenas de 3.500 a 7.000 no mundo inteiro. Na Reserva Natural Saiano-Chuchenski, a sul do Território de Krasnoiarsk (a 3.955 km de Moscou), vivem seis deles, sendo uma sorte incrível os avistar, já que a taiga –onde se elevam cedros siberianos, a principal preciosidade da reserva, que cobre 1.000 quilômetros quadrados– dificulta a tarefa. Outras espécies que habitam a reserva são o gato selvagem manul, o javali, o lince, o lobo e o urso, que tem alimentado os guardas florestais e os guias turísticos de muitas histórias divertidas ou dramáticas.

Foto: Shutterstock

O roteiro mais interessante da reserva é a “Viagem pelo Cânion de Saian”. Há dois modos de fazer o percurso: livremente, levando uma tenda e percorrendo a pé longas distâncias, no meio da natureza austera, ou em condições mais confortáveis –em um barco com restaurante e posterior descanso numa hospedaria (informações sobre preços e datas podem ser obtidas escrevendo para  zapoved7@yandex.ru).

Objetivo da viagem: Ver um local em que a beleza e a força da Sibéria se manifestam com o poder da energia hidráulica e ouvir histórias dos trabalhadores da reserva sobre a sobrevivência na taiga, caçadores clandestinos e pesquisas científicas.

Fonte de inspiração: Filme “Em Busca do Leopardo das Neves” (2007), do National Geographic.

 

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