Os passos dos moradores da antiga Carélia

A Carélia, república do norte da Rússia, é uma alma gêmea da Escandinávia, com a qual ela está unida pela beleza de suas paisagens e pela antiga herança rúnica Foto: Lori / Legion Media

A Carélia, república do norte da Rússia, é uma alma gêmea da Escandinávia, com a qual ela está unida pela beleza de suas paisagens e pela antiga herança rúnica Foto: Lori / Legion Media

A Carélia, república do norte da Rússia, é uma alma gêmea da Escandinávia, com a qual ela está unida pela beleza de suas paisagens e pela antiga herança rúnica.

A partir dos séculos 12 e 13, o território de Carélia passou a fazer parte da Rússia. Em 1227, os habitantes da região adotaram a Ortodoxia e, em seguida, tornaram-se parte da Rússia. A formação dos povos da Carélia ocorreu na região de Lahdenpohsk, local ideal para o comércio e para a instalação, onde os longos fiordes do Lago Ladoga são pontilhados com ilhas grandes e pequenas. Essa região situada na costa noroeste do Lago Ladoga faz fronteira com a Finlândia.

Devido aos ataques frequentes de Estados vizinhos os habitantes tiveram de construir suas casas em colinas, muitas vezes inacessíveis, com declives acentuados para poder ver de longe as tropas inimigas. Esses assentamentos, onde se escondia a população rural, foi chamado de Linnavuori e Linnamyaki, que significa castelo na colina.

Ladenpójie

Em Ladenpójie há um antigo complexo de assentamentos do povo da Carélia do início da Idade Média. Os objetos arqueológicos estão literalmente embaixo dos pés: os moradores ainda conseguem às vezes achar uma pulseira de bronze datada do século 10 ou uma lança com ponta de metal.

Foto: long-way.ru

Entre os séculos 9 e 12 surgiu em Lahdenpohja o povo Corela –antecessor dos Carelianos modernos. Durante aquele período foram criados inúmeros assentamentos. Havia população particularmente numerosa na área dos atuais povoados de Curquioqui, Tiurula e Sortavala (na cidade de Paaso).

Distrito de Pudójski

O Distrito de Pudozhski é outro território dos antigos carelianos antigos igualmente rico em artefatos. É no pôr e no nascer do sol do Lago Onega que se abre aos olhos dos poucos viajantes o “Livro de Pedra do Norte" –muitos petróglifos foram criados entre 6 e 7 mil anos atrás, ou seja, antes das pirâmides egípcias.

O petróglifos de Carélia foram nitidamente esculpidos em enormes pedras planas, em ilhas no meio da floresta. Ao longo de 21 quilômetros, a partir do rio Volda até as ilhas da Pequena e Grande Turia, estendem-se mais de 1.200 imagens. Os petróglifos mostram a caça de veados e a pesca e imagens da vida cotidiana.

Foto: long-way.ru

Para chegar até eles é preciso ir de barco de Petrozavodsk até aldeia de Chalski, onde pratica-se a pesca, assim há suficientes barcos privados. Eles o levarão até o os cabos Belii Nos (nariz branco em russo), Gazhi, Kladovets ou Peri Nos. Para ir de carro é preciso seguir até a cidade de Pudojh e depois deixá-lo na aldeia de Korchevo. Às vezes apenas os mochileiros conseguem chegar até os petróglifos seguindo a estrada difícil de 15 quilômetros.

LagoOnega

Mesmo que você não consiga alcançar os petróglifos da Carélia,  vale pena ir para o norte para ver os do Mar Branco. Entre esses desenhos, os carelianos deixaram a imagem de um esquiador com um esqui que se estende ao longo de toda a pedra. Acredita-se que essa foi a primeira representação de um esqui no mundo.

O Onega é o lago principal tanto para os carelianos antigos quanto para os europeus modernos. É o segundo maior lago de água doce da Europa, cuja água, em muitos aspectos, é mais pura do que a do Baikal. Sendo muito raso (120 metros contra 1.642 metros de profundidade máxima do Baikal), o Lago Onega absorve mais de 110 rios e produz apenas um, o Svir. O contorno alongado e estreito do lago está cercado de costas rochosas elevadas, que formam numerosas ilhas.

Foto: long-way.ru

Na margem oriental do Lago Onega, no Cabo Murom, está situado o Mosteiro da Santa Dormição, fundado em 1350 por Lazar de Murom. Suas relíquias estão no altar da igreja batista construída por ele próprio. Fechado em 1918, o mosteiro foi reconstruído apenas em 1991.

Olonets

O único lugar no território de Carélia onde os carelianos representam a maioria  da população é o distrito de Olonets. O caminho mais conhecido para lá passa ao longo de pequenas aldeias do sul da Carélia, onde foi preservada a vida tradicional do distrito. Aqui há a vila de joalheiros de Iurgelits, a aldeia de caçadores e pescadores de Cuiteg e a Grande Selga, com cabanas da antiga Carélia.

Olonets é uma cidade rica em festivais. No outono, são organizados festivais de poesia careliana e de trajes nacionais, no inverno é escolhido quem será o Pakkaine  –o Papai Noel da Karelia, que, na verdade é um menino. Na primavera é organizado o festival de Olonii e no verão o festival do leite, chamado de Parada das Vacas.

Pode-se chegar em Olonets de trem ou ônibus de Petrozavodsk (153 km). Também há trens diretos e ônibus de São Petersburgo (148 km).

 

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