Outono é época de visitar os museus siberianos ao ar livre

O museu arquitetônico e etnográfico ao ar livre Taltsi encontra-se próximo do rio Angara Foto: Lori / Legion Media

O museu arquitetônico e etnográfico ao ar livre Taltsi encontra-se próximo do rio Angara Foto: Lori / Legion Media

Confira a seleção dos maiores e melhores museus siberianos ao ar livre, os destinos ideais para voltar ao passado ou fazer um ótimo passeio antes do começo do inverno gelado.

Apesar da fama de uma região gelada, a Sibéria é um lugar ideal para fazer passeios ao ar livre durante o outono russo.

Além do Kiji, conjunto arquitetônico de madeira exposto na República da Carélia, nas profundezas da taiga siberiana encontram-se povoados e até as cidades inteiras que, após abrigarem os moradores da região ao longo de séculos, foram transformados em parques nacionais e museus ao ar livre. A combinação fascinante de arquitetura antiga, paisagens siberianas e cores do outono russo não deixará ninguém indiferente.

Hoje, as casas das cidades do interior russo não têm mais tábuas de assoalho rangentes, cortinas bordadas, enormes fornos brancos, de onde sai um saboroso pão caseiro, nem um celeiro e um canto religioso. Há décadas, todos estes itens indispensáveis no passado foram substituídos por objetos de interior modernos. No entanto, na Sibéria, uma região afastada e menos urbanizada do que Moscou e São Petersburgo, ainda é possível encontrar todos estes artigos.

Taltsi

http://www.talci.ru/

O museu arquitetônico e etnográfico ao ar livre Taltsi encontra-se próximo do rio Angara, a 47 quilômetros da cidade de Irkutsk em direção ao sul. Um território cercado por um muro de madeira abriga uma pequena cidade com as casas feitas de troncos de árvores, ruas de barro e a atmosfera tradicional do interior russo.

A coleção do museu foi herdada de um grande povoado homônimo que encontrava-se no atual local da exposição antes da sua evacuação exigida pela construção da usina hidrelétrica na cidade de Ust-Ilimsk devido à ameaça de ter os seus memoriais arquitetônicos destruídos no decorrer dos alagamentos previstos. Portanto, na década de 80, o Museu Taltsi abriu as suas portas.

Foto: Lori / Legion Media

Destaque especial merece a rua Angaro-Ilimskaia, que reúne os edifícios tradicionais da região de Transbaikal criados no período entre o século 17 e o início do século 20. A exposição apresentada neste trajeto é uma reconstrução do muro sul do povoado de cossacos Ilimski Ostrog composto pela torre de madeira Spasskaia (uma das seis originais construídas em 1667 remanescentes no território mundial) e a Igreja Kazanskaia (erguida em 1697).

Os objetos atribuem ao museu certa semelhança com o famoso Kiji. Os moinhos de água e uma pequena escola paroquial, assim como as antigas mansões com os celeiros, espaços para o gado e saunas russas abastecidas sem exaustão no inverno com neve limpa, entre muitos outros objetos, permitem conhecer a vida e os hábitos de camponeses siberianos que conseguiram domar as terras férteis da Sibéria nas proximidades ao sagrado lago Baikal.

No entanto, outras partes do museu e até a sua floresta contém uma série de exposições importantes dedicadas às tradições e culturas dos povos nativos da Sibéria, tais como os tofalares, os evenques e os buriatos: “labaz”, depósito tradicional de alimentos de evenques construído fora de alcance dos animais selvagens como ursos, glutões, lobos e raposas, e “golomo”, tenda fixa usada como abrigo na época de primavera.

Além de tudo, a exposição do Taltsi demonstra uma maneira tradicional de sepultamento usada pelos evenques que, seguindo as suas crenças, despediam-se dos entes queridos, deixando os seus corpos, roupas, armas, tabaco e outros itens que julgavam necessários no além-mundo no topo dos postes cruzados de dois a três metros de altura. Os caçadores residentes na região confessam que continuam encontrando os objetos variados e peças de roupa pertencentes à população nativa da Sibéria, porém não os levam para casa devido às fortes superstições.

A época do outono russo é o momento ideal para visitar o museu e provar as empadas de frutas siberianas, gelatina de peixes capturados no lago Baikal ou pratos tradicionais dos habitantes indígenas da região Norte da Rússia. A administração do Taltsi organiza as festas anuais em celebração do Natal, Santíssima Trinidade, Maslenistsa e Sagaalgan (Ano novo buriato). A exposição do museu é tão ampla que os visitantes precisam de vários dias para poder conhecer todos os seus objetos impressionantes.

Chúchenskoe

http://www.shush.ru/

O museu histórico e etnográfico e parque nacional Chúchenskoe, localizado no povoado homônimo do Krai de Krasnoiársk, oferece uma viagem fascinante ao passado. Os criadores do museu conseguiram preservar uma parte central do povoado siberiano existente no período entre o final do século 19 e o início do século 20 com um botequim, feira de comércio, prédio de administração, casas de camponeses ricos e humildes que, devido ao clima frio, foram construídas com as entradas baixas visando preservar a temperatura no ambiente interno, e até com um poço tradicional russo.

Foto: Lori / Legion Media

Apesar de ter sido no passado um museu político dedicado aos anos de exílio de Vladímir Lênin, hoje em dia, o estabelecimento oferece uma grande variedade de informações sobre a etnografia do Krai de Krasnoiarsk e é visitado por muitos turistas interessados tanto nos tempos antigos, quanto nas revoluções ocorridas em solo russo.

O núcleo do museu compõe-se por duas casas onde o jovem Lênin residiu ao longo dos anos do seu exílio. Numa pequena mansão pertencente ao rico camponês Apollon Ziriánov, o então solteiro líder revolucionário escreveu o livro "Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia" e dedicou muito tempo às pesquisas, deixando uma ampla biblioteca. Posteriormente, já casado com Nadejda Krupskaia, Lênin se mudou para a casa da família Petrov que em 1930 foi transformada num museu. O casamento do futuro líder foi celebrado numa igreja local que não foi preservada.

Um hotel com sauna e restaurante de cozinha tradicional russa aberto no território do museu oferece uma imersão completa na atmosfera do século 19. Além disso, o museu organiza oficinas de entalho, tecelagem, pintura mural e de cerâmica, assim como vende lembranças e presentes personalizados. Em meados de julho de todos os anos, próximo ao Chúchenskoe, acontece o festival internacional de música étnica O Mundo da Sibéria http://www.festmir.ru/page.php?page_id=1 .

Museu etnográfico dos povos da região de Transbaikal

http://www.ethnomuseum03.ru/

O museu etnográfico dos povos da região de Transbaikal, localizado na cidade de Ulan-Ude, possui uma das maiores exposições ao ar livre no país composta por iúrtes de buriatos, “dugans “(celeiros de múltiplos andares, uma espécie de albergue para os exilados políticos), casas tradicionais de velhos crentes da Igreja Ortodoxa russa e muitos outros objetos arquitetônicos. Além de ser considerado uma herança arqueológica, o estabelecimento tem uma grande importância para os interessados na cultura do povo buriato e nos costumes dos velhos crentes, fundadores de uma colônia que surgiu na região em meados do século 19 em consequência da não aceitação da reforma da Igreja Ortodoxa ocorrida no século 17.

A exposição conta com uma rua inteira deste povoado, incluindo as casas, uma capela e um portão de entrada de uma beleza surpreendente.

A verdadeira multiculturalidade da região de Transbaikal se reflete na coleção do museu aberta aos visitantes, oferecendo-os uma oportunidade única de testemunhar o resultado das relações formadas há séculos entre os povos buriato, russo e evenque numa única área de 37 hectares.

 

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