A história desconhecida do consulado russo em São Francisco

Edifício do mais recente consulado russo em São Francisco, cujas atividades foram encerradas no sábado (2)

Edifício do mais recente consulado russo em São Francisco, cujas atividades foram encerradas no sábado (2)

Wikipedia/Evguêni Zelenko
O bastião diplomático da Rússia na cidade norte-americana teve seus altos e baixos durante o agitado curso das relações bilaterais. E a história parece se repetir.

A história do consulado russo em San Francisco começa em 1852. Na concorrência com uma empresa para colonizar o Alasca e a Califórnia, a estatal Companhia Russo-Americana levou a melhor e obteve o monopólio no território da América russa.

Para controlar as terras norte-americanas colonizadas por exploradores e empresários russos, o tsar precisava, porém, de um homem capaz de assumir a missão. A tarefa ficou para William Montgomery Steward, sobre quem pouco se conhece, exceto o fato de ter sido um empresário. A história do consulado russo em São Francisco teve início quando Pável 1º nomeou Steward como vice-cônsul na costa oeste americana.

Do primeiro aos muitos

O atual e elegante edifício de tijolos do consulado russo em São Francisco não era o endereço original do órgão. Antes da rua Green, 2790, o consulado mudou de local várias vezes. O primeiro prédio parecia uma mansão de três andares, com uma estrutura no topo, e o design de madeira não deixava dúvidas sobre sua origem russa.

Construções em madeira evidenciavam caráter russo do prédio (Foto: kdmid.ru)Construções em madeira evidenciavam caráter russo do prédio (Foto: kdmid.ru)

O renomado diplomata russo Artemi Vivodtsev foi o último morador da mansão – e, indiscutivelmente, o mais determinado de todos. Após a Revolução de 1917, Vivodtsev partiu para a Rússia e participou da Guerra Civil, mas voltou para os EUA quando o Exército Vermelho saiu vitorioso. Embora seu mandato como cônsul russo tivesse chegado ao fim, o diplomata tomou a decisão de continuar suas responsabilidades consulares, apesar de não ter nenhum Estado para representar.

Em uma mensagem pessoal, convidou seus compatriotas a pedir ajuda em assuntos jurídicos e prometeu fazer alianças com os serviços consulares de outros países.

“Venha a mim como as crianças vão a seu pai, em todos os casos de dúvida e perplexidade. Eu darei toda a minha experiência adquirida durante 45 anos de serviço consular em quase todos os países do mundo como representante da verdadeira Rússia”, escreveu Vivodtsev, que residiu na Califórnia até sua morte, em 1946.

Vivodtsev manteve atividades consulares (Foto: kdmid.ru)Vivodtsev manteve atividades consulares (Foto: kdmid.ru)

Guerra Fria 2.0

Embora naquela época os russos pudessem contar com a assistência não oficial de Vivodtsev, não havia como realizar serviços oficiais consulares na Califórnia até que os EUA e a Rússia soviética estabelecessem relações diplomáticas. O novo consulado soviético abriu em 1934, na rua Divisadero, 2563. O edifício histórico, porém, não foi preservado, e o local abriga hoje um bloco de apartamentos residenciais.

O consulado na rua Divisadero fechou em 1948, no início da Guerra Fria, quando as relações entre os EUA e a URSS entraram em derrocada.

O prédio de tijolos vermelhos na rua Green, 2790 foi aberto oficialmente 25 anos depois, em 1973 e,  apesar de todos os altos e baixos das relações bilaterais, o órgão continuou a funcionar no local até o último sábado (2).

O novo fechamento recém-estipulado por Washington vem em retaliação à decisão do Kremlin de cortar o número de funcionários diplomáticos dos EUA na Rússia.

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