4 tsares russos assassinados brutalmente

Quadro com tema do assassinato de Pável I

Quadro com tema do assassinato de Pável I

Wikipedia
O assassinato de Nikolai II e sua família em 1918 pelos bolcheviques é bastante conhecido do grande público. Mas matar tsares parecia mais um costume da Rússia Imperial.

Ivan VI

Ivan VI. / Foto: Domínio públicoIvan VI. / Foto: Domínio público

Idade quando morto: 23 anos
Assassino: guardas de uma prisão

Ivan VI (Ivan Antonovitch, 1740 - 1764) nunca pode escolher o próprio destino. Quando era somente um bebê de dois meses, foi proclamado imperador, sucedendo a imperatriz Anna Ioánnovna, em 1740.

Isso ocorreu em plena “era dos golpes do palácio” do século 18, quando os imperadores e as imperatrizes mudavam rapidamente ao ser apoiados por pessoas influentes da aristocracia.

O grupo que apoiou Ivan perdeu o poder apenas dois meses depois, e o menino foi encarcerado. Ivan passou toda sua infância atrás das grades. Viveu em castelos remotos e não se comunicava com ninguém.

Sua vida miserável não durou muito. Em 1764, um oficial militar planejou um golpe para libertá-lo. Os guardas da prisão em que Ivan se encontrava, seguindo instruções, apunhalaram o imperador.

Talvez ele tenha sido a vítima mais inocente das brutais lutas pelo poder do século 18.

Piotr III

Pedro III pintado por Grooth. / Foto: Galeria TretiakóvPedro III pintado por Grooth. / Foto: Galeria Tretiakóv

Idade quando morto: 34 anos
Assassino: desconhecido

Amplamente popular tanto entre a aristocracia como entre as massas, o imperador de origem alemã Piotr III (1728-1762) governou a Rússia por apenas seis meses. A guarda real, preocupada com os boatos de que Piotr planejava enviá-los para lutar contra a Dinamarca, derrubou o imperador e entregou seu trono a sua mulher, Catarina II, também conhecida como Catarina, a Grande.

O imperador foi preso no palácio de Ropcha, nas cercanias de São Petersburgo, e ao final de uma semana se divulgou sua morte.

Segundo a versão oficial, ele teria morrido de um ataque de cólica hemorroidal, mas ela gera muitas dúvidas.

Aleksêi Orlóv, o favorito de Catarina II, responsável pelo encarceiramento de Piotr III, escreveu em uma carta que o imperador morreu acidentalmente durante uma briga.

Existe ainda a suspeita de que Catarina II tenha ordenado secretamente a execução do marido.

Pável I

Retrato de Pável I./ Foto: Domínio público Retrato de Pável I./ Foto: Domínio público

Idade quando morto: 46 anos
Assassino: conspiradores

O filho e sucessor de Catarina, Pável I (1754 - 1801), odiava a mãe e tinha muito apego pelo pai, Piotr III. Foi um governante estrito e rigoroso, que tentou reverter muitas das reformas de Catarina que fortaleciam a aristocracia.

Essas tentativas provocaram um sério conflito, e a resposta dos aristocratas veio com uma tentativa de golpe. A maioria dos historiadores acredita que mesmo o filho de Pável, Aleksandr, teria apoiado secretamente a conspiração.

No início de seu reinado, Pável I suspeitava de todos, o que era lógico em sua situação. Por isso, contruiu um castelo no centro de São Petersburgo (o castelo Mikháilovski), onde acreditava que estaria mais seguro.

Ele passou quase todo seu reinado ali. Mesmo assim, o castelo serviu de armadilha contra ele próprio. Em 12 de março de 1801, os conspiradores, oficiais da guarda do palácio comandados pelo governador de São Petersburgo, Piotr Petrovitch Palen, invadiram a moradia de Pável I.

O tsar foi brutalmente golpeado e asfixiado com um cachecol. Na manhã seguinte, seu filho, Aleksandr I, foi coroado. Criou-se então a lenda de que o fantasma de Pável permaneceu para sempre no castelo Mikháilovski, e nenhum outro imperador viveu lá após sua morte.

Aleksandr II

Aleksandr II. / Foto: Getty ImagesAleksandr II. / Foto: Getty Images

Idade quando morto: 62 anos
Assassino: terroristas

Em 1861, Aleksandr II (1818-1881) lançou a reforma que era, provavelmente, a mais esperada do século 19 na Rússia, com a abolição da servidão, dando liberdade a milhões de escravos.

Esta, porém, não ocorreu imediatamente: os camponeses tiveram que continuar trabalhando para seus senhores por décadas antes de reclamar a propriedade das terras.

A “fraude” da abolição, somada ao ideário liberal de Aleksandr II, provocou forte indignação do povo, o que incentivou os revolucionários a caçarem o imperador com armas e bombas. 

Aleksandr sobreviveu a várias tentativas de assassinato: os ativistas da “Naórdnaia vôlia” (do russo, “Vontade do Povo”) explodiram uma bomba em um cômodo do Palácio de Inverno, onde se suponha que o imperador estivesse.

Em outra ocasião, atiraram nele, mas falharam. Finalmente, em 1 de março de 1881, os assassinos conseguiram executar seus planos explodindo uma bomba próxima à carruagem do imperador, o que deixou vários guardas feridos.

Destemido, Aleksandr saiu para verificar os feridos, quando o revolucionário polaco polaco Ignacy Hryniewiecki lançou uma segunda bomba suicida que matou também o tsar.

É fácil para os turistas encontraram o local onde Aleksandr II foi assassinado, já que seu filho e sucessor, Aleksandr III, construiu uma igreja no local, que foi intitulada Igreja do Salvador sobre o Sangue Derramado. A construção é, até hoje, uma das mais espetaculares de São Petersburgo.

Autorizamos a reprodução de todos os nossos textos sob a condição de que se publique juntamente o link ativo para o original do Russia Beyond.