3 escândalos diplomáticos embaraçosos com a Rússia

O vice-embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vladímir Safronko

O vice-embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vladímir Safronko

AP
Moscou acaba de reduzir em um terço o quadro diplomático norte-americano, mas esta não foi primeira saia curta na história das relações internacionais russas.

O presidente norte-americano Donald Trump agradeceu à Rússia na última quinta-feira (10) por mandar embora do país 755 diplomatas trabalhando na embaixada e em consulados dos EUA em resposta às novas sanções impostas contra Moscou por Washington.

“Sou muito grato que ele [o presidente russo Vladímir Pútin] tenha dispensado um grande número de pessoas pois agora temos uma folha de pagamento menor”, disse Trump. Segundo ele, os EUA não precisavam mesmo de tanta gente trabalhando na Rússia.

Mas outros representantes do Departamento de Estado norte-americano não parecem compartilhar da opinião de Trump, já que um deles classificou a decisão de expulsar quase dois terços dos funcionários trabalhando na Rússia como “um ato lamentável e desnecessário”.

O caso é um dos maiores escândalos diplomáticos dos últimos tempos, mas o histórico de eventos envolvendo a Rússia é longo e inclui expulsões, insultos e até porrada. A Gazeta Russa compilou uma lista das maiores saias curtas diplomáticas russas:

1. Embaixador atacado por funcionários da alfândega

O diplomata russo Vladímir Titorenko, que foi espancado em Doha devido à posição de Moscou favorável à manutenção de Assad no poder.  Foto: TASSO diplomata russo Vladímir Titorenko, que foi espancado em Doha devido à posição de Moscou favorável à manutenção de Assad no poder. Foto: TASS

Em novembro de 2011, o embaixador russo no Catar, Vladímir Titorenko, sobreviveu a uma grave surra. Mas não foi uma quadrilha de bandidos que fez o trabalho sujo, e sim funcionários diversos da alfândega do aeroporto de Doha.

Os oficiais exigiam que Titorenko, que já tinha larga experiência em diversos países árabes, lhes entregasse uma mala diplomática – o que, de acordo com a lei internacional, é proibido.

Quando o diplomata se recusou, eles começaram a espancá-lo. E bateram tanto que ele teve um descolamento de retina.

A porradaria pode ter ocorrido em resposta ao envolvimento russo na crise síria, já que Moscou defende Bashar al-Assad na presidência e o Catar, a oposição.

A repercussão foi enorme e Moscou condenou o incidente imediatamente, classificando-o como inaceitável antes de cortar o diálogo político com o Catar.

2.A má experiência de McFaul

O embaixador norte-americano Michael McFaul, acusado de destruir relações bilaterais de propósito. Foto: Alexey Filippov/RIA NovostiO embaixador norte-americano Michael McFaul, acusado de destruir relações bilaterais de propósito. Foto: Alexey Filippov/RIA Novosti

Nomeado como embaixador dos EUA na Rússia em 2012, Michael McFaul, especialista em Leste Europeu e ex-conselheiro de Barack Obama para política externa – provavelmente não esperava que o trabalho fosse tão duro - e tão breve.

McFaul encontrou-se com diversos líderes da oposição russa já no segundo dia ocupando o posto, mas a imprensa do país não viu isso com bons olhos e o criticou pesadamente – e, com o tempo, as coisas só pioraram.

Ele foi obrigado, finalmente a explicar que os EUA não apoiavam a oposição russa financeiramente, e que não tentava derrubar o governo.

A situação desconfortável nesse cenário todo levou McFaul a passar apenas dois anos na Rússia, deixando o país já em 2014.

Pouco depois, ele foi incluso à lista russa de pessoas sob sanção e proibido de viajar ao país. A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, disse, ao comentar o ato, que McFaul destruiu de propósito as relações bilaterais entre os países.

McFaul continua na lista negra, mas ainda tem esperanças de voltar – e diz estar saudoso da cerveja russa Baltika 7.

3. Discurso desagradável no Conselho de Segurança

O vice-embaixador russo nas Nações Unidas, Vladímir Safronkov, vota contra uma proposta de resolução sobre a Síria em encontro do Conselho de Segurança. Foto: ReutersO vice-embaixador russo nas Nações Unidas, Vladímir Safronkov, vota contra uma proposta de resolução sobre a Síria em encontro do Conselho de Segurança. Foto: Reuters

Os embates diplomáticos podem ser bastante violentos, mas em abril deste ano o vice-embaixador russo nas Nações Unidas, Vladímir Safronkov, fez uma bela contribuição ao show de horrores.

Ao responder ao embaixador britânico na ONU, Matthew Rycroft (que já havia criticado a Rússia por seu apoio a Bashar), Safronkov, com o dedo em riste, dirigiu-se a ele asperamente em russo: “Rycroft, não me ignore! Você não ouse insultar a Rússia novamente!”.

A travessura de Safronkov gerou críticas no Ocidente e também de alguns oficiais russos. A porta-voz da Câmara Alta do Parlamento Russo, Valentina Matvienko, por exemplo, desaprovou sua ação publicamente, dizendo ter informado o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguêi Lavrov.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmítri Peskov, disse não haver nada de ofensivo nas ações de Safronkov, e que o calor do momento justifica suas emoções. 

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