Quatro mulheres que deixaram os tsares a seus pés

Arquivo/RIA Nôvosti
O público do MIPDrama Screenings, em Cannes, teve a chance de assistir recentemente a “Mathilde”, de Aleksêi Uchitel, que retrata o romance entre o então tsarevitch Nikolai II e a famosa ballerina Mathilde Kschessinska. Mas ele não foi o único a manter uma amante.

1. Nikolai II e Mathilde Kschessinska

Fonte: Archive photo; RIA NovostiPaixão no primeiro encontro entre Nikolai II e Mathilde se arrastou por 4 anos Foto: Arquivo/RIA Nôvosti

Foi o pai do tsarevitch, o imperador Aleksandr III, que sem querer se tornou o iniciador deste caso ao sentar a bela graduanda da escola de coreografia ao lado de seu filho em um jantar de gala. Aos 22 anos, Nikolai, que nunca tinha tido qualquer outro romance antes, imediatamente se encantou por Mathilde.

“Mathilde Kschessinska me envolve em uma luz positiva”, escreveu em seu diário. A ballerina, então com 18 anos, correspondia aos sentimentos do rapaz: “Apaixonei-me pelo herdeiro [do trono] em nosso primeiro encontro... O sentimento preencheu minha alma por completo, eu só conseguia pensar nele”, disse.

Nikolai comprou para Kschessinska uma mansão em São Petersburgo, onde podiam se encontrar sem complicações. O caso durou quatro anos, até que o jovem se casou em 1894.

Após a separação, os seus destinos seguiram em direções diferentes: enquanto o tumulto e a execução aguardavam o último tsar, Mathilde se tornou uma bailarina de prestígio, além de socialite. Manteve affaires simultaneamente com dois grão-duques e emigrou para Paris, onde morreu em 1971, nove meses antes de completar 100 anos.

2. Pável I e Anna Lopukhina

 

Foto: Vladimir Borovikovsky, Stepan ShchukinLopukhina e Pável I retratados por Vladímir Borovikovski e Stepan Schukin, respectivamente

O filho de Katherine II, Pável I, foi um Grão-Mestre da Ordem de Malta e considerava-se um cavaleiro real – e como todo bom cavaleiro, faltava-lhe uma donzela. Para este papel, porém, o imperador escolheu, em 1798, a jovem Anna Lopukhina, de apenas 20 anos.

“Lopukhina possuía um lindo rostinho, mas tinha baixa estatura e corpo feio, com um peito afundado e sem qualquer gracejo”, descreveu um contemporâneo.

Nada disso era problema para Pável, que a endeusava. Para se ter ideia, seus oficiais de guarda usavam uniformes de tom framboesa, uma vez que era a cor favorita de Lopukhina. Como a jovem amava valsa, Pável cancelou a então proibição dessa dança existente na corte e até mesmo ordenou que seu palácio, o Castelo Mikhailovski, fosse pintado da mesma cor que as luvas usadas por Lopukhina nos bailes.

E quando ela lhe disse que estava apaixonada por outro homem, Pável manteve sua atitude cavalheiresca: organizou o casamento entre Anna e o príncipe Gagárin.

Até que Pável fosse morto por conspiradores, em março de 1801, Lopukhina tinha seu próprio espaço no Castelo Mikhailovski, ligados aos aposentos imperiais por uma escada secreta.

3. Aleksandr I e Maria Naríchkina

 

Stepan ShchukinRetratos de Aleksandr I e Narichkina feitos por Stepan Schukin

O coração de Aleksandr I, que governou o Império Russo durante o primeiro trimestre do século 19, pertencia a Maria Narichkina, descendente de uma família nobre polaca.

“Sua beleza era tão perfeita que parecia impossível”, escreveu o famoso escritor de memórias Phillip Vigel. “Traços ideais e formas impecáveis ​​ficavam ainda mais vivos com a simplicidade permanente de seu vestuário.”

Naríchkina não usava joias e, nos bailes da corte, aparecia em vestidos brancos simples. Ela nunca quis se tornar a esposa de Aleksandr, não interferia na política e nunca usou sua posição para acumular riquezas. O imperador praticamente nunca escondeu seu relacionamento e geralmente abria os bailes dançando polonesa com Maria.

Em 1814, porém, o caso, que durou 13 anos, chegou ao fim. Nunca ficou claro quem foi o responsável pela ruptura nem a identidade do pai dos cinco filhos de Naríchkina. Diz-se que, certa vez, quando o imperador perguntou ao marido de Anna, o chefe da caça Dmítri Naríchkin, sobre a saúde das crianças, o último respondeu: “Sobre quais crianças, Sua Majestade Imperial, está perguntando? Minhas ou suas?”.

4. Aleksandr II e Ekaterina Dolgorúkova

 

Foto: Archive photoDiferença de idade e casamento não foram empecilho para romance entre Aleksandr II e Dolgorúkova Foto: Arquivo

O imperador Aleksandr II era 28 anos mais velho que sua amante. Ele conheceu Dolgorúkova quando ela ainda era uma menina, de suas visitas à propriedade de seu pai. Aleksandr II a reencontrou no Jardim de Verão, quando ela tinha 18 anos e caiu de joelhos aos seus pés. Começaram a passear, desfrutar de encontros secretos, até que, em 1878, o imperador organizou a mudança da princesa para seu próprio aposento no Palácio de Inverno. Depois disso, nunca mais se separaram. E, ainda assim, trocaram 6.000 cartas nos 15 anos em que estiveram juntos.

Em 1880, o consorte de Aleksandr II faleceu e, um mês mais tarde, após o fim do luto, o imperador levou Dolgorúkova ao altar. Ela então recebeu o título Princesa Iurievskaia. Seus três filhos, os quais Aleksandr reconheceu oficialmente como sendo seus, ganharam o mesmo sobrenome.

No entanto, a felicidade desta família não durou muito: em março de 1881, o imperador, que havia sido ferido em um atentado, morreu nos braços de sua jovem esposa. Viúva aos 33 anos, Dolgorúkova decidiu não se casar de novo, apesar de viver mais 40 anos sem a presença do ex-amado. Em 1959, a história do romance entre Aleksandr II e Dolgorúkova foi recontada no filme francês “Katia”.

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