Novo filme de Zviáguintsev, de “Leviatã”, estreará em Cannes

Zviáguintsev: “Sou capaz de falar com pessoas de diferentes nacionalidades usando uma linguagem comum”

Zviáguintsev: “Sou capaz de falar com pessoas de diferentes nacionalidades usando uma linguagem comum”

AP
“Loveless” ainda não foi visto por ninguém, mas, segundo o produtor do filme, todos os principais países europeus já compraram os direitos para sua exibição nas telonas. Longa produzido em cooperação com a França e a Alemanha foi finalizado a tempo para o Festival de Cinema de Cannes, na segunda quinzena de maio.

O novo filme do cineasta Andrêi Zviáguintsev, intitulado “Loveless”, bateu recorde de vendas no mercado cinematográfico de Berlim e teve seus direitos comprados para exibição nos principais países europeus antes mesmo de ser finalizado.

“Em Berlim, foram firmados acordos com empresas do Reino Unido, Espanha, Dinamarca e Finlândia, com direitos para todos os territórios europeus; o que resta é fechar negócios com empresas da Ásia e da América Latina”, disse o produtor do longa, Aleksandr Rodnianski, durante uma feira cinematográfica na capital alemã.

Os distribuidores, no entanto, não viram um único trecho do novo filme de Zviáguintsev, que acumula prêmios nos festivais de Cannes e Veneza.

Em entrevista à Gazeta Russa, o cineasta russo contou como surgiu a ideia de seu novo filme e por que está ansioso para sua estreia mundial, prevista para ocorrer durante a principal competição no Festival de Cinema de Cannes.

Gazeta Russa: Depois do sucesso de “Leviatã”, você pretendia fazer uma grande produção sobre a Segunda Guerra Mundial. No entanto, seu novo filme é completamente diferente do esperado, não?

Zviáguintsev: Uma pequena correção: eu estava planejando um filme sobre a 2ª Guerra antes mesmo de “Leviatã”. É uma ideia de longa data, o roteiro já está finalizado, e estou pronto para começar a filmar a qualquer momento. Infelizmente, nem tudo depende do meu desejo, porque trata-se de um projeto caro – estamos falando de um orçamento de US$ 15 milhões a US$ 18 milhões. Será difícil para o produtor recuperar esse quantia. Portanto, ainda não sabemos se esse filme será rodado em um futuro próximo.

GR: Você poderia nos adiantar um pouco sobre “Loveless”?

Zviáguintsev: É a história de uma família passando por momentos sérios, quando o marido e a mulher se separaram. Gostaria que esse filme fosse comparado a “Cenas de um casamento”, de Ingmar Bergman. Na obra deste cineasta sueco, ao longo dos seis episódios, sendo 45 minutos cada, tudo que se vê na tela são praticamente os dois atores – Josephson e Ullmann. E, mesmo assim, não desgrudamos os olhos da tela. Seus personagens pensam e falam. Ela, como era moda nos anos 1960, mantém um diário e lê trechos dele. Essas cenas mostram que a inteligência, a capacidade de análise, a civilidade e o refinamento não conseguem impedir uma terrível catástrofe.

A ideia para “Loveless” cresceu a partir disso, e vou ser sincero – tenho uma queda de longa data por esse esse filme de Bergman. Oleg Neguin, que escreve os roteiros de todos os meus filmes, discutiu comigo a proposta de analisar uma crise matrimonial quando um casal já vive junto há 10, 12 anos. No roteiro, há um evento que dissipa o emaranhado de contradições entre os personagens – o desaparecimento do filho.

GR: Você é, o cineasta contemporâneo russo mais conhecido no exterior. Tanto é que alguns jornalistas o chamam de “diretor de exportação”. Isso incomoda?

Zviáguintsev: Tento não ler resenhas nem comentários, mas é impossível ficar completamente alheio a eles. Em um programa de TV, fui acusado de ser um diretor anti-Rússia, porque, muitas vezes, critico o país onde nasci. Isso é um absurdo. Durante esse mesmo programa, disse que me sinto cidadão de um país chamado Cinematografia.

Eu não reconheço fronteiras nacionais no cinema. É por isso que não tenho um interesse especial pelo que está acontecendo no cinema russo, no cinema americano, francês ou alemão. Estou interessado em diretores que fazem bons filmes, independentemente a qual escola nacional eles pertencem.

Um bom diretor de cinema é universal em seu apelo: seus filmes serão entendidos na Rússia, nos Estados Unidos e em qualquer outro lugar. O fato de meus filmes serem aceitos e entendidos no Ocidente significa que sou capaz de falar com pessoas de diferentes nacionalidades usando uma linguagem comum.

Isso é muito mais importante do que tentar se encaixar em fronteiras nacionais estreitas e ter orgulho de sua “russidade”.

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