Estúdio Soyuzmultfilm completa 80 anos nesta sexta-feira

Produção de desenho animado nos estúdios do Soyuzmultfilm

Produção de desenho animado nos estúdios do Soyuzmultfilm

TASS
No 80º aniversário do lendário estúdio de animação soviético Soyuzmultfilm, nesta sexta-feira (10), a Gazeta Russa relembra seis filmes do estúdio que conseguiram ultrapassar as fronteiras soviéticas e deixaram uma marca na história da animação.

1. O Conto dos Contos (1979)

O filme de animação mais conhecido do famoso diretor russo Iúri Norchtéin, ganhou prêmios em vários festivais e foi reconhecido como o melhor filme de animação de todos os tempos nas Olimpíadas de Animação de Los Angeles em 1984.

“O Conto” é construído como um fluxo de memórias e associações livres que não pertencem a um personagem concreto, mas a um povo em geral. No filme, há referências à poesia do século 19 e à 2ª Guerra Mundial, aos textos bíblicos e até mesmo a uma canção de ninar bastante popular entre todas as crianças de língua russa: "”Dorme, dorme bem querer/Ou o lobo cinza vem/Dorme, dorme em paz, meu bem/Ou o lobo vem morder”.

Este lobo, triste e solitário, é justamente o protagonista do filme, que se passa no outono em uma casa isolada, como fosse um mundo extinto.

Fonte: YouTube/Russian animation eus347 subtitles

2. Ouriço no Nevoeiro (1975)

Também obra de Norchtéin, este filme conta uma experiência transcendental de um ouriço vai visitar um filhote de urso. No caminho, o ouriço se perde no nevoeiro, encontra um cavalo branco, cai em um rio e conhece um peixe. E, assim, experimentando o fascínio do mundo ao seu redor, mal consegue manter uma conversa com o ursinho ao chegar na casa do amigo.

O “Ouriço no Nevoeiro” recebeu inúmeros prêmios, liderou vários rankings internacionais de animação e foi até parodiado em um episódio de Family Guy (“Espiões mais ou menos como nós") e exposto no museu do estúdio Ghibli, como um sinal de grande respeito que o realizador japonês Hayao Miyazaki sentia pelo colega russo. Aliás, Iúri Norchtéin chegou a receber o título de Cavaleiro da Ordem do Sol Nascente do governo japonês.

Fonte: YouTube/Russian Animation

3. A Rainha da Neve (1957)

Este longa, criado por Lev Atamánov como adaptação do conto de Hans Christian Andersen, foi também um dos poucos filmes de animação soviéticos distribuídos no exterior, incluindo EUA, Canadá e Japão. Não é à toa que o famoso cineasta japonês Hayao Miyazaki disse que o filme se tornou “uma grande referência para criações posteriores”.

Fonte: YouTube/Russian animation eus347 subtitles

4. As aventuras de Maugli (1973)

A versão soviética de “O Livro da Selva” foi concebida como uma minissérie, mas, mais tarde, o seu diretor, Roman Davidov, reuniu todos os episódios em um filme. Assim como “A rainha da neve”, “As Aventuras de Maugli” estreou nos Estados Unidos, mas não foi tão aplaudida.

Uma das razões para o fracasso em terras norte-americanas seria o fato de os distribuidores locais terem alterado significativamente o filme. Além da edição ter cortado algumas das cenas de maior tensão, a música da compositora vanguardista Sofia Gubaidúlina foi eliminada e, em seu lugar, acrescentaram a voz de um narrador e canções alegres.

Fonte: YouTube/Russian animation eus347 subtitles

5. Tcheburachka (1969-1983)

Esta série conta as histórias de um pequeno animal de orelhas grandes, tão encantador quanto inocente, que faz amizade com um crocodilo bondoso e enfrenta as maquinações do mal da velha Chapokliak.

O animalzinho de espécie desconhecida, criado pelo escritor Eduard Uspénski e pelo diretor Roman Katchánov, é hoje o personagem de animação mais conhecido da história soviética. Na Rússia, o Tcheburachka já foi símbolo de tudo: equipe olímpica, instituições de caridade e até mesmo de movimentos de protesto.

Atualmente, o personagem ainda é muito popular no Japão, onde uma nova série foi produzida recentemente e um longa-metragem com bonecos estreou em 2013.

Fonte: YouTube/Russian Animation

6. Lobo cinzento & Chapeuzinho vermelho (1990)

Esta versão pós-moderna do famoso conta de fadas surgiu já nos últimos tempos da URSS. No imaginário coletivo, o filme simbolizava o fim de uma era, apresentando ao espectador (também no exterior) um exemplo claro de autorreflexão nacional em forma de animação.

O público aplaudiu o trabalho do diretor Garri Bardin, e o filme levou o grande prêmio do festival de cinema de animação de Annecy, na França. O “Lobo cinzento” transformou Bardin em um dos diretores soviéticos mais reconhecidos no exterior até hoje. Outro longa mais recente, “O Patinho Feio” (2010) teve grande estreia ao ar livre no Festival de Locarno, e seu mais novo curta-metragem, “Ouvir Beethoven” participou em 2016 no concurso do Festival de Cannes.

Fonte: YouTube/taknimation

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