Cinco filmes de Riazanov que todo russo conhece

Fama de Riazanov foi conquistada com a produção de inúmeros blockbusters nacionais

Fama de Riazanov foi conquistada com a produção de inúmeros blockbusters nacionais

Anton Denisov/RIA Nôvosti
Lendário diretor de cinema soviético-russo Eldar Riazanov faleceu aos 88 anos em Moscou na noite de domingo para segunda-feira (30).

“Ele é autor de filmes impressionantes que não se parecem absolutamente com nada. Riazanov foi o diretor mais soviético...e o mais não-soviético”, escreveu o crítico Anton Dolin em sua conta no Facebook, após o anúncio da morte de Eldar Riazanov, na madrugada de segunda (30), por insuficiência pulmonar e cardíaca.

“Trabalhava com comédia e tragédia. Mas ele não era Proteus, mestre para toda a obra – o seu estilo e tom eram instantaneamente reconhecíveis”, acrescentou o crítico.

Riazanov, que não só era diretor, como ator, roteirista, produtor, apresentador de TV e professor, despontou entre os nomes do cinema soviético já com seu primeiro longa-metragem, “Noite de Carnaval” (1956). Na época, a obra ganhou status de filme cult na Rússia e recebeu um prêmio especial no Festival Internacional de Cinema de Edimburgo, na Escócia.

Depois disso, quase todos os filmes de Riazanov se tornaram blockbusters na URSS, embora tenham sido praticamente ignorados pelos principais festivais.

“Do ponto de vista do cinema de autor, trata-se de filmes absolutamente sem pretensões. Não têm nada de ‘filme de festival’, não deixavam o cinéfilo estonteado por seu ritmo único, não hipnotizavam por sua lentidão nem propunham pensamentos profundos”, diz o também crítico Valéri Kitchin.

“Mas o cinema proposto por Riazanov vencia facilmente na competição mais importante e mais honrosa: a da preferência do público”, continua Kitchin.

A filmografia total do diretor soviético é composta por 28 longas-metragens, 12 documentários, 22 roteiros e numerosas séries para TV sobre o cinema mundial. Além de vários prêmios menores na Rússia, Riazanov foi condecorado com a Ordem das Artes e Letras da França. Confira abaixo os cinco filmes mais famosos do diretor russo:

1. “Cuidado com o carro” (1966)

Comédia romântica baseada em uma lenda urbana sobre um ‘Robin Hood moderno’ que roubava carros de bandidos e corruptos, vendia-os e depois transferia o dinheiro para orfanatos. Quase imediatamente após o lançamento do filme, o nome do protagonista, Iúri Detochkin, virou comum na URSS e, em 2012, a cidade de Samara ganhou uma estátua dedicada a esse personagem. Apreciado também em festivais, a obra ganhou o reconhecimento do júri em Melbourne, Sydney e Edimburgo.

Foto: kinopoisk.ruFoto: kinopoisk.ru

2. “As inacreditáveis aventuras de italianos na Rússia” (1973)

Essa produção russo-italiana contou com as participações do diretor Franco Prosperi e da lenda do cinema Dino de Laurentis. A comédia sobre dois aventureiros italianos que vão à Rússia em busca de um tesouro escondido se tornou uma paródia dos filmes ocidentais de gângsteres, como o vencedor do Oscar “It's a Mad, Mad, Mad, Mad World”, de Stanley Kramer. 

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3. “Ironia do destino” (1975)

Sucesso absoluto na Rússia desde a sua primeira exibição, em janeiro de 1976, já foi assistido por 100 milhões de pessoas até hoje – o filme é uma espécie de clássica da véspera do Ano Novo nos principais canais abertos do país. Essa comédia irônica com a atriz polonesa Barbara Brylska fala sobre amor e o problema das construções iguais, já que não apenas os edifícios eram fabricados em moldes idênticos, mas também as fechaduras das portas dos apartamentos em Moscou e São Petersburgo podiam ser absolutamente iguais.

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4. “Um romance cruel” (1984)

Adaptação para o cinema da peça clássica russa “Noiva sem dote" (em tradução livre), de Aleksandr Ostrovski. Por ser um dos poucos dramas de amor filmados por Riazanov, foi massacrado pela crítica soviética, mas conquistou a simpatia do povo. Nele, o diretor e ator russo Nikita Mikhalkov interpreta um de seus melhores papéis na pele do playboy Serguêi Paratov. O filme foi premiado com o Grand Prix no Festival Internacional de Cinema de Déli.

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5. “O céu prometido (1991)

Depois do reconhecimento russo (prêmio Nika pela Direção e Melhor Filme), o filme foi grandemente apreciado em Madrid (Grand Prix do Festival de Cinema Internacional). “Ao aceitar o prêmio, não pude deixar de rir. O filme que, com dor e amargura fala dos nossos problemas, da vida dura, dos mendigos, das pessoas feridas pelo sistema, foi interpretado no Ocidente como uma ficção elegante de um diretor russo”, escreveria mais tarde o diretor em seu livro de memórias.

Foto: kinopoisk.ru
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