Talentos russos desembarcam na Bienal de arte de Veneza

Instalação de Nakhova, intitulada “Pavilhão Verde”, é dedicada às difíceis relações do artista com a cor Foto: Press Photo

Instalação de Nakhova, intitulada “Pavilhão Verde”, é dedicada às difíceis relações do artista com a cor Foto: Press Photo

A Bienal de arte contemporânea de Veneza, que acontece até 22 de novembro de 2015, é acompanhada por dezenas de exposições paralelas, além da programação oficial do evento. Confira abaixo alguns locais onde é possível encontrar obras de artistas russos.

1. Gliúklia e Olga Tchernicheva

Local de exposição: Arsenale Novissimo

As duas artistas russas de projeção internacional foram convidadas pelo curador da Bienal, Okwui Enwezor, para participar do projeto. Ambas participam da mostra principal da Bienal,cujo tema é “Todos os futuros do Mundo”.

Conhecida por suas performances e vídeos, assim como pela participação no grupo de arte “Tchto delat?” (“O que fazer”, em russo), Gliúklia montou uma instalação conceitual com roupas para manifestações de protesto contra eleições fraudulentas.

Já a fotógrafa e videomaker Olga Tchernicheva, que teve seus trabalhos expostos em museus e galerias de Nova York, Londres e Berlim, entre outras cidades, apresenta em Veneza uma série de obras gráficas sobre a Rússia provinciana.

2. Irina Nakhova

Local de exposição: Pavilhão da Rússia no Giardini

A famosa artista russa Irina Nakhova, que pertence à esfera do “Conceitualismo de Moscou”, constituída por astros internacionais como Iliá Kabakov e Viktor Pivovarov, iniciou a sua carreira artística no final dos anos 1970. No início da década seguinte, foi a primeira a montar uma instalação total na União Soviética – e em seu próprio apartamento.

Este ano, Nakhova se tornou a primeira artista do sexo feminino a representar a Rússia no Pavilhão Nacional no Giardini, na zona leste de Veneza. Esses jardins criados durante a era napoleônica abrigam a exposição internacional de Arte desde 1895. Além de um Pavilhão Central, conta com outros 29 Pavilhões Nacionais, construídos em diferentes períodos pelos próprios participantes.

A instalação de Nakhova, intitulada “Pavilhão Verde”, é dedicada às difíceis relações do artista com a cor. O espectador já é recebido pela instalação na rua: com a ajuda de painéis decorativos, Nakhova deu – temporariamente – nova cor à obra-prima arquitetônica de Aleksêi Schusev, que há mais 100 anos possuía tom de areia.

Percorrendo cada espaço do pavilhão, é possível fazer uma viagem pela história pessoal da autora, como se fosse um caleidoscópio: basta passar de uma sala a outra para mudar a cor da história de sua família e do país.

3. Grupo artístico AES+F. “001. Inverso Mundus”

Local de exposição: Magazzini del Sale


Foto: Press Photo

O AES+F, que tradicionalmente expõe seus trabalhos no Centro Pompidou de Paris, exibe a sua nova videoinstalação “Mundo invertido”. Inspirados por gravuras medievais que retratam situações absurdas, os artistas transportam enredos engraçados e trágicos da época para os nossos dias. O projeto pode ser visto como uma continuação da saga de três partes Last riot, The feast of Trimalchio e Allegoria sacra, exibida em museus da Europa e dos EUA.

4. Grupo artístico Recycle

Local de exposição: Basílica de Santo Antônio

Mestres em ironia sutil e adeptos do uso de resíduos industriais em suas obras tecnológicas, os membros do Recycle criaram objetos que representam estátuas quebradas de santos e apóstolos.

Juntas, essas peças constituem a moderna iconóstase – parede de ícones e pinturas religiosas que separa o santuário do corpo principal da igreja – em formato da inicial do principal meio de comunicação da atualidade, o Facebook.

5. Mark Dion e Arsêni Jiliaev

Local de exposição: Casa dei Tre Oci (até 23 de agosto)


Foto: Press Photo

Parceria entre dois artistas pós-conceitualistas, um americano e um russo, que se propuseram a criar o seu próprio museu nos três andares do palácio: Gabinete de Curiosidades. Dion é o responsável pelo passado e pelo presente da “coleção”, enquanto Jiliaev se ocupa do futuro com a série “Berço da Humanidade”, que retrata uma corporação interestrelar e apresenta a Terra como um museu do surgimento da civilização. 

6. GLASSTRESS

Local de exposição: Palazzo Franchetti

Esse projeto regular da Bienal é dedicado a obras de artistas contemporâneos que trabalham com vidro e são produzidas no famoso Estúdio Berengo, na ilha de Murano. Na edição atual, a curadoria do projeto foi assumida por Dmítri Ozerkov, chefe do Departamento de Arte Contemporânea do Hermitage e gestor do projeto “Hermitage 20/21”.

Graças a isso, um terço dos 50 artistas participantes é composto por russos e raridades dos acervos do Museu de São Petersburgo – desde armaduras militares e manuscritos até vasos de vidro de Emile Gallé/ Entre os escultores russos que trabalham com vidro estão Iliá e Emília Kabakov, Ivan Pliusch e o já citado grupo Recycle.

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