‘Masha e o Urso’ estreia na TV aberta brasileira

Agora, o programa está disponível no Brasil diariamente pelo canal Boomerang  Foto: kinopoisk.ru

Agora, o programa está disponível no Brasil diariamente pelo canal Boomerang Foto: kinopoisk.ru

Animação tem canal em russo entre os cinco mais assistidos do YouTube, e já é transmitida pelo Boomerang e Cartoon Network no Brasil.

No próximo dia 8 de junho, a animação “Masha e o Urso”, do estúdio russo Animaccord, estreia na TV aberta brasileira, transmitida pela TV Cultura. A história de uma amizade fora do comum entre uma menininha travessa e um grande - e um tanto mal humorado - urso é um fenômeno sem precedentes na Rússia e agora começa a conquistar outros países, chegando a receber o Kidscreen Awards, considerado o “Oscar do desenho animado”. 

O programa já estava disponível no Brasil, desde outubro, diariamente pelo canal Boomerang e aos finais de semana pelo Cartoon Network, e enfim entra na grade de canais abertos.

“Pode ser que nos associemos a outros canais brasileiros também”, disse à Gazeta Russa o produtor do desenho, Dmítri Loveiko.

Mas a série já fazia sucesso entre internautas mirins ainda antes de ser traduzida para o português e transmitida na TV. Beatriz, por exemplo, é uma criança de apenas três anos que descobriu o programa há cerca de um ano com a mãe.

“Quando minha filha tinha dois anos, eu estava procurando alguns vídeos educativos no YouTube e na barra lateral do site apareceu um ‘preview’ da Masha. Eu não tinha percebido, foi a Bia quem começou a gritar: ‘A nenê, eu quero ver a nenê’. Ela ficou hipnotizada, encantada! A partir daí ela começou a pedir: ‘Mamãe, quero ver a nenê e o urso”, conta a professora e microempresária Luciana Teixeira, 36, mãe de Bia.

Segundo Loveiko, os canais de TV são importantes, mas não são o único meio de comunicação dos criadores com os espectadores.

“Já faz tempo que nosso canal ‘mashamedvedTV’ funciona no YouTube. Lá temos não só ‘Masha e o Urso’ em russo, mas também dois programas nossos com a protagonista Masha”, conta Loveiko.

Um desses é o “Máshini Skázki” (do russo, “Contos da Masha”), onde a personagem Masha conta as histórias da carochinha mais famosas do mundo. Já em “Máshini Strashílki” (“Horrores da Masha”), ela espanta todos os temores infantis.

“Apesar de ser todo em russo, o canal está entre os cinco mais assistidos do YouTube no mundo inteiro. Em fevereiro, por exemplo, teve mais de 308 milhões de visualizações. Na nossa página no Facebook também temos 3,5 milhões de assinaturas, e mais de 80% das avaliações e comentários estão em outras línguas, e não em russo”, diz o produtor.

"Apesar de ser todo em russo, o canal está entre os cinco mais assistidos do YouTube no mundo inteiro", diz Dmítri Loveiko Foto: PhotoXpress

Para a mãe de Bia, não há problemas em assistir ao programa sem dublagem.

“Confio na capacidade que a Bia tem de entender o contexto. Sempre estimulei o contato com outras línguas e amei saber que o desenho era russo, pois quebraria a imposição do inglês como segunda língua. Pessoalmente, gosto que não tenha dublagem e não seja em português, justamente para que ela possa se familiarizar com outras culturas”, diz Luciana.

Qualidade de cinema

A ideia de reunir o formato de série de TV com a qualidade de uma animação longa metragem pertence ao autor e diretor de arte do projeto ‘Masha e Medvedev’, Oleg Kuzovkov.

“Apesar de todas as dificuldades para realizá-lo, ele deu certo e se tornou o primeiro projeto de animação russa popular também fora da Rússia”, diz Loveiko.

A mãe de Bia confirma a afirmação do produtor, mas adiciona que, além da beleza que encantou sua filha, a obra a ajuda a reforçar princípios básicos de educação. “Por exemplo, quando o urso colocou a Masha de castigo num cantinho em um dos episódios, minha filha olhou para mim imediatamente e disse: ‘Não pode desobedecer, não é, mamãe?’ Acredito que se eles continuarem a fazer esse desenho com atenção e cuidado, ele terá vida longa e chegará cada vez mais a crianças de outros países”, diz.

A animação já é transmitida , dublada e legendada, nas TVs de praticamente todos os países da Europa, além de Coreia, China, Tailândia e Indonésia.

“Gosto que não tenha legendas. Eu me surpreendi quando a Bia começou a dizer ‘mishka’ [do russo, ‘ursinho’], que é o jeito que a Masha chama o urso. Percebo que ela tenta reproduzir algumas palavras e repete sem parar”, diz Luciana.

Enquanto ainda não assiste à Masha em português na TV, Bia continua fissurada na amiguinha 3D russa, que continua a acompanhar pela internet e buscar pela cidade.
“Outro dia ela foi ao zoológico. Na área do urso ficou procurando e veio me perguntar onde estava a nenê”, conta a mãe.

Foto: kinopoisk.ru

 

 

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