Falta de opções, mas não de lembranças

O que as pessoas que eram crianças na época da URSS sentem mais falta hoje?

Leite de barril: Polina Maslovskaia, aposentada

“As memórias mais agradáveis são do leite de barril. Era preciso buscá-lo antes do trabalho, por volta das sete de manhã, porque na hora do almoço já não tinha mais nada. Esse tipo de leite estragava bem rápido e, por isso, minha mãe fazia panquecas com ele.” 

                                            

Água-de-Colônia: Irina Dubtsova, pediatra

“O escritor russo Ivan Bunin disse que não há nada melhor do que o cheiro para levar uma pessoa de volta ao passado. Talvez por isso eu tenha lembrado da água-de-colônia ‘Triple’. É justamente a esse perfume que eu associo a minha infância. Naquela época, havia rumores de que era a fragrância favorita de Stálin. Muitas vezes minha mãe desinfetava feridas com o ‘Triple’, e meu pai limpava tesouras.”

                                        

 

Selos: Iúri Kravtchenko, jornalista

“Eu sinto falta de colecionar. Eu colecionava selos e ícones sobre hóquei. Mais tarde, comecei a coletar isqueiros. Até hoje me lembro do momento quando vi um selo raro de um amigo. Era um grande estresse, era mais fácil nadar um quilômetro do que encontrar um selo. Agora já não faz sentido colecionar algo – pode-se comprar qualquer coisa.”

                                        

Jogo “Nu, pogodi!”: Aleksêi Belevitch, engenheiro

“A minha geração não tinha computadores nem videogames. Hoje em dia, meu filho joga ‘Contra’ e ‘Kraft’, e minha filha alimenta os bichos de fazenda no seu celular. Mas tínhamos uma brincadeira muito divertida: organizávamos esconderijos em casa, brincávamos no quintal e na garagem do meu pai. Um jogo do qual sinto muita falta é o eletrônico do “Nu, pogodi!” (“Bem, me espere!”), um clone não oficial da Nintendo.”

Balança mecânica para o mercado: Larissa Egorova, aposentada  

“Sempre íamos ao mercado com uma balança mecânica. Era muito conveniente, porque tínhamos certeza que nenhum vendedor ia nos enganar. Hoje em dia ninguém mais usa esse tipo de balança. Posso imaginar a surpresa das pessoas na fila caso eu tirasse uma balança para medir o peso de cada sacola de legumes.”

                                             

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