Baixista russa conquista os palcos do Rio de Janeiro

Após temporada no Brasil, jovem de 26 anos se apaixonou pelos ritmos locais e resolveu se mudar para o país. Morando há três anos no Rio de Janeiro, Marfa Kourakina coleciona apresentações com importantes nomes da cena musical brasileira, como Arlindo Cruz e Simoninha.

Há algum tempo, uma jovem russa vem agitando as noites musicais do Rio de Janeiro. É fácil encontrá-la, por exemplo, no Circo Voador ou na sede do Clube Democráticos, no bairro da Lapa, tocando samba, MPB, jazz ou forró. “O que eu mais gosto é de tocar. O gênero musical não é tão importante”, diz Marfa Kourakina.


Jovem de São Petersburgo participa de apresentação de forró no Rio de Janeiro Fonte: YouTube

Nascida em São Petersburgo, Kourakina mora no Rio de Janeiro há três anos. O seu primeiro contato com o país ocorreu em 2010, quando visitou um amigo da família em Belém do Pará. Ali passou seis meses que mudaram a sua vida para sempre. “Fiquei muito impressionada com o Brasil. Conheci os ritmos do norte, como o carimbó. Cheguei, inclusive, a tocar um pouco de bossa nova e reggae em um bar local, mas na época eu ainda não vivia da música”, conta.


Kourakina pode ser vista nos palcos do Circo Voador e do Clube Democráticos, na Lapa Foto: Divulgação

Antes daquele dia decisivo, Kourakina nunca tinha tido contato com a variedade musical do Brasil. Na Rússia, jovem tocava sobretudo soul. Após a temporada em Belém, passou 10 dias no Rio de Janeiro e se apaixonou perdidamente pela cidade. “Tive que voltar para a Rússia, já tinha até o bilhete de volta, mas era evidente que eu queria ficar. Trabalhei durante um ano e meio para juntar dinheiro e poder regressar ao Rio como estudante.”


Após visitar o Brasil, jovem juntou dinheiro por um ano para regressar ao país Foto: Divulgação

Antes daquele dia decisivo, Kourakina nunca tinha tido contato com a variedade musical do Brasil. Na Rússia, jovem tocava sobretudo soul. Após a temporada em Belém, passou 10 dias no Rio de Janeiro e se apaixonou perdidamente pela cidade. “Tive que voltar para a Rússia, já tinha até o bilhete de volta, mas era evidente que eu queria ficar. Trabalhei durante um ano e meio para juntar dinheiro e poder regressar ao Rio como estudante.”

Uma vez estabelecida no Brasil, se viu obrigada a mudar radicalmente de estilo. “Os brasileiros gostam de soul, mas o que mais se escuta aqui é principalmente música local: samba jazz, forró, bossa nova, axé. Eu tento aprender de tudo”, diz Kourakina, que já tocou com grandes nomes da cena musical brasileira, desde Arlindo Cruz e Simoninha ao violinista Nikolas Krassik.

“Quando estou no palco, todo mundo diz que o meu groove é muito brasileiro. Ninguém imagina que eu sou russa”, diz a baixista, que revela ter passado horas escutando músicos brasileiros e imitando o estilo deles, até conquistar o seu próprio.

Do caviar ao feijão

Apesar do reconhecimento atual, Kourakina confessa que não foi tão fácil se integrar ao cenário musical do Rio de Janeiro. “Eu não conhecia a música brasileira a fundo. Não dá para comparar com as pessoas daqui, especialmente os filhos dos músicos, que estão acostumados a escutar desde pequenos o que de melhor se faz”, conta.

“Eu cheguei aqui com noções básicas de bossa nova e um pouco de Djavan na cabeça. Fui apendendo pouco a pouco. E devo dizer que as pessoas foram muito generosas. Os músicos aqui são muito abertos, querem mostrar a sua cultura, têm orgulho nela. A minha aprendizagem foi um processo muito agradável.”

Hoje, a jovem garante estar totalmente imersa na riqueza cultural do Brasil. “A Rússia é famosa pela música clássica. Mas eu toco baixo elétrico, por isso tenho aqui muito material para aprender e experimentar. Além disso, o Brasil tem muitos baixistas reconhecidos em todo o mundo. Do ponto de vista musical, aqui é um país muito respeitado no exterior, principalmente nos Estados Unidos”, diz.


Selfie de Kourakina com sua mãe no Cristo Redentor Foto: arquivo pessoal

No ano passado, Kourakina participou da gravação do álbum e de um videoclipe da cantora pop carioca Taís Feijão. “Gosto muito do trabalho dela e espero poder fazer vários shows juntas.”

Imersa em seu novo universo musical, a baixista não vai à Rússia há três anos. “Adoro viver no Rio de Janeiro porque, além da boa música, faz calor e se vive bem, com muita alegria”, diz. “Claro que tenho saudade da minha terra e espero voltar um dia a viver lá, perto da minha família. Mas não sei se conseguirei tocar muita música brasileira na Rússia”, acrescenta.

Até lá, Kourakina diz que continuará vivendo no Rio de Janeiro e curtindo o estilo de vida dos brasileiros. “Eles são simples, naturais, espontâneos e têm bom coração”, conclui.


Kourakina: "Adoro viver no Rio porque, além da boa música, faz calor e se vive bem" Fonte: Valeria Saccone

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