Videoclipe de musa do Eurovision estreia com polêmica na Rússia

Polina Gagárina traz letra pacifista em inglês em primeiro concurso sem a Ucrânia em 12 anos.

Estreou na segunda-feira (16), o videoclipe da música "A Million Voices" ("Um Milhão de Vozes"), de Polina Gagárina, cantora que representará a Rússia no concurso Eurovision 2015. A 60° edição do concurso ocorrerá em Viena, na Áustria, em maio.

Sem quaisquer laços de sangue com o cosmonauta Iúri Gagárin, a jovem de 27 anos foi escolhida por meio de votações do público e de um júri do Primeiro Canal (em russo, "Pérvi Kanal"), e já tinha sido vencedora do "Fábrica das Estrelas", programa de jovens talentos musicais da mesma TV.

Com mais de três minutos de duração, o videoclipe de fotografia alva, com letra em inglês falando de paz, traz figuras de crianças, mulheres grávidas e casais sorridentes. 

Festival apolítico

Não é a primeira vez que a política toma a cena - e é banida - do Eurovision. Em 1978, a Jordânia se negou a admitir que Israel havia vencido o concurso, anunciando que a Bélgica fora vencedora - quando, na realidade, essa havia ficado em segundo lugar.

Em 2005, o Líbano, que tinha a intenção de participar do concurso, foi obrigado a se deixar a premiação porque não queria transmitir a participação de Israel na TV.

Já a Geórgia recusou-se a alterar a letra da música "We Don't Want Put In", que fazia clara referência ao então premiê russo, Vladímir Pútin, após a guerra russo-georgiana, e foi obrigada a retirar sua participação do concurso em 2009.

"Somos as pessoas do mundo/ Diferentes, mas ainda assim somos as mesmas/ Acreditamos/ Acreditamos em um sonho/ Rezando por paz e curando-se/ Espero que possamos começar de novo", diz a letra.

A escolha, porém, não agradou a todos, e o polêmico deputado Vitáli Milonov, criador da lei "antigay" de São Petersburgo, chegou a sugerir neste ano novamente  que o país boicote o concurso, que apelidou de "parada gay da União Europeia".

"Peço ao [ministro da Cultura da Federação Russa] Vladímir Medínski que não permita que a Rússia participe do 'show da vergonha'", escreveu em seu Twitter.

Milonov já protesta contra o concurso desde o ano passado, quando sugeriu proibir a entrada na Rússia de seu vencedor, o drag queen Conchita Wurst.

"Gostei muito da música de Conchita Wurst", disse Gagárina ao portal Wday.Ru.

"A Conchita foi lá com uma mensagem especial, e conseguiu transmiti-la aos espectadores! Sobre seu aspecto, isso é uma escolha dela, tem quem goste, tem quem não goste", disse.

Retirada efetiva da Ucrânia

Enquanto a Rússia permaneceu no concurso, apesar dos protestos virtuais do legislador, sua vizinha Ucrânia estará ausente pela primeira vez em 12 anos.

Vencedor do prêmio principal em 2004 e palco do evento um ano depois, o país anunciou ainda no ano passado sua saída.

"A situação financeira e política instável que afligem a Ucrânia, a agressão militar do Leste, a anexação de territórios ucranianos, todos esses eventos conduziram e forçaram a NTU a focar-se em suas prioridades: a rápida construção de uma emissora na Ucrânia. Assim, será preciso otimizar os custos cuidadosamente", anunciou o canal estatal ucraniano NTU ao retirar sua participação do concurso.

Para além da cutucada, a ausência ucraniana representa a perda de um parceiro importante para a Rússia, que costuma estar entre os dois ou três maiores receptores de pontos provenientes da primeira no concurso.

Perguntada pelo portal Wday.Ru se não temia que as tensões com a Ucrânia pudessem influenciar nos resultados, Gagárina, porém, foi evasiva.

"Tenho medo de voar de avião. Também temo coisas humanas importantes: perder familiares, pessoas próximas. E estou certa de que essas são as únicas coisas que vale a pena temer", disse.

 

Fonte: YouTube

 

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