Novo tsar, novos uniformes: do estilo prussiano à volta da praticidade russa

Capacetes da Cavalaria, 1799  Foto: divulgação

Capacetes da Cavalaria, 1799 Foto: divulgação

Acompanhe a evolução do uniforme militar russo na época das Guerras Napoleônicas.

A partir de 1812, os soldados russos começaram a desfilar pelas ruas das cidades europeias libertadas dos invasores: Varsóvia, Berlim, Leipzig e, claro, Paris. E, assim, chamaram muita atenção. Em primeiro lugar, porque estavam eufóricos com a glória das grandes vitórias militares. No entanto, não era apenas isso: o Exército russo se destacava pela sua excelente escolaridade, disciplina e uniformes.

As palavras alemãs introduzidas no russo pelo imperador Paulo foram gradualmente abolidas após sua morte. Desapareceu também a prática inconveniente do uso de tranças e cachos entre os soldados: a trança ficou cada vez mais curta e depois desapareceu de vez.

Oficial e soldado do Regimento dos Hussardos, 1799  Foto: divulgação

A casaca estreita do modelo prussiano foi trocada por uniforme mais familiar para o soldado russo. No entanto, ainda não era possível abolir a regulamentação um tanto simplista sobre a aparência de tropas. Na época de Potemkin e Souvorov, dava-se valor acima de tudo à praticidade do uniforme forma.

Paulo I, que criou seu exército conforme o modelo alemão, conseguiu inculcar em seus subordinados a paixão pelo atributos externos da vida do exército, desfiles e “batalhas” de treino .

Aleksandr I continuou a abordagem de Paulo quanto à regulamentação da aparência do soldado russo. Em 1802, o uniforme militar russo foi completamente reformado. As transformações afetaram todos os tipos de tropas, e sua abrangência era inédita desde a época de Piotr I. Até na vida cotidiana apareceu a noção de uniforme.

O antigo casaco militar comprido finalmente tomou a forma de casaca militar – com duas lapelas até a cintura e caudas longas nas costas. As calças curtas até joelhos foram substituídas por calças com perneiras de couro, usadas por cima das botas.

Oficiais não comissionados dos 13º e 14º Regimentos dos Caçadores, 1799  Foto: divulgação

Em vez dos velhos casacos de inverno e jaquetas de lã de ovelha, pela primeira vez no Exército russo apareceu o sobretudo. Introduzido em 1802, ele permaneceu quase inalterado por mais de meio século.

O sobretudo militar feito de tecido grosso não pintado tornou-se um atributo tradicional do uniforme militar russo. Em caso de necessidade, ele podia facilmente se transformar em um casaco comprido impermeável, e as mangas longas podiam ser ajustadas para o tamanho certo.

O elemento mais reconhecível do uniforme introduzido no início do século 19 era o “shako”. Inicialmente, tratava-se de um chapéu alto e cilíndrico simples com pluma do lado – chamada “sultan”. O chapéu tinha não só a função decorativa, como também a de proteção da cabeça de soldado contra golpes de sabre.

O uniforme mais vibrante e exuberante era usado pela cavalaria russa: os hussardos. Esses cavaleiros russos tomaram emprestados dos húngaros não apenas o estilo e a tática de batalha equestre, mas também o uniforme.

O “dolman” ou “húngaro” – jaqueta curta com gola alta e cordões – virou motivo de orgulho entre os hussardos, e os destacava em qualquer reunião. Por cima do “dolman” era usado o “mentik” – capa coberta com pele, com botões e laçadas.

Granadeiros do Regimento Siberiano, 1797-1801 Foto: divulgação

Quando o tempo estava quente o “mentik” era usado sobre um ombro e era fixado com um laço por debaixo do braço. Todos esses elementos do uniforme de hussardo eram ricamente decorados com fios de ouro e prata, e os melhores tecidos eram usados em sua confecção.

Os militares costuravam o uniforme às suas próprias custas e, quanto mais rica era sua aparência, maior era o “status” do seu proprietário.  A Guarda Imperial recebia o melhor uniforme, com alças de cor diferente, pela qual os soldados eram reconhecidos.

Além disso, alguns grupos de militares tinham distinções especiais. As reformas dos uniformes militares do começo do século 19 eliminaram a famosa mitra de granadeiro – um chapéu com viseira grande na frente.

Os granadeiros receberam um “shako” parecido com aquele que tinham outros regimentos de infantaria. Todos, exceto os salva-vidas do regimento de Paulo. Para marcar seus méritos especiais, o rei deixou-lhes as mitras antigas, que desde então se tornaram motivo de orgulho. Os granadeiros de Paulo mantiveram-nos até a Revolução de 1917.

 

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