Os 70 anos da libertação dos prisioneiros de Auschwitz

Fato é que os soldados soviéticos libertaram apenas 7.600 pessoas, mas o Exército Vermelho pagou um preço muito elevado por essa libertação: durante as batalhas de inverno, o Primeiro Front Ucraniano perdeu 26 mil soldados Foto: Lori / Legion Media

Fato é que os soldados soviéticos libertaram apenas 7.600 pessoas, mas o Exército Vermelho pagou um preço muito elevado por essa libertação: durante as batalhas de inverno, o Primeiro Front Ucraniano perdeu 26 mil soldados Foto: Lori / Legion Media

Em 27 janeiro de 1945, as tropas do 59º e 60º exércitos do 1º Front Ucraniano, sob comando do marechal Konev, e do 38º exército do 4º Front Ucraniano, sob o comando do coronel-general Petrov, libertaram os prisioneiros de Auschwitz. Durante os ataques anteriores, os soldados soviéticos já tinham perdido vários companheiros de batalha, mas nada se comparou às imagens chocantes ao adentar o mais terrível campo de concentração nazista.

“Oświęcim” é seu nome em polonês, mas o mundo inteiro o conhece pelo nome alemão “Auschwitz” – o temido campo de concentração composto por cinco campos e prisões. Em um raio de 20 a 30 km, que se estendia pelo território da bacia carbonífera de Dombrowski, existiam 18 seções do campo de concentração e, em cada uma delas, 80 barracões acomodavam entre 200 a 300 prisioneiros.

Ao longo de sua existência, recebeu um número imenso de judeus e outros povos “não arianos”.  Aniquiladas em massa, essas pessoas tinham partes do seu corpo – pele, cabelo etc –aproveitadas para fins utilitários, como enchimento de almofadas para os bravos submarinistas alemães, confecção de luvas de pele humana e até mesmo fabricação de sabão com o sebo dos seus corpos. Para tudo se encontrava um destino. Até mesmo os dentes de ouro e coroas eram arrancados, e os cirurgiões alemães faziam experiências médicas em seres ainda vivos.

Em média, 10 trens por dia, com até 50 vagões e cerca de 50 a 100 pessoas cada, chegavam ao campo. Nos primeiros dias sobreviviam apenas entre 10 a 30% dos recém-chegados. “Não contamos o número de mortos”, declarou Rudolf Hoess, comandante de Auschwitz entre 1940 e 1943, ao Tribunal de Nuremberg.

Não havia registro, por exemplo, de quem era enviado para as câmaras de gás logo após a chegada. Pelas estimativas de historiadores, durante toda a existência dos campos de extermínio, foram assassinados 1,1 milhão de judeus, 150 mil poloneses, 100 mil russos e 23 mil ciganos.

Terror em massa

Antes da chegada das tropas soviéticas, os fornos onde se queimavam os corpos foram dinamitados, e todos aqueles que conseguiam andar e não conseguiram fugir antes foram levados para Ocidente.

Fato é que os soldados soviéticos libertaram apenas 7.600 pessoas, mas o Exército Vermelho pagou um preço muito elevado por essa libertação: durante as batalhas de inverno, o Primeiro Front Ucraniano perdeu 26 mil soldados. Só nas batalhas para a tomada de Auschwitz morreram até 350 soldados das fileiras vermelhas.

A primeira evidência soviética da existência do campo de concentração foi registrada em um memorando do chefe da seção política do 60º Exército, o major-general Grichaev, enviado ao chefe da direção política do Primeiro Front Ucraniano, o major-general Iachetchkin, escrito no dia 26 de janeiro:

“Na estação Lebionj, a sudoeste de Chrzanów, encontramos uma das seções do campo de concentração Auschwitz, com prisioneiros que casualmente sobreviveram. Entre eles estão 30 judeus, e os demais são húngaros, franceses, tchecos, polacos e russos – todos aqueles que conseguiram se esconder nas minas de carvão. Os restantes foram mortos pelos alemães. Um deles, um judeu de nome Lever, contou que antes de Lebionj, ele tinha estado em Auschwitz. Lá eram mantidos ao mesmo tempo entre 25 a 30 mil judeus de muitos países europeus, que foram sendo trazidos para lá continuamente durante quatro anos. Todos os que não conseguiam trabalhar – mulheres, idosos, crianças, doentes – eram separados dos homens saudáveis e mortos de imediato. Eles eram levados para barracões separados, na parte sul do campo, onde, depois de despidos e mortos em câmaras especiais de gás, tinham os seus corpos queimados no crematório. <...>

Nos últimos dois anos foram também mortos prisioneiros adultos do sexo masculino. Os prisioneiros eram muito mal alimentados: recebiam uma sopa aguada e 150-200 gramas de pão uma vez ao dia. A partir de outubro de 1944, quando Auschwitz foi evacuado para a Alemanha, o forno do crematório passou a trabalhar com particular intensidade, dia e noite. Em dezembro de 1944, o forno foi dinamitado pelos alemães.”

Parte dos prisioneiros fugiu e se espalhou pelas redondezas, aproveitando a confusão da batalha. O Exército Vermelho começou a encontrar alguns grupos já nas estradas próximas, nos arredores de Auschwitz. Ao entrar no campo de concentração, a primeira coisa que as tropas fizeram foi revirar as cozinhas do campo para tentar alimentar os que haviam sobrevivido.

 

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