150 anos de Serov

"Menina com pêssegos" Foto: Galeria de Tretiakov

"Menina com pêssegos" Foto: Galeria de Tretiakov

Em 19 de janeiro celebra-se o 150.º aniversário de nascimento de Valentin Serov, pintor russo que revolucionou o conceito de retrato representativo.

Valentin Serov (1865-1911) foi um dos pintores mais amados da Rússia. Suas telas, impregnadas de humanismo, bateram recordes de preços mundo afora. Em novembro passado, por exemplo, o quadro “Retrato de Maria Tsetlin” foi vendido no leilão da Christie’s por 9,26 milhões de libras esterlinas. O valor foi o mais alto já pago por uma obra russa.

A pintura de Serov se localiza na intersecção de diversos movimentos, como o russo "Itinerantes", o "Secessão" de Munique e de Viena, o russo “Mundo da Arte”, composto por um grupo de artistas que abraçaram o Simbolismo.

Serov era tão qualificado como pintor quanto como desenhista. Teve diversos mestres, entre os quais dois tiveram papel de destaque. Um deles foi Karl Kopping, que orientou seu traço quando o russo se instalou com a mãe em Munique, após a morte do pai. Alguns anos depois, quando deixou a Academia Imperial das Belas Artes, viajou com ele pela Holanda e pela Bélgica para aperfeiçoar a técnica da água-forte.

Foto: Galeria de Tretiakov

O segundo foi Iliá Répin, que fazia parte dos "Itinerantes". Inicialmente, Serov foi encontrá-lo em Paris. Mais tarde, continuou seu discípulo já em Moscou. Depois, flanaram juntos por Zaporójie (hoje no leste ucraniano) e pela Crimeia.

Em sua biografia inscreve-se outra passagem interessante. Já um artista reconhecido e membro da Academia Imperial de Belas Artes desde 1903, Serov foi o único a deixar a instituição como forma de protesto contra o "Domingo Sangrento", ocorrido em 1905. Na ocasião, um grupo de manifestantes foi baleado pela Guarda Imperial ao marchar pacificamente ao palácio de inverno para apresentar ao tsar Nikolai 2° um abaixo-assinado. Serov foi o único acadêmico, durante toda história do estabelecimento, a abandoná-lo como forma de protesto.

Retratos psicológicos

O pintor ganhou fama retratando figuras artísticas, como a atriz Maria Ermólova, a dançarina e atriz Ida Rubinstein, os pintores Isaak Levitan e Konstantin Korovin e o tenor Francesco Tamagno.

Membros da família imperial também foram posaram para ele, como o grã-príncipe Pável, irmão do imperador Alexandre III, cujo retrato foi vencedor do Grande Prêmio da Exposição Mundial de Paris, em 1900.

Serov conseguiu mudar a essência do retrato representativo: seus modelos não apresentavam ar oficial e solene, tinham vida, sentido psicológico. Em uma de suas telas mais famosas, nada oficial, intitulada “Menina com Pêssegos”, Serov mistura o impressionismo - com jogos de luz e sombra e matizes -  e o realismo, que transparece na filha do mecenas Savva Mámontov.

Apesar de ter ganhado fama como retratista, Serov também se dedicou apaixonadamente às paisagens, com finas nuance de cores, bem como temas mitológicos. “O Rapto da Europa”, por exemplo, distingue-se por remeter à pintura mural e a trabalhos históricos, que ele interpretou igualmente a seu modo.

“O Rapto da Europa” Foto: Galeria de Tretiakov

Enquanto membros do “Mundo da Arte” glossavam a história longínqua, Serov aproximava do público as personalidades do passado que pintava, dando-lhes vida: Pedro, o Grande caminhava pelos pântanos onde mais tarde fundaria a bela cidade de S. Petersburgo, o adolescente Pedro II e sua tia, a futura imperatriz Isabel, divertiam-se caçando.

Mas as múltiplas facetas do mestre escondem uma depressão profunda. Abram Efros, um dos críticos de arte mais relevantes daquele tempo, cunhou o termo “angústia seroviana”, referindo-se às cartas do pintor, nas quais as alegrias da vida plena se confundiam com uma eterna insatisfação. 

 

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