Os segredos para apreciar a vodca russa

A vodca deve ser acompanhada, obrigatoriamente, de qualquer coisa que contenha gordura Foto: Lori / Legion Media

A vodca deve ser acompanhada, obrigatoriamente, de qualquer coisa que contenha gordura Foto: Lori / Legion Media

Os estrangeiros consideram os russos amantes de bebidas fortes. Mas como beber a aclamada vodca russa com os locais sem passar dos limites?

Há quem diga que os russos conseguem beber quantidades incríveis de vodca por certas particularidades de seu organismo. Mas são os próprios russos que afirmam  que tal capacidade nada tem a ver com fatores biológicos, mas sim com velhas tradições russas.

O empresário Artiom Minaiev convida frequentemente estrangeiros para restaurantes de Moscou, onde trata de negócios. Na sua opinião, os estrangeiros não sabem beber vodca.

“O maior problema dos europeus, dos chineses e dos americanos é que bebem sem comer. Ao segundo ou terceiro cálice, já se torna impossível falar de trabalho com eles. Os russos gostam de vodca porque ela realmente aquece e combina perfeitamente com a cozinha russa”, salienta Minaiev.

“A vodca deve ser acompanhada, obrigatoriamente, de qualquer coisa que contenha gordura. São aconselháveis batatas cozidas ou fritas, pão, queijos ou peixe gorduroso. Existem vários petiscos, a preços módicos, que ajudam contra a embriaguez.”

Outros segredos

Antes de se sentarem à mesa em noites especiais como o Réveillon muitos russos comem um ovo cru.

Dizem que é a melhor maneira de sair da mesa sem cambalear, embora os médicos sejam categoricamente contra este método, já que os ovos crus podem ser transmissores de salmonela. Portanto, se você não estiver certo da qualidade dos ovos, pode beber uma simples colher de óleo ou azeite.

“A primeira vez que estive em Moscou me preparei para os festejos do Ano-Novo com os amigos da minha namorada. Havia lido que as substâncias gordurosas impedem a absorção de álcool pelo organismo, então comi duas batatas com várias colheres de azeite. Me mantive sóbrio depois de ter bebido uma garrafa inteira de uma vodca duvidosa”, diz o mexicano Santiago Fonseca.

Na verdade, as gorduras retardam a bebedeira, mas é igualmente importante não comer em excesso, sobretudo doces. É que os açúcares são uma sobrecarga para o fígado, que não elimina propriamente o álcool ingerido.

Anastassia Knejevitch, natural da Sibéria, vende em sua loja vários tipos de vodca, aproveitando para explicar aos estrangeiros como se consome a bebida na sua terra.

“Acho que o problema dos estrangeiros é eles misturarem coquetéis e bebem vodca aos golinhos. Eu insisto sempre que se deve beber de uma vez e expirar pelo nariz, não pela boca. É por isso que os russos conseguem beber muita vodca e sobreviver”, diz Anastassia.

Minaiev considera que para um estrangeiro em um banquete russo é importante se mostrar amigável. Para tal, é suficiente beber nos primeiros dois ou três brindes, passando alguns sem beber, para acumular forças e continuar a festa.

“Quando um estrangeiro está pronto para recomeçar a beber, deve pegar na garrafa e encher os copos de todos os convivas. Certa ocasião, estive à mesa com um japonês que passou a noite a encher apenas seu cálice. Manifestou assim sua má educação, e nunca mais ninguém o convidou para mais nada. A propósito, nem conseguiu assinar os importantes contratos com os parceiros, razão que o levara a Moscou”, Minaiev.

Se nenhum destes conselhos foi útil, há um último: na manhã seguinte aos excessos, beba em jejum um copo de água com sal ou salmoura de legumes nela conservadas. É uma antiga receita popular contra a ressaca e a dor de cabeça, a mais eficaz de todas que se conhecem.   

 

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