As mais valiosas obras de arte arrematadas por russos

Coleção de Mstislav Rostropovitch e Galina Vichnévskaia Foto: Aleksêi Dánitchev/RIA Nóvosti

Coleção de Mstislav Rostropovitch e Galina Vichnévskaia Foto: Aleksêi Dánitchev/RIA Nóvosti

Gazeta Russa lista as obras de arte mais valiosas adquiridas por homens de negócios russos neste século.

O empresário russo Alicher Usmanov adquiriu por US$ 4,76 milhões a medalha de Nobel atribuída em 1962 a James Watson, biólogo que decodificou a estrutura do DNA. Ele arrematou a peça em 4 de dezembro, em Nova York, durante um leilão promovido pela casa Christie’s. O empresário quer devolver a medalha ao cientista, pois considera “inaceitável que um pesquisador de renome fique numa situação que o obrigue a vender uma tão alta distinção”.

A Gazeta Russa fez uma lista de outras obras arte valiosas adquiridas por homens de negócios russos neste século.

Coleção de Mstislav Rostropovitch e Galina Vichnévskaia

Usmanov comprou em 2007 uma coleção de arte russa que pertencia a um casal de músicos de fama mundial: o violoncelista Rostropovitch e a cantora lírica Vichnévskaia. Após a morte do músico, sua esposa resolveu vender a maior parte da coleção e investir o dinheiro em seu Centro de Canto Lírico de Moscou. O valor de 450 peças de arte russa dos séculos 18 a 20 foi estimado entre US$ 26 milhões e US$ 40 milhões. Entretanto, ainda antes de irem a leilão, o comerciante ofereceu US$ 72 milhões pelo conjunto de obras de arte, que entregou ao Palácio Imperial Konstantínovski, nos arredores de S. Petersburgo, para serem expostas.

Coleção Forbes


Foto: serviço de imprensa

Outra coleção importante ficou na Rússia graças ao empresário Victor Vekselberg. Em 2004, o negociante comprou, também antes de ser leiloada pela Sotheby’s, a coleção de Malcolm Forbes, constituída por obras de Carl Fabergé, joalheiro da corte imperial russa. Do conjunto faziam parte nove ovos imperiais de Páscoa e cerca de 120 trabalhos de joalharia. O montante exato da transação não foi divulgado, mas se sabe que ultrapassou os US$ 120 milhões.

Depois de ter sido exposta em diversos locais, a partir do final do ano passado, a coleção ficou no novo Museu Fabergé, em S. Petersburgo, aberto pela Fundação Laços dos Tempos, do mesmo empresário.   

Ovo da família Rothschild

    

Foto: serviço de imprensa

Outro ovo de Páscoa de Fabergé, pertencente à família Rothschild, foi comprado, em 2007, pelo empresário Aleksandr Ivanov, que por ele desembolsou US$ 18,5 milhões. Se trata do ovo-relógio, um dos poucos não destinados à casa imperial russa e o maior de todos conhecidos. Em 2009, Ivanov abriu um Museu Fabergé particular em Baden-Baden, onde expôs muitas obras deste joalheiro, sendo o ovo dos Rothschild a peça principal. Em dezembro, Ivanov presenteou com esta obra-prima da joalharia Vladímir Pútin, o qual, por sua vez, a ofereceu ao Hermitage.

Foto: serviço de imprensa

O Museu Hermitage, de S. Petersburgo, tem tido sorte com seus patrocinadores ao longo dos tempos. Um destes, Vladímir Potanin, ainda em 2002, comprou, antes de ir a leilão público, uma das versões do “Quadrado Negro”, de Kazimir Malevich. A obra se encontrava entre os pertences do falido banco Incombank. Potanin pagou um montante relativamente moderado pela célebre tela –US$ 1 milhão. Se a obra tivesse ido ao leilão, seu valor de mercado teria sido muito superior.

O “Quadrado Negro nº 2”, datado de 1913, era posse da viúva do pintor até 1991. Com sua morte, a pintura passou a ser da mesma entidade bancária, tendo posteriormente sido doada ao Hermitage.

“O Tríptico”, de Francis Bacon, e “A Assistente Social Dormindo”, de Lucian Freud


Foto: serviço de imprensa

Em 2008, o empresário Roman Abramovich arrematou em leilões de arte moderna em Nova York, estas duas obras dos grandes pintores do século passado. A tela de Freud custou US$ 33,6 milhões na Christie’s, se tornando a obra mais cara do artista ainda vivo (Freud morreu em 2011). No dia seguinte, Abramovitch adquiriu na Sotheby’s “O Tríptico” por US$ 86,3 milhões, soma que ainda ninguém tinha desembolsado por uma obra de Bacon.

“Dora Maar com Gata”, de Pablo Picasso


Foto: AP

Esta tela, uma das dez mais caras levadas a um leilão aberto, foi arrematada na Sotheby’s por US$ 95,2 milhões, em 2006. Foi adquirida por Boris Ivanichvili, na altura empresário russo, nacionalidade que viria a renegar em 2011.

Picasso pintou este retrato de sua amiga e musa em 1941, em Paris, cidade então ocupada pelos nazistas. Durante muito tempo, a tela esteve na posse da família Gidwitz, de multimilionários norte-americanos.

“Esboço para a Improvisação nº 8”, de Vassíli Kandínski


Foto: serviço de imprensa

Piotr Aven, empresário russo e um dos grandes colecionadores de arte de vanguarda, comprou esta obra de Kandínski em 2012, na Christie’s de Nova York. Pagou US$ 23 milhões pelo quadro que passou a ser o mais caro do artista. Foi pintado em um dos períodos mais férteis da vida de Kandínski, em 1909, em Murnau, fazendo parte de um conjunto de oito trabalhos que têm o nome comum de “Improvisação”. O quadro foi descoberto por acaso: preso a outra tela do pintor, passou despercebido durante 30 anos.

“Café Parisiense”, de Iliá Répin


‘И. Репин/в Париже/1875’  Foto: serviço de imprensa

O colecionador Viatcheslav Kantor adquiriu esta obra em 2011 na Christie’s de Londres por US$ 7,4 milhões. Se tornou não só a obra mais cara deste artista russo, como a mais cara de origem russa vendida por qualquer casa leiloeira. O “Café Parisiense” foi pintado em 1875 e exposto no Salão de Paris. De 1916 até ao este leilão, estava enriquecendo uma coleção particular. Atualmente, pode ser admirado em exposições organizadas pelo Museu da Arte de Vanguarda, fundado pelo colecionador.

O violino de Guarneri del Gesú


Foto: AP

Em 2008, o empresário Maksim Víktorov comprou, por intermédio da Sotheby’s, um violino conhecido como “Ex-Vieuxtemps”, feito pelo grande mestre Guarneri del Gesú. Não são conhecidos os valores envolvidos na transação, mas especialistas falam em não menos US$ 6 milhões.

O raríssimo instrumento foi fabricado em 1741, tendo sido propriedade, durante muitos anos, do compositor belga Henri Vieuxtemps. Nos últimos cem anos fez parte de uma coleção particular. Colecionador de instrumentos musicais antigos, Víktorov não os esconde do público, gostando que eles sejam tocados por grandes músicos. Por exemplo, o empresário cedeu o “Ex-Vieuxtemps”, pouco depois de o ter adquirido, ao virtuoso Pinchas Zukerman, para um concerto no Conservatório de Moscou.

Cápsula da nave espacial soviética “Vostok ZKA-2”


Foto: AP

Em um leilão “espacial” da Sotheby’s de Nova York, realizado em 12 de abril de 2011, em comemoração do 50º aniversário do voo pioneiro de Iúri Gagárin, o homem de negócios russo Evguéni Iúrchenko comprou, por cerca de US$ 2,9 milhões, a cápsula da “Vostok ZKA-2”. Segundo ele, “a cápsula da nave deve regressar à pátria e ocupar o lugar a que tem direito num dos museus russos”.

A cápsula esteve em órbita em 25 de Março de 1961, transportando a bordo a cadela Zviózdotchka (Estrelinha) e um manequim. Após o êxito desta missão, o Homem iniciou sua aventura espacial.

 

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