Os prédios mais emblemáticos da URSS dos anos 1920 ao 1950

Os melhores exemplares da arquitetura soviética foram construídos nos primeiros 30 anos da existência da URSS. Naquela época surgiu em Moscou a futurística Torre Shukhov, o hotel de luxo Moscou e os sete prédios altos de Stálin.

A Gazeta Russa lembra os principais prédios da época do nascimento da arquitetura soviética

A Torre Chukhov (1922, Vladímir Chukhov)


Foto: AFP/East News

O governo soviético considerava que em um país pouco instruído o rádio era o melhor meio de propaganda, porém a principal estação de rádio no país deveria impressionar. As construções hiperboloides de Shukhov, que já naquela época haviam se tornado famosas graças às exposições internacionais, pareciam bastante futurísticas, o que combinava bem com o espírito da arte soviética de agitação.

Casa de Mélnikov (1929, Konstantin Mélnikov)


Foto: divulgação

Na época em que o arquiteto Mélnikov participava de concurso para a construção da casa de cultura de Zuev, ele decidiu criar um prédio em forma de cilindro. Ele não conseguiu ganhar o concurso, mas mesmo assim não largou a ideia e até o desenvolveu: assim, a casa privada de Mélnikov ganhou a forma de dois cilindros.

A ideologia da União Soviética negava tudo o que era privado e exigia submeter a arquitetura aos interesses coletivos. No caso da casa de Mélnikov, esse objetivo foi realizado de forma grotesca. O arquiteto projetou um único quarto de dormir: até na hora de dormir a família virava uma “coletividade”.

Mélnikov sempre quis que no futuro suas obras de arquitetura fossem transformadas em um museu. A inauguração do museu da Casa de Mélnikov demorou por causa de um litígio entre os herdeiros do arquiteto. Mas neste mês a “Casa de Mélnikov” foi aberta para o público.

Hotel Moscou (Oswald  Stapran, Leonid Saveliev, Aleksêi Chussev, 1935, reconstruído em 2004)


Foto: A.Solomonov/RIA Nóvosti

No começo dos anos 20, próximo do Kremlin, no lugar do atual Hotel Moscou, estava para começar a construção do Palácio do Trabalho: grandes cubos de vidro e cimento, unidos por uma sala de espectadores em forma elíptica. Ele deveria ser parecido com a espaçonave Enterprise. Os trabalhos de construção foram encerrados por causa do alto custo e da complexidade do projeto. Em vez disso foi decidido se construir um hotel, que era mais tradicional, mas ao mesmo tempo grandioso. Sob o controle do arquiteto Shusev, o Hotel Moscou foi construído no estilo tradicional de luxo e mais tarde se tornou o melhor das construções dos anos 30 a 50. As colunas, arcos e balaustradas decorativas marcaram a ligação da arquitetura soviética com as tradições da antiguidade.

VDNkH (1935-1954, diferentes arquitetos sob a direção de Serguêi Tchernichev)


Foto: AP

O maior parque de exposições no norte de Moscou foi criado para que o cidadão soviético ou o turista pudessem em qualquer momento avaliar o progresso da agricultura e da indústria soviéticas. Dos 70 pavilhões do parque, a metade lembra templos no estilo imperial. As colunas, pináculos, estátuas e fontes representam as melhores tradições da arquitetura do totalitarismo.

Impressiona especialmente o pavilhão nº 32, construído em 1939. No começo, ele era dedicado à “produção automobilística” e era parecido com um hangar com telhado de vidro. Do lado de  dentro lembrava um templo de civilizações da mesopotâmia, onde em vez de estátuas de deuses e heróis havia estátuas da mecânica e tratores.

No final dos anos 50, foi anexado ao pavilhão um prédio com estrutura de vidro, cuja forma de rede lembra a Torre de Shukhov. A partir daquele período, o pavilhão recebeu o nome de Cosmos e na praça em frente foi instalada uma cópia do foguete Vostok, que colocou Gagárin em órbita.

Os prédios altos de Stálin (1952-1957, Lev Rudnev, Dmítri Tchetchúlin, Viatcheslav Oltraguévski, Serguêi Tchernichev e outros)


Foto: Lori/Legion Media

O centro de Moscou está cercado de cada lado por prédios altos do período de Stálin –o prédio da Universidade Estatal de Moscou, três prédios residenciais, dois hotéis e o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

No começo, deveria haver em Moscou apenas um prédio alto. O projeto do Palácio das Reuniões, com uma estátua de Lênin no topo, não foi construído por causa da guerra: as bases de metal produzidas foram transformadas em defesas anti-tanque.

Após a guerra, o projeto foi transformado em sete prédios diferentes com estilo parecido. Nesses prédios, a arquitetura de Stálin definitivamente adquiriu estilo próprio. Eles reúnem as tendências mundiais na área de monumentalismo (os prédios se parecem, por exemplo, com o Empire State Building), com a exaltação das culturas antigas.

No livro de Vladímir Papérni “Cultura dois” (Architecture in the Age of Stálin: Culture Two Cambridge University Press, 2002) é narrada uma concepção atraente do desenvolvimento da vida cultural na Rússia. De acordo com esse livro, podem-se identificar dois períodos da cultura russa, que se revezam a cada 20 ou 30 anos. A “cultura 1” está ligada à época revolucionária e à “introdução” de novos estilos, a “cultura 2” expressa-se na volta às tradições e ao engessamento das tendências existentes.

Paperni mostra a diferença entre esses dois períodos da cultura russa com o exemplo da arquitetura como a arte mais concreta. Assim, o autor liga a arquitetura dos anos 20 (a Torre de Shukhov, a Casa de Melnikov) –provocativa e inovadora– ao período da “cultura 1” e as construções dos anos 30 aos anos 50 (o Hotel Moscou, os prédios altos de Stálin etc.) –mais estritos e impressionantes– “ao período da cultura 2”.

 

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