Papánin, o primeiro herói do Ártico

Papánin: “Aquilo que alcançou o país do socialismo não será para mais ninguém” Foto: wikipedia.org

Papánin: “Aquilo que alcançou o país do socialismo não será para mais ninguém” Foto: wikipedia.org

Neste mês passado foi celebrado o 120º aniversário do nascimento do primeiro explorador do Ártico, Ivan Papánin. Herói da União Soviética e comunista convicto, explorador passou 274 dias sobre um bloco de gelo flutuante.

Em 1937, Ivan Papánin dirigiu uma estação flutuante – a primeira do mundo – pelo Polo Norte. Durante sua expedição, que durou 274 dias, o explorador recolheu um material único do ecossistema no Oceano Ártico. Reza a lenda, porém, que Papánin teve não só que escapar de situações difíceis, como tornou-se um mestre diante de emergências.

Certo dia, seus companheiros precisaram de álcool para conservar distintas amostras da fauna e flora oceânica. Mas no bloco de gelo havia apenas conhaque, ainda que um barril cheio. Papánin construiu então um aparelho para destilar o conhaque e dele extrair a necessária quantidade de álcool. O conhaque que restou serviu para comemorar o final da expedição, quando o bloco de gelo começou a derreter e os exploradores tiveram que retirar.

Nascido em 26 de novembro de 1894, na Crimeia, Papánin vinha de uma família simples e não tinha diploma de curso superior. Mesmo assim, recebeu o título de doutor em Geografia pelo modo como chefiou a expedição. Stálin também demonstrava extrema confiança “nesse homem do povo” e comunista confesso.

Na expedição de Papánin estavam presentes também os cientistas Ernest Krenkel, Evguêni Feódorov e Piotr Chirchov, além do cachorro Vessioli (Alegre, em russo). “Avançavam, avançavam os quebra-gelos, atravessando o oceano. Ia em um deles o cão Vessioli”, cantavam as crianças na URSS, sobre a popular figura do cão.

No final de janeiro de 1938, o bloco de gelo que sustentava Papánin e sua equipe se quebrou durante uma tempestade de seis dias, no mar de Groenlândia. Duas bases e o armazém técnico se separaram do bloco. Os exploradores ficaram sobre um pedaço de gelo com 200 metros de extensão e acabaram sendo salvos pelos quebra-gelos “Taimir” e “Murman”.

“Abandonando o gelo flutuante, deixamos nele a bandeira da União Soviética, o que significa que aquilo que alcançou o país do socialismo não será para mais ninguém!”, disse Papánin, após voltar à terra firme. Depois da expedição, o explorador continuou servindo a pátria.

Na Grande Guerra Patriótica, Papánin comandou a defesa do porto de Murmansk, no norte da Rússia. Apesar de os bombardeios alemães não deixarem pedra sobre pedra da cidade, o inimigo não conseguiu penetrar no porto, onde chegavam cargas estrategicamente importantes da Inglaterra e dos EUA. Em 1943, Papánin foi promovido a contra-almirante.

O primeiro explorador soviético do Ártico só veio a falecer em 1986. O cineasta Iúri Sálnikov, que estivera com Papánin pouco antes de sua morte, relatou que o herói da União Soviética, então com 90 anos, o agarrou subitamente pelo casaco e exclamou: “Que vontade tenho de viver!”.

Anos depois, seu nome foi emprestado a um cabo da península de Taimir, a montanhas na Antártida, a um monte subaquático do Pacífico e ao Instituto de Biologia das Águas Interiores da Academia de Ciências da Rússia, bem com a ruas de muitas cidades do país. Assim, Papánin pôde continuar vivo na memória de seus admiradores.

 

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