A guerra que a União Soviética queria evitar

Em 1939, a Finlândia recusou aceitar condições impostas pela União Soviética, o que iniciou um conflito Foto: Photoshot / Vostock Photo

Em 1939, a Finlândia recusou aceitar condições impostas pela União Soviética, o que iniciou um conflito Foto: Photoshot / Vostock Photo

Em novembro de 1939, com a recusa da Finlândia em aceitar condições impostas pela União Soviética, tropas do Exército Vermelho atacaram o país.

Aquela guerra não fazia parte dos planos dos dirigentes soviéticos. A URSS  planejava obter terras com o fim de garantir a segurança da cidade de Leninegrado antes da eventual Grande Guerra. Parecia ser fácil implementar o poder soviético no país vizinho pacificamente, sem derramar sangue. Nos Estados do Báltico ocorrera assim. No entanto, com os finlandeses correu tudo de modo imprevisto.

Eles se recusaram a aceitar condições propostas pela parte soviética, o que significou uma guerra de um país pequeno, com uma população de poucos milhões de habitantes, arriscando perder sua independência, contra uma potência poderosa.

No último dia do outono de 1939, tropas soviéticas penetraram no território finlandês. A camada de neve na Carélia atingia mais de um metro. Altas patentes do Exército Vermelho nem de longe podiam imaginar uma campanha demorada que mais tarde seria chamada de Guerra do Inverno. Pela informação de que dispunham, o exército finlandês contava com menos de dez divisões, não tendo chances de vencer as tropas soviéticas, que o superavam em quase três vezes.  

Começo difícil

Durante todo mês de dezembro, as tropas soviéticas efetuaram ataques intensos, mas inúteis, à Linha Mannerheim, bem fortificada. O Exército Vermelho tinha a supremacia na infantaria e tanques modernos; mesmo assim, não conseguia neutralizar casamatas finlandesas de fogo, feitas de betão armado. A própria natureza ajudava, com montes de neve de um metro e meio, debaixo dos quais se escondiam enormes calhaus e pântanos que nunca congelavam.

Pequenos destacamentos finlandeses atacavam com êxito. No dia 7 de dezembro aconteceu uma catástrofe militar: uma divisão inteira soviética foi cercada e aniquilada. O exército que tinha fama de “invencível e lendário” nunca antes tinha ficado numa situação semelhante.

Foto: Photoshot / Vostock Photo

No início de 1940, o Exército Vermelho estava numa situação desastrosa. Em 7 de janeiro, o comandante, Semión Timochenko, encabeçou as tropas que estavam lutando contra a Linha Mannerheim. Estas logo foram reforçadas com a artilharia, que tanto fez falta durante os combates do mês anterior. Do mar, interveio ativamente a Frota do Báltico. A aviação soviética intensificou os ataques contra cidades finlandesas. A capital Helsinque foi submetida a bombardeios regulares.

Em 1º de fevereiro de 1940, o Exército Vermelho iniciou uma contraofensiva no istmo da Carélia. A artilharia soviética se manifestou com uma força notável. Durante uma semana, cobriu diariamente as posições inimigas com 12 mil projéteis.  No dia 11 de fevereiro, a infantaria e os tanques passaram ao ataque.

Um golpe frontal não teve êxito –a região fortificada de Summa-Hotinen, protegendo a estrada principal para Viborg (na altura, a segunda maior cidade da Finlândia), conteve o ataque de cinco divisões soviéticas. Sendo assim, a ofensiva se desviou mais para o Leste, onde as tropas finlandesas tiveram muitas baixas devido a uma investida da artilharia, e não conseguiram manter a linha da frente.

Em 17 de fevereiro, os finlandeses iniciaram a retirada para a segunda linha de defesa. As tropas vermelhas se aproximaram a um flanco e à retaguarda do grupo militar que defendia caminhos para Viborg. Para evitar o cerco, os finlandeses abandonaram a região fortificada de Summa-Hotinen. Na tentativa de travar a ofensiva soviética, eles abriram as comportas do canal que liga o Lago de Ládoga com o Golfo da Finlândia. A água, quebrando o gelo, encheu o leito do canal, se tornando mais um obstáculo para o avanço do Exército Vermelho.

Todavia, já que a linha de frente fora rompida, isso não teve grande significado. Os destacamentos soviéticos se aproximaram à segunda linha de defesa finlandesa, com Viborg no centro. Interagindo com os navios da Frota do Báltico, entraram na margem da Baía de Viborg e começaram a contornar o flanco direito finlandês. Ao mesmo tempo, os tanques soviéticos entraram de rompante numa brecha, que surgiu depois da retirada das tropas finlandesas, e começaram a circundar a linha de defesa do adversário, ameaçando sua retaguarda. Os comandantes finlandeses tomaram uma decisão de retirada geral, reconhecendo o fracasso. Em 13 de março, o Exército Vermelho entrou na cidade de Viborg.

Encurralada

Potências ocidentais, que apoiaram a Finlândia na guerra contra a URSS, não estavam dispostas a ajudar. Apenas uma unidade de voluntários suecos, de 10 mil homens, combateu do lado finlandês. Após a tomada de Viborg, já não era possível deter as tropas soviéticas sem apoio adicional, que praticamente não existia.

Na onda da ofensiva maciça, os tanques soviéticos poderiam entrar em Helsinque dentro de dias e, a seguir, a ocupação da Finlândia e a formação de um governo pró-soviético teriam sido inevitáveis. Foi naquela altura que a Finlândia propôs entrar em conversações pacíficas. Dia 12 de março foi assinado o acordo de paz.

Foi assim que os finlandeses conseguiram defender seu direito à independência, a custo de excessivas perdas e 11% de seu território.

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