Embaixada inicia mostra de Tarkóvski em Brasília

O diretor foi reconhecido no mundo cinéfilo desde que ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza de 1962 Foto: divulgação

O diretor foi reconhecido no mundo cinéfilo desde que ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza de 1962 Foto: divulgação

O cineasta russo Andrêi Tarkóvski ganha retrospectiva na Embaixada da Rússia.

Como parte do ciclo Cinema e Literatura, a Embaixada da Rússia em Brasília exibe uma série de filmes do cineasta Andrêi Tarkóvski (1932 - 1984) ao longo dos meses de novembro e dezembro em sessões às segundas-feiras.  O grau de intimidade do cineasta soviético com a literatura está exposta em seus filmes, muitos feitos de adaptações literárias ou no estilo do autor. Tarkóvski chegou a escrever sobre como enxergava a construção cinematográfica feita com bases na arquitetura do poema. "O que me agrada extraordinariamente no cinema são as articulações poéticas, a lógica da poesia. Parecem-me perfeitamente adequadas ao potencial do cinema enquanto a mais verdadeira e poética das formas de arte", descreveu.

Pela lente das câmeras, o cineasta criou um universo de imagens de rara poesia. Além da literatura promoveu aproximações com as artes plásticas e o teatro. Isto porque acreditava que o contato com as demais artes poderia promover avanços na linguagem cinematográfica. “Por meio do cinema, é necessário situar os problemas mais complexos do mundo moderno no nível dos grandes problemas que, ao longo dos séculos, foram objetos da literatura, da música e da pintura. É preciso buscar, buscar sempre de novo, o caminho, o veio ao longo do qual deve mover-se a arte do cinema”, provocou.

As simbiose entre os elementos do mundo e os elementos da arte foram utilizados com maestria em um de seus filmes mais importantes, “O Espelho”. Um misto de narrativa realista com declamação de poemas, imagens oníricas e experiências autobiográficas. A fita motivou trocas de mensagens epistolares com espectadores de toda a Rússia. As cartas enviadas por gente comum foram para ele mais significativas que a palavra dos críticos de cinema a quem julgou incapazes de penetrar no cerne do filme.

 

 

Foto: divulgação

Tão importante quanto seus filmes são os escritos teóricos do cineasta. No livro "Esculpir o Tempo", lançado no Brasil pela editora Martins Fontes, Tarkóvski se debruçou sobre as barreiras da transposição de uma obra literária para o cinema: "Nem toda a prosa pode ser transferida para a tela. Algumas obras possuem uma grande unidade no que diz respeito aos elementos que a constituem, e a imagem literária que nelas se manifesta é original e precisa. Os personagens são de uma profundidade insondável, a composição tem uma extraordinária capacidade de encantamento, e o livro e indivisível. Ao longo das suas páginas, delineia-se a personalidade única e extraordinária do autor. Livros assim são obras-primas, e filmá-los é algo que só pode ocorrer a alguém que, de fato, sinta um grande desprezo pelo cinema e pela prosa de boa qualidade."

O diretor foi reconhecido no mundo cinéfilo desde que ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza de 1962 com o primeiro longa-metragem, “A infância de Ivan” (filme que inicia a mostra no dia 10 de novembro) cujo roteiro foi baseado em um conto do escritor Vladimir Bogomolov. Por pouco não perdeu os direitos de adaptaçãdo da ficção científica "Solaris" ao se recusar a filmar o livro do escritor polonês Stanislaw Lem como um romance sci-fi em 1972.

 

Foto: divulgação

Em dado momento, o autor enxergou a potencialidade do cinema como arte autônoma e passou a acreditar num processo de emancipação da sétima arte. "Expressei minha alegria por ver delinear-se um divisor de águas entre o cinema e a literatura, os quais exercem uma enorme e benéfica influência mútua. No seu desenvolvimento ulterior, creio que o cinema irá distanciar-se não só da literatura, mas também de outras formas de arte contíguas, adquirindo, assim, uma autonomia cada vez maior", acreditava.

A influência de Tarkóvski para o cinema mundial é incomensurável. Não há um só plano descartável em todas as 12 películas que assinou. Em muitos de seus filmes, o artista deixou transparecer a angústia em viver em um mundo intangível. E em todos fez questão de expôr a inquietação de sua alma imortal.

Todos os filmes serão exibidos com legendas em português.

 

Foto: divulgação

 

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

10 de novembro, às 19h30

“A Infância de Ivan”

(Ivanovo Detstvo)

Gênero: Drama

País de origem: União Soviética

Ano de lançamento: 1962

Duração: 95min.

Classificação indicativa: 12 anos

 

17 de novembro, às 19h30

“Andrei Rublev”

Gênero: Histórico

País de origem: União Soviética

Ano de lançamento: 1966

Duração: 183 min.

Classificação indicativa: 12 anos

 

24 de novembro, 19h30

“Solaris”

Ficha técnica:

Gênero: Drama, Sci-Fi

País de origem: União Soviética

Ano de lançamento: 1972

Duração: 167 min.

Legendado em português

Classificação indicativa: 12 anos

 

1º de dezembro, 19h30

“O Espelho”

Gênero: Drama

País de origem: União Soviética

Ano de lançamento: 1975

Duração: 105 min.

Legendado em português

Classificação indicativa: 16 anos

 

8 de dezembro, 19h30

“Stalker”

Ficha técnica:

Gênero: Drama, Sci-Fi

País de origem: União Soviética

Ano de lançamento: 1979

Duração: 163 min.

Legendado em português

Classificação indicativa: 12 anos

 

15 de dezembro, 19h30

“Nostalgia”

Ficha técnica:

Gênero: Drama

País de origem: União Soviética, Itália

Ano de lançamento: 1983

Duração: 125 min.

Legendado em português

Classificação indicativa: 16 anos

 

Confira outros destaques da Gazeta Russa na nossa página no Facebook

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.