Exposição traz objetos raros de Lênin e Stálin

Foto: RG

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Lênin e Stálin já foram tema de filmes, músicas e poemas. Uma nova exposição sobre os antigos líderes soviéticos foi inaugurada recentemente no Museu Histórico Estatal, na Praça Vermelha, em Moscou.

A exposição reúne coleção que estava nos arquivos durante mais de 20 anos –a maioria dos objetos da coleção nunca foram exibidos na Rússia.

“A imagem dos líderes tinha um certo padrão. Sua representação sob enfoque diferente era rejeitada no nível mais alto”, diz uma das organizadoras da exposição, a historiadora Liubov Lushina. “Stálin, por exemplo, era sempre representado com um olhar direto, que representava confiança e tranquilidade.” A aparência verdadeira de Stálin, com baixa estatura e traços de varíola no rosto, não inspirava o devido respeito.

A nova religião

Os bolcheviques lutaram ferozmente contra a religião ortodoxa. A percebiam como uma concorrente. Demoliram igrejas, reprimiram sacerdotes. Mas o “lugar santo nunca é vazio”: no lugar de ícones e da cruz foram colocados os novos símbolos soviéticos. Uma estrela vermelha de cinco pontas representava a nova “cruz”, e a imagem de Lênin e Stálin representava os novos  “ícones”.

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Os padres da Igreja foram retratados com um livro: o livro fechado significava um mistério, e o aberto significava o caminho para a verdade. Nos cartazes dedicados ao 70º aniversário de Stálin, em sua mão esquerda ele segurava um livro aberto, para representar o líder como a “tocha do comunismo”. Entre os presentes de Stálin existe até uma iconostásis (ornamento usado nas igrejas russas) portátil, com representação do líder em seis idades diferentes.

Na “religião soviética”, Lênin ganhou o papel de um santo: lhe atribuíram a imortalidade (“Lênin está sempre vivo”, dizia um slogan popular), e a seus restos guardados no Mausoléu, foi atribuída a incorruptibilidade (apoiada por um laboratório inteiro). A imagem de Lênin, igual a de santos, nunca foi representada com um sorriso (ao contrário de Stálin). Provavelmente, portanto, um busto de madeira de Lênin com um sorriso, que atualmente está exibido, naquela época foi proibido.

Lênin e Stálin em todo o mundo

Lênin recebeu presentes de todo o mundo. Do Japão (Lênin de madeira com olhos puxados e maçãs proeminentes, igual aos japoneses), de Madagascar (preto, com traços africanos), há até um busto feito por Clare Sheridan, a sobrinha de Winston Churchill. Esse busto também foi proibido, pois representava Lênin de maneira “muito naturalística”.

Existe até uma escultura na cidade de Chukotka, o Lênin-herói esculpido na presa de uma morsa. E retratos de milhares de grãos, de penas de aves, de lã de cavalo, de algodão, arame, âmbar, pérolas, açúcar. Há até o retrato composto de textos de citações de Lênin, criado por um prisioneiro, que foi preso por falsificação de dinheiro. Apesar de ser um falsificador de moedas, ele respeitava Lênin. Ou talvez ele pensasse que por esse gesto ideológico ele poderia ser liberado mais cedo.

Stálin recebia tantos presentes, que em 1949, no 70º aniversário do líder, todos eles foram expostos em três museus. Presentes da Itália, da França, da Alemanha, da Argentina. Lindas serigrafias enviados por Mao (Stálin as pendurou na entrada da sua casa de campo). Coleção de cachimbos antigos.

O cachimbo de Stálin também era um mito. “Stálin fumava cigarros”, diz Lushina.  “E usava o cachimbo para fazer a dolorosa pausa ‘stalinista’ durante negociações e reuniões. Além disso, com o cachimbo ele parecia mais impressionante.”

O próprio Stálin não visitava as exposições de seus presentes. Pouco provável que o Stálin verdadeiro mantivesse uma boa imagem comparado de perto com o Stálin imaginário de “retrato”, cuja imagem olhava de cada parede. No entanto, ideologicamente,  Stálin gostava dessa mentira tão bem criada.

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Durante exposição dedicada ao 15º aniversário do Exército Vermelho, Stálin parou na frente de um quadro, em que ele foi retratado olhando o desfile de cavalaria em 1919. “Quem poderia saber melhor que Stálin do que ele próprio que não tinha assistido àquele evento”, diz Lushina. “Mas quando viu a imagem, ele sorriu e durante a exposição voltou várias vezes para ver de novo aquele quadro.”

Os visitantes da exposição

“O gênio de Lênin será sempre famoso.”

“Os funcionários atuais  do Kremlin não são nada em comparação com os grandes lideres: Lênin e Stálin.”

Assim os visitantes da exposição escrevem no livro de visitas. “Nós, a nova geração de marxistas, leninistas, somos gratos ao museu. Seus esforços nos inspiram a continuar a realizar as ideias de Lênin. Por enquanto, somos poucos, mas nossos corações são quentes, e a mente anseia por conhecimentos”, escreveram os jovens comunistas. Assim, seguem os mitos, atraindo pessoas diferentes.

A exposição “O Mito do Líder Amado” (até 13 de janeiro de 2015) é realizada no Museu Histórico do Estado, em Moscou, na Praça da Revolução de 2/3. Áudio guias em línguas estrangeiras estão disponíveis.

 

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