Russos desenvolvem projetos de moda para pessoas com deficiência

Cada vez mais, os designers russos se dedicam à criação de roupas para pessoas com deficiência física. Há coleções de roupa para o dia a dia, para crianças e vestidos de noite para pessoas que andam em cadeira de rodas, que sofrem de paralisia cerebral infantil ou que sobreviveram a uma amputação.

Foto: Elena Potchetova, Kirill Kallinikov / RIA Nóvost, Itar-Tass

A Rússia ainda não possui um mercado desenvolvido de roupa para os deficientes físicos, o que tem mudado nos últimos anos.

Ao longo dos últimos anos, o ambiente urbano gradualmente começou a ganhar uma forma amigável para os deficientes na Rússia: apareceram rampas nas passagens subterrâneas nas cidades e elevadores para subir as passarelas. Todos os tipos de organizações começaram a surgir e trabalhar ativamente para a ajudar as pessoas com deficiência.

Uma dessas organizações é um projeto  Costura sem Fronteiras, fundado em 2010 pela empreendedora social Janina Urusova e por Tobias Reisner, diretor do Fundo social Diálogo no Escuro. A ideia da organização é motivar os designers profissionais a criar roupas para pessoas com deficiência física e de desenvolvimento.

A popularidade do projeto está crescendo a cada ano. O 1º Concurso Internacional da Costura Sem Fronteiras, em 2011, envolveu cerca de 60 designers internacionais. Alguns anos depois, o número subiu para 80. E em 2014, a coleção da roupa para pessoas com deficiência física foi apresentada na Mercedes-Benz Fashion Week Rússia. Naquela semana, em um dos palcos do salão de exposições Manezh, em Moscou, mostraram seus trabalhos os designers Daria Razumikhina, Masha Sharoieva, Sabina Gorelik, Oksana Liventsova, Dima Neu, Svetlana Saricheva, Albina Bikbulatova, Christina Wolf e Miguel Carvalho.

 “As pessoas com deficiência física querem vestir-se bem”, diz Daria Razumikhina, a designer e criadora da coleção de roupa de coletes, cardigans coloridos e saias com ornamento, feitas de tecido grosso, que ficam bonitas e não se prendem nas rodas de cadeira dos portadores de deficiência.

O projeto conjunto de Dima Neu e Svetlana Sarachevoi desenvolveu uma linha de roupas esportivas para pessoas com braços e pernas de prótese. A peculiaridade principal dessa linha  era uma bolsa, que além da sua função principal, permite compensar o peso, desequilibrado por causa de perda de membro, de maneira  simétrica sobre a coluna.

Oksana Liventsova criou a coleção Odyssey para pessoas com paralisia cerebral, para os quais é difícil coordenar os movimentos. Seus modelos-transformadores contém alguns elementos que agarram e fixam o corpo, e outros que criam volume e têm zíperes fáceis para fechar a gola, que se transforma em capuz.

 “Para criar uma coleção, é preciso ter laboratórios experientes, envolvidos na busca de técnicas especializadas e de corte com opção do uso de costela (um tipo de suporte) de dureza diferente para dar apoio à coluna ou a outras partes do corpo. Nesse aspecto, precisamos de um abordagem completamente diferente da usada habitualmente na criação de roupas”, diz Oksana Liventsova .

Moda incomum

Na Rússia, também há outra organização que desenvolve trabalhos na área, a Ortomoda, que se ocupa com problemas de pessoas com deficiência e questões de moda adaptada. Na Ortomoda, não é apenas oferecida moda para as pessoas com deficiência, como também oportunidades de emprego. Maxim Katush, por exemplo, é surdo, mas é responsável pelo trabalho do site e há pouco tempo se tornou um modelo que mostra a roupa masculina de jovens.

Há pouco tempo foi inaugurada na Rússia a escola Moda Especial, voltada para modelos com deficiência física. O primeiro show dessa escola foi realizado na cidade de Tiumen, em 2005. Hoje em dia, o projeto organiza concursos de design de roupa adaptada para cadeirantes, pessoas com desvios no corpo, ou para deficientes com mobilidade reduzida que usam andador especial.

 

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