As diferenças entre o eastern soviético e o western clássico

“Sol Branco do Deserto” Foto: kinopoisk.ru

“Sol Branco do Deserto” Foto: kinopoisk.ru

Gênero soviético herdou todas as características de seu progenitor americano, o western.

Dos dois lados da Cortina de Ferro as pessoas olhavam para o mundo de maneiras diferentes e tinham ideais diferentes, mas ao mesmo tempo, tanto o público soviético quanto o ocidental amavam perseguições, lutas, tiroteios e aventura.

Oeste selvagem e a Ásia Central 

O eastern soviético tem dois subgêneros cinematográficos, o eastern propriamente dito e o western vermelho. O segundo é quase uma cópia do original americano, um filme sobre cowboys e índios, e o lugar de ação é o Oeste selvagem (por exemplo, “Armado e Perigoso”, de Vladímir Weinstock, ou a  comédia western “Homem do Boulevard de Capucines”). Mas se nos filmes americanos os atores eram representantes autênticos dos povos indígenas locais, nos filmes soviéticos os atores eram búlgaros, sérvios e mongóis.

A ação do eastern se passa no Leste e não no Oeste, nas repúblicas asiáticas da União Soviética (“O sol Branco do Deserto”, “Oficiais” e alguns episódios de “Fronteira do Estado”).

De uma guerra civil até a outra. 

A ação dos primeiros eesterns americanos se desenrolava durante as “guerras indígenas” –a conquista de áreas do Oeste. Às vezes, era o período da guerra entre o Norte e o Sul ou o início do século 20. 

A ação em easterns se desenrolava em um dos momentos mais dramáticos da história nacional: a Guerra Civil ou o período turbulento da primeira década após a guerra (“O Sol Branco do Deserto” de Nikita Mikhalkov, “Em Casa Entre Estranhos, Estranho Entre os Amigos”, de Edmond Keosaian).

Heróis: o caráter moral

Nos primeiros westerns, o protagonista era vaqueiro, pioneiro migrante, xerife de cidade fronteiriça, honrado e honesto de maneira impecável. Em geral, era um herói solitário, aventureiro, por vezes vagabundo. Ele podia roubar bancos e trens, atirar para todos os lados, sequestrar meninas. Era um grande atirador (muitas vezes atirava a partir do quadril e sempre sem errar), era um belo ciclista, imperturbável e independente, individualista egocêntrico. Perseguia seus objetivos pessoais, fosse lucro ou vingança.

O caráter moral do protagonista sempre era do mais alto nível. Ele atuava ideologicamente e para o bem comum. A censura soviética não permitia outras opções. O protagonista nunca podia ser individualista, era quase sempre membro de um partido ou de uma comunidade (por exemplo, membro do Exército Vermelho ou da Cheka), que  perseguia seus objetivos mais elevados.

Uma característica do eastern era a composição internacional dos heróis positivos: Yasha, cigano em “Vingadores Ilusórios”, o nativo da Ásia Central Said, em “Sol Branco do Deserto”.

Ao mesmo tempo, o personagem principal no filme soviético não era  necessariamente o representante do heroísmo e de talentos especiais. Ele podia ser fraco fisicamente, mau cavaleiro e atirador inútil, como o Sr. Fest em “O Homem do Boulevard de Capucino”, por exemplo, ou Petrukha, em “Sol Branco de Deserto”. Sua força principal é a consciência de sua própria correção ideológica.

Heróis secundários 

No western clássico, os heróis positivos eram os cowboys, e os indígenas eram sempre os representantes da violência exagerada. Camponeses e moradores da cidade eram mostrados rapidamente e geralmente eram pessoas que não podiam defender suas posições, reconhecendo o poder do mais forte e esperando por sua ajuda (“Os Sete Magníficos”).

Linha romântica  

No western ocidental sempre foi apresentada uma linha romântica. A heroína era uma mulher nobre, uma vítima, como em “O Ouro de McKenn”, por vezes inteligente e por vezes até uma prostituta. O herói de muitos western tinham muitas amantes e faziam sucesso entre as mulheres.

Na maioria dos casos, o romantismo nos easterns não existia. A exceção eram os westerns vermelhos, onde a heroína (a filha do plantador Poindexter de “O Cavaleiro Sem Cabeça”, às vezes uma cantora idealizada de salão) e em geral o herói eram  representados como pouco experientes e com pouca sorte no amor.

No eastern, em geral, não havia a linha romântica. O herói podia já ser casado (como Sukhov de “Sol Branco do Deserto”, que escrevia cartas para sua namorada) ou simplesmente pensar muito na revolução mundial. Às vezes, como no filme “Em Casa Entre Estranhos, Estranho Entre os Amigos”, as personagens femininas eram ausentes.

 

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