Os folclores e crenças dos meses na Rússia

Ilustração: Niiaz Karim

Ilustração: Niiaz Karim

A Gazeta Russa fez um resumo das crenças e folclores de cada mês do ano na Rússia.

Janeiro, primeiro mês do ano. Na Rússia, tal como no mundo ocidental, a passagem de ano se festeja conforme o calendário gregoriano, na noite de 31 de dezembro para 1º de janeiro. No entanto, a igreja ortodoxa russa continua a usar o calendário juliano, que se atrasa em relação ao gregoriano em 13 dias. É por isso que o Natal ortodoxo se celebra depois da virada, dia 7 de janeiro. Em russo, existe uma expressão paradoxal: “Ano Novo antigo”, que chega, segundo o calendário “antigo”, em 14 de janeiro.  

O segundo mês do ano é tradicionalmente chamado de “fevereiro –caminhos tortos”, por causa das tempestades de neve que muitas vezes ocultam rotas nas zonas rurais.

Um ditado popular alerta que não se pode confiar no março, que ainda traz o frio, apesar de ser o primeiro mês da primavera: “Em março, leve dois pares de calças”.

O primeiro dia de abril é o “dia da mentira”, quando se costuma dizer: “No dia 1º de abril não acredito em ninguém”. A Páscoa ortodoxa calha muitas vezes em abril, sendo a festa muito apreciada pelo povo. Nem nos tempos soviéticos, com suas tendências anti-religiosas, a Páscoa deixou de ser festejada. Nas padarias se vendiam bolos de Páscoa, oficialmente denominados de “bolos de primavera”, e as pessoas se cumprimentavam, como é hábito na altura pascal: “Cristo ressuscitou”.

O primeiro terço do mês de maio é festivo na Rússia. O 1º de maio era celebrado como Dia da Solidariedade Internacional dos Trabalhadores na era soviética, mas na Rússia de hoje se tornou o Dia da Primavera e do Trabalho. Dia 9 de maio é o da Vitória, a data de triunfo da URSS sobre a Alemanha nazista, em 1945. Uma canção que se tornou o hino desse dia reza: “Este Dia da Vitória guarda cheiro de pólvora, é uma festa com lágrimas nos olhos”. No folclore, maio não é visto com bons olhos, o que testemunha um ditado: “Casar em maio –sofrer a vida toda”.

Metade do ano

O mês de junho também se relaciona com a Segunda Grande, pois na manhã de 22 de junho de 1941, depois da noite mais curta do ano, a Alemanha atacou a URSS. Após a desintegração da URSS, em 1992, surgiu um novo feriado nacional –12 de junho– data de aprovação da Declaração de Soberania do Estado da Rússia, em 1990. Apesar de continuar sendo a principal república da União Soviética, a Federação da Rússia ganhou a soberania, que o povo encarava como “independência” –razão de o feriado ter sido chamado Dia da Independência. Ora, quando muitos começaram a ironizar o fato de a Rússia ter ganho soberania de si própria, o feriado mudou de nome e se converteu em Dia da Rússia.

O mês de julho costuma ser chamado de “cume de verão”; é uma época de férias, de despreocupação e relaxamento. Um dos filmes marcantes da década dos 60 foi “A Chuva de Julho” (1966), simbolizando o início de um relacionamento amoroso. Outro filme da mesma década, “Estou Andando por Moscou” (1963), reflete os ânimos daqueles anos de “degelo” político, cheios de luz e esperança, numa canção: “Há alturas em que tudo corre bem na vida, nem sempre se percebe porquê. Simplesmente acabou de chover, foi apenas uma chuva normal de verão.”

Em agosto, a chuva já é acompanhada pela tristeza, significando a chegada do outono. A história moderna da Rússia justifica a má fama deste mês rico em situações perturbantes. Uma delas foi provocada pelo golpe de Estado que durou três dias, em 1991, chamado de Golpe de Agosto. Seu objetivo, não atingido, era a preservação da União Soviética. Em dezembro do mesmo ano, a URSS deixou de existir.

O outono, na cultura russa, é o período de auge de criatividade. Existe uma expressão “outono de Bóldino”, que evoca uma data de obras-primas compostas por Púchkin em 1830.

O dia 1º de setembro marca o início de ano letivo, oficialmente denominado de Dia de Conhecimento. Merece ser mencionado um tempo especial de “verão fugitivo”, ou seja, alguns dias sem chuva, cheios de sol, de temperaturas amenas, no meio das intempéries outonais.

Com os meses de outubro e novembro está relacionada uma confusão do período soviético, tanto verbal como ideológica. O golpe comunista de 1917 aconteceu em 25 de outubro, segundo o calendário juliano em vigor na altura, adquirindo assim o nome oficial de Grande Revolução Socialista de Outubro. Em breve, o novo poder ordenaria a passagem para o calendário gregoriano, e esta data passou para 7 de novembro, pondo o início das celebrações em memória da revolução, cujo nome permaneceu sem alteração. Assim, os festejos de “Grande Outubro” decorreram em novembro durante várias décadas.

Dezembro inaugura o inverno, que se associa a três cavalos brancos, graças a uma conhecida canção: “Estão me levando à vastidão nevada tilintante três cavalos brancos: dezembro, janeiro e fevereiro”. Chega ao fim o círculo anual, fazendo todo mundo repetir, em 31 de dezembro, “Bom Ano Novo! Muitas felicidades!”.

 

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