O pacto de Vrubel

Ilustração:  Natália Mikhailenko

Ilustração: Natália Mikhailenko

O artista Mikhail Vrubel, autor de obras-primas como “O Demônio” e a “A Princesa Cisne”, foi uma das figuras mais trágicas da pintura russa. Mas há quem diga que ele teria vendido sua alma ao diabo.

Não foi por acaso que diversos infortúnios aconteceram a Vrubel enquanto pintava o seu obra “Demônio Caído”, o símbolo do homem que quis voar alto, mas acabou sendo derrubado. Na época, o artista trabalhava 17 horas por dia e quase não dormia. Começou a beber em excesso, brigou com seus colegas e, se não fosse o bastante, foi internado em um hospital após ter alucinações.

Foi então que começaram a ocorrer coisas estranhas também com o seu quadro. Vrubel tinha pintado metade do quadro com pó de bronze, que foram gradualmente mudando de cor. O rosto do demônio, antes belo, se transformou em algo ruim, sombrio e taciturno, como se revelasse a sua verdadeira fase.

Com Vrubel, deu-se a mesma metamorfose do seu demônio. O homem culto, amigável e calmo se transformou, torturando de modo insuportável quem o rodeava. Gritava com as pessoas, tinha delírios e exigia bebidas. Mas a desgraça não terminou por aí.

Um ano mais tarde  seu filho morreu, e na sequência, Vrubel ficou cego. Seu último trabalho foi feito sentindo a pintura com a ponta dos dedos, enquanto o mundo mergulhava na escuridão.

Vrubel morreu de pneumonia, embora parecesse mais um suicídio. Ele se despiu todo e se deixou ficar por horas na frente de uma janela aberta em pleno inverno. Dias depois, só restavam suas antigas pinturas, como um eterno aviso para quem sobe tão alto: a queda pode ser ainda mais dolorosa.

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