Obras do Hermitage ganham marcação secreta

Mais de 150 mil artefatos expostos e 3 milhões guardados em cofres receberam a marcação Foto: PhotoXPress

Mais de 150 mil artefatos expostos e 3 milhões guardados em cofres receberam a marcação Foto: PhotoXPress

O diretor do Hermitage, Mikhail Piotrovski, anunciou que o museu terminou a marcação secreta das peças do museu para evitar a saída de objetos eventualmente roubadas para fora do país. Tecnologia desenvolvida por militares vai exigir esforço dobrado nos postos de alfândega.

Essa história começou em 2006, quando as autoridades do Comitê de Investigação descobriram o desaparecimento de peças do Fundo Joalheiro. Na época, a curadora da exposição, Larissa Zavadskaia, foi acusada pelo crime, apesar de ter morrido algum tempo antes da revelação. As joias foram procuradas nos habituais canais de distribuição de artefatos roubados. Como nos últimos anos Zavadskaia viajara muitas vezes para a Finlândia, acreditava-se que ela teria vendido as peças no país escandinavo.

Para evitar mais incidentes como esse, a curadora-geral do Hermitage, Svetlana Adaskina, anunciou o desenvolvimento de uma marcação secreta para a alfândega. Inicialmente estava planejado fazer a marcação das obras durante dois anos, mas o processo acabou se arrastando até 2013. E dá para entender o porquê: o Hermitage possui mais de 150 mil artefatos expostos e cerca de mais 3 milhões guardados nos cofres.

Segundo a historiadora de arte Júlia Saraieva, a marcação não deve se manter assim tão secreta. “Antes”, diz ela, “eram escritos números com tinta a óleo e as peças pequenas podiam até receber uma pequena placa. Agora já se usam materiais que respeitam a integridade da peça, mas o princípio é o mesmo, isto é, criar um número de registro do museu que não dê para lavar. E então, se a peça for cair no mercado negro, logo vai ficar claro que é roubada”.

Paralelamente, Elias Wolf, diretor-geral da Fineartway, que opera no transporte de obras de arte, acredita que, para prevenir o tráfico na alfândega, será necessário equipar os postos de controle com a tecnologia necessária. “Duvido muito que os criminosos não saibam exatamente como estão marcadas as obras de arte. Na fronteira com a Bielorrússia, Cazaquistão e até mesmo com a Ucrânia, tem muitos ‘furos’. Isso significa que teríamos que equipar tecnicamente as alfândegas de todos esses países”, diz.

Arte de roubar

A história de roubos desse tipo na Rússia é longa. Na União Soviética, roubava-se principalmente utensílios de igrejas. Isso porque os templos não eram vigiados e não existia nenhum registro dos objetos. Só no início da década de 80 do século passado é que o governo começou a fazer o inventário dos bens culturais que ainda permaneciam nas igrejas existentes.

Em 1999, o desempregado Dmítri Rukavitsin, 29 anos, roubou, com a ajuda de cúmplices, pinturas de Vasily Perov do Museu Russo de São Petersburgo. Nesse mesmo ano, roubaram o museu de Vyazniky, da região de Vladímir. Na década de 2000, a situação não melhorou, e o país registrava anualmente até 100 casos de roubo de obras de arte, sobretudo devido à falta de controle e à cumplicidade dos próprios funcionários. 

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