Novos estudos reforçam evidências de ancestral siberiano dos índios

Estudos mostram que os primeiros habitantes da América –os paleoíndios– chegaram a este continente através da Beríngia, um istmo que, naqueles tempos, ligava a Sibéria ao Alasca Foto: Alamy/Legion Media

Estudos mostram que os primeiros habitantes da América –os paleoíndios– chegaram a este continente através da Beríngia, um istmo que, naqueles tempos, ligava a Sibéria ao Alasca Foto: Alamy/Legion Media

Coordenado por Maanasa Raghavan, da Universidade de Copenhague, o grupo estudou o genoma de um antigo habitante da Sibéria e o comparou aos genes de diversos povos.

Após estudar um genoma de um antigo habitante da Sibéria do paleolítico superior, um coletivo de cientistas, entre os quais sete russos, obteve novos dados sobre épocas mais recuadas do povoamento de vários continentes, incluindo o americano.

Estudos mostram que os primeiros habitantes da América –os paleoíndios– chegaram a este continente através da Beríngia, um istmo que, naqueles tempos, ligava a Sibéria ao Alasca. O Altai é considerado a pátria genética dos primeiros americanos. Seus antepassados povoaram a Sibéria, tendo depois alcançado a América.

Os cientistas não sabiam com exatidão que genes dos povos do Velho Continente se aproximavam mais aos dos primeiros americanos. Em princípio, se sabia que o parentesco mais chegado deles seria com os habitantes do oriente asiático. A partir dos últimos estudos do DNA de distintos povos, os cientistas chegaram a novas conclusões sobre o processo de fixação dos índios antigos.

Coordenado por Maanasa Raghavan, da Universidade de Copenhague, o novo estudo se focou no genoma de um antigo habitante da Sibéria e o comparou aos genes de outros povos. As conclusões da investigação foram publicadas na revista “Nature”.

Os investigadores isolaram uma amostra do DNA do esqueleto de um antigo siberiano, com idade de cerca de 24 mil anos. O esqueleto fora encontrado durante escavações no distrito de Ussolski, na unidade federativa de Irkutsk, na estação arqueológica de Malta, de 1928 a 1958. Hoje em dia, repousa no museu Ermitage.

Os cientistas realizaram o sequenciamento do DNA do antigo siberiano e compararam a análise com genomas de 11 povos contemporâneos, além de quatro povos da Eurásia, antepassados dos hoje denominados maris, tadjiques, avaros e índios, bom como genomas do hominídeo de Denisova. Ficou demonstrado que o povo contemporâneo mais próximo dos antigos siberianos é o dos índios caritiana.

Deste estudo se conclui que os genes dos povos da Eurásia ocidental chegaram ao continente americano muito mais cedo do que se supunha até hoje, ou seja, no paleolítico superior, há mais de 24 mil anos. Além disso, os dados obtidos ajudam a explicar a razão por que os índios possuem haplogrupo X, que se encontra nos povos da Eurásia ocidental, mas inexistente no oriente asiático.

“O estudo se debruçou sobre os primórdios do povoamento dos continentes do planeta, especialmente das regiões da Sibéria e da América. Os resultados do estudo referem também, ainda que indiretamente, os problemas de origens das raças humanas, apesar de ser um tema que a comunidade científica internacional aborda com cuidado devido à refutação e ao abandono da noção de ‘raça’. Na realidade, se trata de um tema puramente biológico, relacionado com a adaptação das populações às condições de existência adversas em várias zonas climáticas do globo”, esclarece Ludmila Óssipova, co-autora dos estudos e chefe do Laboratório de Etnogenética Populacional do Instituto de Citologia e Genética da Academia de Ciências da Rússia.

A catedrática afirma que, apesar de os especialistas em genética terem estudado bem o povoamento mais remoto do nosso planeta, apesar de se conhecerem o delineamento das migrações antigas dos povos, “a vida é mais complexa do que qualquer esquema”.

“Por enquanto fica em aberto a questão de se saber em que fase da evolução se situam os processos de formação de raças, se na do Homo Sapiens ou mais cedo. Temos ainda muito que descobrir pela frente”, conclui a cientista.

Na opinião de Óssipova, os estudos a que nos referimos não só confirmam as hipóteses mais antigas da origem dos primeiros americanos, como proporcionam muitos conhecimentos fundamentais, como, por exemplo, sobre as migrações mais recuadas de europeóides no território da Sibéria.

 

Publicado originalmente pela Gazeta.ru

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