Década de 1920 foi marcada por movimento contra a opressão das mulheres na URSS

O grupo é visto como um dos soldados da luta contra a sociedade patriarcal Foto: AP

O grupo é visto como um dos soldados da luta contra a sociedade patriarcal Foto: AP

Em 1925, mulheres soviéticas se despiram em público com uma faixa no peito com a frase "Não à vergonha – Isso é uma preconceito burguês" (Dolói stid!-Eto buryuazni predrassudok).

Nascido na Ucrânia, o movimento Femen gerou mais do que dor de cabeça entre as autoridades do mundo por suas ações para denunciar a discriminação contra as mulheres. O grupo é visto como um dos soldados da luta contra a sociedade patriarcal.

Muitos apontam que o seu modo de ação baseia-se nos movimentos feministas dos anos 1960. A Gazeta Russa descobriu, no entanto, que a origem dessas ações também encontra paralelo na antiga URSS, em específico na década de 1920. 

Em 1925, mulheres soviéticas se despiram em público com uma faixa no peito com a frase "Não à  vergonha – Isso é uma preconceito burguês" (Dolói stid!-Eto buryuazni predrassudok). Elas entravam em qualquer meio de transporte público sem roupas para sublinhar sua feminilidade e o espírito anti-burguês. 

Para entender como funcionava esse movimento curioso é necessário contextualizá-lo no período pós-revolucionário da época, de efervescência cultural e destruição do modelo tradicional burguês e de criação de uma nova sociedade.

O poeta soviético Vladímir Maiakóvski e sua mulher no cartaz que diz "Não à  vergonha!"

O poeta soviético Vladímir Maiakóvski, por exemplo, se recusou a seguir a métrica clássica decadente considerada chata. Os arquitetos criaram uma nova forma de construir, mais útil e funcional para a sociedade, lançando o movimento construtivista. Todos procuraram novas soluções para problemas eternos, inclusive a questão feminina.

Em 1923, em sua obra “O novo curso, os problemas da vida cotidiana”, Leon Trótski explicava como o Estado socialista deveria agir para garantir a libertação das mulheres e a transformação da vida cotidiana. 

Para isso, era preciso liberar as mulheres da escravidão doméstica, socializar o acolhimento de crianças, construir cozinhas, lavanderias, permitir às mulheres entrar no mercado de trabalho e na política. 

Cartazes de propaganda soviética com esse lema poderiam ser encontrados em todas as cidades com um desenho de uma mulher na cozinha abrindo as portas para a nova vida, com a inscrição "Não à escravidão da cozinha, sim a uma nova vida"

Foi criada uma seção feminina chamada “Jenotdel do Partido Comunista”, dirigida por própria Aleksandra Kollontai, uma das fundadores do Dia das Mulheres, celebrado na Rússia em 8 de março. 

Ainda em 1913, Kollontai começou a luta para a igualdade salarial entre os sexos, legalização de abortos, socialização do trabalho doméstico e proclamou "a necessidade de renovação psicológica da humanidade". 

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