Cosplay russo valoriza performance e presença de palco

Um dos entretenimentos dos fãs da cultura japonesa é o cosplay (abreviação de costume play), uma atividade lúdica que consiste em fantasiar-se de um personagens de histórias em quadrinhos, filmes, videogames ou livros. Na Rússia, onde a atividade ganhou notoriedade na metade de década passada, os jogadores fazem tudo da maneira russa.

Fotos: Maria Tchádova, Oksana Mokrúchina, Viktória Maksímova, Ekaterina Popova, Aleksandr Saburov

Para a Europa e os EUA esse fenômeno não é novidade, mas na Rússia, onde chegou apenas em 1999, o cosplay continua sendo algo exótico. O auge da popularidade da cultura japonesa e tudo o que está associado a ela se deu por volta de 2005. Naquele período, pequenos grupos de interesse haviam crescido e se transformado em clubes completos que contabilizavam centenas de participantes, o que fornecia uma razão para serem realizados festivais.

Mas foi em 2000, na cidade de Voronej (a 500 km ao sul de Moscou), que um dos mais famosos festivais da Rússia ocorreu pela primeira vez, com pouco mais de uma dezena de pessoas confeccionando e vestindo trajes que os não iniciados descreveram como “trajes de baile à fantasia”.

"Curiosamente, o show de cosplay (ou seja, aquilo que atualmente está associado a todos os festivais de anime) apareceu no programa somente em 2002. Até então, estávamos limitados às exibições de filmes no telão", relata Artem Tolstobrov, diretor da empresa Reanimedia e organizador do festival.

Agora os festivais de anime são realizados em quase todas as grandes cidades do país. Em Moscou e em São Petersburgo, o número de eventos do tipo já superou uma dezena por ano.

Os acalentados 5 a 10 minutos no palco são precedidos por longos ensaios. Milhares de comunidades na internet ajudam o artesão iniciante (que irá confeccionar a fantasia) a construir uma arma futurista exclusiva com as próprias mãos e uma lima a partir de uma tábua ou um de um pedaço de cano. O habilidoso artesão russo é capaz de, ele próprio, lidar com LEDs, confeccionar uma cota de malha e montar um exoesqueleto.

No final dos anos 1980, o cosplaycomeçou a ganhar popularidade além dos limites do seu país de origem, o Japão, mas foi na última década que encontrou verdadeiro reconhecimento ao redor do mundo.

Diferentemente do resto do mundo, na Rússia, o cosplay é assimilado como algo do tipo comédia stand-up, com elementos de baile à fantasia. Por isso, a maneira de interpretar o seu personagem (play) tem maior relevância do que o traje (fantasia). Portanto, considera-se normal os participantes aparecerem usando uma roupa comum, mas encenarem uma anedota.

Na Rússia, ocosplay, proveniente do Japão, tornou-se um entretenimento no qual o papel principal é desempenhado pela emoção, carisma e humor, e não pela precisão absoluta do traje.

Materiais

A cosplayer Maria Tchádova considera que o mais difícil é encontrar os materiais.

"Para servir de ajuda a qualquer tipo de cosplayer existem as lojas de materiais de construção, onde se encontra linóleo, selador para pisos, mangueiras para banheiros, misturadores de água, válvulas de pressão para botijões de gás. Também não se pode esquecer das lojas de utilidades domésticas: descansos para pratos quentes e esteiras de bambu são úteis. Às vezes você encontra materiais adequados nos lugares mais inusitados e que haviam sido concebidos para finalidades completamente diferentes", conta Tchadova.

Iekaterina Popova, da cidade de Voronej, é responsável por muitos trabalhos bem sucedidos: a Fiona de "Shrek" na versão “ogra”, a fada Mary, e Úrsula, a famosa malvada do filme “Pequena Sereia".

"Escolho os personagens para o cosplayde acordo com a silhueta da pessoa e é somente dessa maneira que eu faço. Mas o mais importante é a sensação interior. Eu recuso os personagens muito repugnantes", explica Iekaterina.

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