Museu de Belas Artes sob nova direção

Antonova administrou o museu Pushkin por 52 anos Foto: RIA Nóvosti

Antonova administrou o museu Pushkin por 52 anos Foto: RIA Nóvosti

Ex-diretora e atual presidente da instituição, Irina Antonova, foi responsável por grandes projetos envolvendo os principais museus do mundo.

Irina Antonova, que durante 52 anos dirigiu o Museu Federal de Belas Artes Pushkin, passou de diretora para presidente do museu, cargo criado especialmente para ela. “Somos eternamente gratos e pedimos a ela para continuar trabalhando no cargo de presidente do museu”, disse o ministro da Cultura da Federação Russa, Vladímir Medinski.

A nova diretora, Marina Loshak, especialista em arte e curadora, e que no último ano liderou a Associação de Exposições e Museus “Capital”, da qual fazem parte: o Hall de Exposição Central Manej, o Novo Manej e o Museu e Centro de Exposições “O operário e a trabalhadora do kolkhoz” e outros.

Irina Antonova começou a trabalhar no Museu de Belas Artes Pushkin em 1945 e assumiu o cargo de diretora em 1961. Graduada pela Universidade Estatal de Moscou estudou a arte renascentista da Itália. Antonova é membro da Academia Russa de Educação, membro titular da Academia Russa de Artes, titular da Ordem “Por serviços prestados à Pátria” e detentora de muitas outras condecorações, autora de mais de 100 publicações. Desde 2013 é curadora sênior dos museus estatais da Rússia.

Sob a direção de Antonova foram implementados no Museu de Belas Artes Pushkin, grandes projetos com a participação dos principais museus do mundo e que atraíram um grande número de espectadores: na exposição "Moscou-Paris" (1981), a proximidade entre as obras de Matisse e Picasso com as obras de Kandinsky, Malevich, Filonov e Chagall permitiu  observar a influência e o distanciamento das artes visuais, francesas e russas.

Em 1996, na exposição “Moscou-Berlim/Berlin-Moscou. 1900-1950", as histórias dos dois países se confrontaram na pintura, na arquitetura, na música e nos destinos dos seus criadores. A semelhança entre as ideologias e a estética stalinista e fascista provocou um choque nos espectadores.

Em 2005, a exposição “Rússia - Itália. De Giotto a Malevich” mostrou a influência das culturas dos dois países.

Nas exposições Modigliani (2007), Picasso (2011), Dali (2011), Turner (2012) as filas não diminuíram durante todo o tempo em que duraram as exposições. Agora no Museu pode-se ver “Pré-Rafaelitas: avant-garde vitoriana” e “Ticiano”, da coleção dos museus da Itália.

Ao longo de um ano, o Museu de Belas Artes Pushkin é visitado por cerca de 1 milhão de pessoas. A coleção totaliza mais de 560 mil pinturas, gravuras, esculturas, peças de arte aplicada, monumentos arqueológicos e numismática. Planejado para ser um repositório educacional e público de moldes e cópias de obras clássicas da arte mundial, a partir de 1930, o Museu de Belas Artes Pushkin transformou-se em um dos maiores museus do mundo, abastecido com obras de arte da Europa ocidental provenientes das coleções particulares que foram nacionalizadas, com as obras da galeria estatal Tretiakovskaia e de alguns museus de Leningrado.

Em 1948, a coleção foi complementada com os trabalhos do Museu Estatal da Nova Arte Ocidental, que foi desativado e que havia sido criado com base nas obras das coleções de Sergei Schukin e Ivan Morozov. A coleção foi dividida entre os museus Pushkin e o Hermitage, o que salvou as obras-primas da destruição e da venda para o exterior. Somente em 1974, os visitantes puderam ver esses trabalhos, na mesma ocasião surgiu a oportunidade de mostrar em Moscou os trabalhos de museus ocidentais, em troca dos trabalhos da coleção do Museu de Belas Artes Pushkin.

A ideia de Antonova de recuperar o Museu Estatal da Nova Arte Ocidental e devolver a ele as obras impressionistas e pós-impressionistas que estão no Hermitage foi anunciada para todo o país em uma transmissão direta com o presidente Pútin. O diretor do Hermitage, Mikhail Piotrovski, achou impossível essa transferência de trabalhos. Após inúmeras discussões emocionadas na comunidade dos museus e na imprensa, o Ministério da Cultura tomou a decisão de não transferir os trabalhos do Hermitage para não criar um precedente de divisão das coleções dos museus.

Até agora não foi resolvida a questão dos valores que foram trazidos, na qualidade de troféus, dos territórios ocupados na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial, que estão armazenados no Museu de Belas Artes Pushkin e não são acessíveis nem mesmo aos especialistas.

Em 2012, o Museu de Belas Artes Pushkin comemorou o seu centenário e foram adotados um novo conceito de desenvolvimento do Museu e a decisão de construir um campus do Museu. A implementação do projeto de reconstrução, proposta por Norman Foster ainda em 2007, irá permitir um aumento de quatro vezes dos espaços de exposição.

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