“Como o Rio, São Petersburgo é viva e cheia de charme”

Maestro brasileiro Tobias Volkman, que participou do 18º Festival Olimpo Musical, falou sobre sua passagem pela Rússia e as qualidades de um bom profissional Foto: divulgação

Maestro brasileiro Tobias Volkman, que participou do 18º Festival Olimpo Musical, falou sobre sua passagem pela Rússia e as qualidades de um bom profissional Foto: divulgação

O maestro brasileiro Tobias Volkman, 36 anos, se apresentou no 18º Festival Internacional Olimpo Musical, que acontece em São Petersburgo de 21 de maio a 2 de junho. Em sua primeira visita à Rússia, o atual maestro-assistente do Teatro Municipal do Rio de Janeiro falou sobre sua passagem pelo país e as qualidades de um bom profissional.

Rússki Vestnik: Como você avalia o nível da orquestra com a qual esteve trabalhando?

Tobias Volkman: Impressionante, inacreditável! A orquestra trabalhou com grande empenho, amor e paixão, e todos estavam imersos no processo da execução. Acredito que isso é o mais importante: a absoluta imersão na música e o amor por aquilo que você faz, por aquilo que você cria no palco. Dava para sentir que o público acreditava em nós.

Não tínhamos boas condições de trabalho devido à falta de um espaço especial para os ensaios, tivemos que ensaiar em uma sala que não era muito adequada para isso. Mas, apesar das condições inadequadas e dificuldades com que nos deparamos, a performance foi emocionante.

RV: Há quem diga que a orquestra moderna não precisa de um maestro. Isso procede?

TB: Sim, é claro. Por que não? É possível em uma orquestra de câmara, por exemplo. Mas não em uma orquestra com um grande repertório. Em seu livro, o maestro russo Kiril Kondrachin fala sobre experiências semelhantes nos anos 20 do século passado. Mas com maior frequência observa-se que alguém deve assumir o controle, tomar as decisões, conhecer a música e ser capaz de interpretá-la.

Cada pessoa tem a sua concepção e as suas opiniões sobre a música. Um grande “mecanismo musical” não pode funcionar separadamente. Existe a necessidade de uma pessoa que entenda e conheça a música profundamente, que seja capaz de senti-la com o coração e que consiga unir essas concepções isoladas em uma única imagem. É isso que eu faço.

RV: Foi a primeira vez que você se apresentou com a Orquestra Estatal do Hermitage?

TB: Essa é minha primeira visita à Rússia e antes disso eu nunca havia trabalhado com uma orquestra russa. Talvez só no Brasil, com os músicos russos que estão tocando em orquestras brasileiras. Aliás, muitos músicos russos tocam em orquestras brasileiras e nós somos gratos a eles por isso, porque a sua participação eleva o nível de habilidade e ajuda a aperfeiçoar todo o conjunto.

RV: Qual sua impressão sobre São Petersburgo e sobre o festival?

TB: O festival é uma grande oportunidade para reunir jovens músicos de diferentes cantos do mundo e pessoas envolvidas com arte em um mesmo palco. E isso é realmente bastante difícil. Depois de participar do concurso de regentes em J. Panula [Finlândia], onde recebi dois prêmios em 2012, não tive mais oportunidade de participar de concursos semelhantes.

Eu simplesmente me apaixonei por São Petersburgo. Meu país tem pouco mais de 500 anos e essa cidade tem 310, e é considerada uma cidade muito jovem. É incrível como ela se tornou tão bonita, um centro tão significativo de arte, política e literatura para o mundo inteiro. São Petersburgo também é parecida com o Rio, não só porque ambas as cidades são construídas sobre a água e atraem artistas. Essas cidades são vivas, repletas de charme, energia vital e felicidade.

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