Das condecorações militares às medalhas olímpicas

Aleksêi Komarov, medalhista de prata de remo dos Jogos Olímpicos de 1952 Foto: RIA Nóvosti

Aleksêi Komarov, medalhista de prata de remo dos Jogos Olímpicos de 1952 Foto: RIA Nóvosti

Cinco histórias de pessoas que, depois de enfrentar os campos de batalha da Segunda Guerra Mundial, se tornaram heróis das quadras esportivas no pós-guerra.

Aleksêi Komarov, 91 anos

Medalhista de prata no remo dos Jogos Olímpicos de 1952, doutor em ciências pedagógicas e professor catedrático.

Foi mobilizado para a guerra em 30 de agosto de 1941, dois meses após a Alemanha ter invadido a URSS. Em 10 de outubro, Komarov já estava na linha de frente. No outono de 1942, foi transferido para a Frente de Leningrado, onde sofreu uma grave concussão e passou 11 meses no hospital. Depois de se restabelecer, foi novamente lutar na guerra no outono de 1944. Participou da libertação de Riga, capital da Letônia, e recebeu sua principal condecoração militar: a Medalha do Mérito Militar, por ter trazido minas sob fogo.

“Não posso me esquecer do Dia da Vitória. Eu me lembro bem de como na noite de 7 para 8 de maio nosso sargento seguia de carro com faróis acesos e gritando: ‘Gente, vitória!’. A alegria foi enorme. Em 1946 recebi permissão para voltar para casa. Cheguei a Moscou às seis da manhã e, ao meio-dia, já tive meu primeiro treinamento.”

Nina Naumenko, 87 anos

Entre 1952 e 1958, fez parte da seleção soviética de atletismo e foi recordista nacional dos 500 metros feminino. Em 2011, na 2ª edição dos Jogos Europeus dos Veteranos, conquistou quatro medalhas de ouro na faixa etária de 85 a 89 anos, além de estabelecer recordes mundiais para os 400, 1.500 e 5.000 m.

Em 1942, quando as tropas soviéticas estavam se retirando em direção a Kharkov, sua mãe obteve a permissão do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas de levar consigo sua filha, Nina, que na época tinha 17 anos. Assim, a futura recordista mundial ficou perto de Belgorod, onde trabalhava na cozinha e lavandaria. Mais tarde, foi matriculada como escrivã em um batalhão rodoviário da Frente Ucraniana. Participou da libertação da Ucrânia e Polônia e foi condecorada com a Ordem da Grande Guerra Patriótica da 2ª Classe e a Medalha “Pela Vitória sobre a Alemanha”.

Eu realmente queria muito estudar! Em dezembro de 1944,  nosso batalhão foi submetido à reorganização. Eu aproveitei e consegui  convencer meu comandante a me enviarà disposição da Junta de Serviço Militar de minha cidade. Em 25 de dezembro, eu já estava em casa e comecei a me preparar para o vestibular do Instituto Médio de Apoio Técnico a Aeronaves de Kharkov. Fui aprovada. Lá, nas aulas de educação física, os treinadores notaram o meu desempenho.”

Aleksandr Novikov, 88 anos

Um dos fundadores da escola soviética de luta esportiva e vice-presidente de honra da Federação Internacional de Lutas Associadas (FILA).

Foi recrutado para o exército em 1943. Serviu como operador de rádio em um regimento de infantaria e foi condecorado com as Medalha de Bravura e do Mérito Militar e a Ordem da Glória de 3º Grau.

“Eu me lembro dele quando jovem. Era magro e alto, com os olhos castanhos. Construiu uma plataforma especial para pesquisar a técnica de lutas e um equipamento para estudar o trabalho dos músculos dos atletas. Naquela época, Aleksandr Novikov trabalhava sozinho. Mais tarde, criou um laboratório para estudar problemas da preparação dos lutadores para as competições de alta classe.”

(Ian Dimov, historiador das lutas)

Valentina Riazankina, 90 anos

Campeã russa de bandy (1949) e campeã de Moscou de basquete.

Valentina se alistou para a guerra como voluntária e foi enviada a um regimento de defesa antiaérea, onde aprendeu a identificar aeronaves inimigas, sua altitude e rumo de voo e a se disfarçar. Foi condecorada com a Ordem da Grande Guerra Patriótica de 2º Grau e as medalhas “Pela defesa de Moscou” e “Pela vitória sobre a Alemanha”.

Quando as tropas soviéticas lançaram uma contra-ofensiva, minha missão era observar o espaço aéreo para impedir os aviões inimigos de se infiltrarem em nosso território. Fui várias vezes enviada à retaguarda do inimigo para coletar informações sobre a localização de tropas alemãs.”

Oleg Belakovski, 91 anos

Médico da seleção soviética de futebol nas Olimpíadas de 1956, quando o time soviético levou ouro, e no Campeonato Europeu de 1964, quando os jogadores soviéticos faturaram a prata. Como médico da seleção de hóquei no gelo, venceu dois torneios olímpicos e participou da Supersérie de jogos, em 1972, entre os jogadores soviéticos e canadenses.

Participara da guerra como médico das Tropas Aerotransportadas nas Frentes de Leningrado, Carélia e na 3ª Frente Ucraniana. É coronel médico e detentor de sete ordens militares. Trabalha como médico esportivo desde 1951.

“A palavra ‘guerra’ me causa uma grande dor. A guerra matou um monte de jovens bons com idade entre 19 a 20 anos.Eles poderiam ter se tornado operários, cientistas talentosos ou atletas, mas eles deram suas vidas por nós. E nós, sobreviventes, apenas tivemos sorte. O dia 11 de maio de 1945 é para mim o dia mais memorável, porque a guerra na Tchecoslováquia, onde eu lutava, só terminou nessa data. Os alemães que enfrentávamos não queriam se render. Às 10h45, meu melhor amigo foi morto e, por volta das 12h00, a guerra terminou.”

 

Publicado originalmente pelo Moskovskie Nóvosti

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