Iakútia vive febre do lago Ness

Apesar de sua localização no extremo norte do planeta, o lago Elguiguitin nunca foi coberto por calotas de gelo Foto: Piotr Tikhomirov/Panoramio

Apesar de sua localização no extremo norte do planeta, o lago Elguiguitin nunca foi coberto por calotas de gelo Foto: Piotr Tikhomirov/Panoramio

Mergulho realizado pela Sociedade Geográfica Russa ao fundo do Labinkir, na região de Iakútia, trouxe à tona lendas sobre possíveis monstros em lagos russos e atraiu curiosos de diferentes partes do país.

O mergulho no lago Labinkir, realizado em 1° de fevereiro pela equipe de Dmítri Chiller, da Sociedade Geográfica Russa (SGR), pode ser incluído no livro dos recordes Guinness. Os pesquisadores alcançaram o fundo do lago polar, no ponto mais gelado da Terra e na época mais fria do ano. A expedição por si só já provocou um verdadeiro alvoroço nos meios de comunicação russos, sem falar sobre suas consequências. Pelos boatos, com a ajuda de uma telessonda, foram encontrados fragmentos do esqueleto e da mandíbula de um animal enorme no fundo do lago.

Os membros da SGR negaram o fato, mas não havia mais como brecar a chamada “febre do lago Ness”: expedições científicas e paracientíficas partiram para todos os cantos do país à procura  do monstro do lago Ness russo. A Gazeta Russa também esteve presente para monitorar os movimentos das expedições e aproveitou para elaborar uma lista dos mais inusitados lagos da Rússia que poderiam reivindicar o título de “segundo lago Ness”.

É assim que os habitantes locais chamam o lago desde que o pesquisador e chefe da sociedade geológica local filiada à Academia de Ciências da USSR, Víktor Tverdokhlebov, comunicou que tinha visto um animal desconhecido que lembrava um peixe gigantesco nadando no Labinkir.

Localizado a uma altitude de 1.020 metros acima do nível do mar, sua profundidade média é de 52,6 metros, embora no fundo do Labinkir exista uma rachadura peculiar cuja profundidade chega a 75 a 80 metros. 

A Iakútia sempre encantou os fãs do universo paranormal. Além do Vale da Morte e dos discos voadores, há outro candidato a monstro do lago Ness, segundo as lendas da região. Em 1964, o vice-chefe da expedição Nordeste da Universidade Pública de Moscou, G.N. Rukosuev, declarou que no lago Khaier, localizado acima do círculo polar ártico, habita um animal misterioso com uma cabeça alongada de serpente. De acordo com uma pesquisa realizada pela equipe de pesquisadores entre os habitantes locais, o herói de suas histórias sobre é nada mais do que um peixe-touro.

Monstro de Brosnenskoe

O Ogopogo russo, um animal mítico que é conhecido apenas pelas histórias de testemunhas oculares, vive no lago Brosno, localizado na região de Tver. Não há qualquer evidência científica que confirme a existência desse animal, mas as lendas em torno dele são tão numerosas quanto a do Ness.

O tal monstro de Brosnenskoe seria uma espécie de lagarto parecida com um plesiossauro pré-histórico, razão pela qual muitos criptozoólogos do mundo inteiro se interessam por ele.

As causas para o surgimento das lendas sobre o lagarto do lago se devem à sua profundidade de 41 metros e aos processos de decomposição no fundo, que levam à formação de bolhas sulfurosas. 

Pré-história no Elguiguitin

O lago Elguiguitin fica ao norte do planalto de Anadir, a 500 km a noroeste da capital de Tchukotka. Sua área é de 120 km² e a profundidade, em alguns pontos, excede os 170 metros.

Os resultados de pesquisas com sedimentos do fundo do lago comprovaram que o Elguiguitin tem mais de 3,5 milhões de anos. A origem dessa formação ainda é um mistério, logo, o que não faltam são lendas sobre “bestas” que habitam a região.

O lago tem uma forma perfeitamente redonda que, de acordo com publicações de cientistas americanos, seria resultado da queda de um meteorito. Outra hipótese diz que o lago seria a cratera de um antigo vulcão.

Cidade debaixo d’água

O Svetloiar é um pequeno lago com aproximadamente 12 km², que está localizado nas florestas da região de Nijni Novgorod. Suas características demonstram semelhança com as demais formações de 12 a 14 mil anos atrás, no final do período glacial.

Mas tudo nele é incomum, desde a água incomparável que não perde a pureza e as características do sabor ao longo do tempo até as lendas sobre a cidade de Kitej, que repentinamente desapareceu debaixo da água quando o exército de tártaro-mongóis se aproximou dos seus muros.

Os geólogos já estudam o lago há meio século e ainda não conseguiram chegar a um consenso sobre a origem do Svetloiar. De acordo com a opinião de alguns, ele tem origens cársticas (tipo de relevo geológico caracterizado pela corrosão das rochas) e, portanto, é vulnerável ao surgimento de falhas geológicas.

Nesse caso, a lenda sobre a cidade de Kitej que desapareceu sob a água poderia ser uma história real. Porém, outros pesquisadores sustentam que o lago é formado por rochas sólidas, como toda a região ocidental da Rússia.

Lagos carmesins

Os chamados lagos carmesins estão localizados perto de Ástrakhan, no delta do rio Volga. Eles não se destacam apenas pela cor, mas também pelo aroma incomum que lembra framboesa. É exatamente por essa razão que as 1,6 toneladas de sal extraídas por ano eram consideradas de melhor qualidade e transportadas exclusivamente para a mesa da Imperatriz Catarina II. Tais propriedades do sal extraído desses lagos se devem à presença de pequenos crustáceos artemia em suas águas. Ao morrerem e se decomporem eles fornecem ao sal esse aroma tão incomparável.

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