Alfândega apreende mapa das Kurilas de turista japonês

Ministro para Desenvolvimento do Extremo Oriente russo, Víktor Ichaiev Foto: RIA Nóvosti

Ministro para Desenvolvimento do Extremo Oriente russo, Víktor Ichaiev Foto: RIA Nóvosti

Folheto apreendido pelo serviço alfandegário russo apresentava ilhas como território do Japão. Disputa territorial entre os dois países se estende há mais de um século.

Os funcionários da alfândega da ilha de Sakhalin, no Extremo Oriente russo, confiscaram vários folhetos de um turista japonês que continha mapas apresentando as ilhas Kurilas como território japonês, divulgou o órgão local nesta terça-feira (23).

Os folhetos foram classificados como “material de propaganda”, após avaliação das autoridades russas, pois apresentavam imprecisão quanto à fronteira entre a Rússia e o Japão.

Pela legislação russa, é ilegal transportar mercadorias desse tipo pelas fronteiras da União Aduaneira (Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão).

O arquipélago se estende desde a península russa de Kamtchatka até a ilha japonesa de Hokkaido. As Kurilas, conhecidas no Japão como território do norte, tem sido objeto de disputa territorial entre os dois países há mais de um século.

Inicialmente, a Rússia e o Japão concordaram que as ilhas seriam divididas entre eles, conforme o Tratado de Shimoda, assinado em 1855.

Vinte anos depois, sob o Tratado de São Petersburgo, a Rússia desistiu de todas as reivindicações relacionadas às ilhas Kurilas se, em troca, o Japão deixasse de reivindicar a ilha de Sakhalin.

Em 1905, depois que o Japão derrotou a Rússia na Guerra Russo-Japonesa, o Tratado de Portsmouth estabeleceu a concessão de metade da ilha de Sakhalin ao Japão.

No entanto, a União Soviética assumiu o controle das ilhas Kurilas (e da metade sul de Sakhalin) no final da Segunda Guerra Mundial, mas o Japão nunca reconheceu a poder soviético sobre as Kurilas.

A questão continua a assolar as relações russo-japonesas até os dias de hoje. A visita do então presidente Dmítri Medvedev às ilhas, em 2010, gerou protestos de políticos japoneses.

 

Publicado originalmente pela RIA Nóvosti

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