Decreto sobre limpeza em Moscou completa 314 anos

Praça Vermelha de Moscou Foto: Ígor Stepanov

Praça Vermelha de Moscou Foto: Ígor Stepanov

Antes da norma estabelecida por Pedro, o Grande, capital sofria com falta de condições sanitárias adequadas e era frequentemente assolada por doenças de caráter epidêmico.

Durante sua permanência no poder, Pedro, o Grande, editou aproximadamente 4 mil decretos, manifestos e outros documentos. Uma série de reformas promovidas por Piotr Alekseyevich, também conhecido como Pedro I, foram destinadas à melhoria da qualidade de vida da população, inclusive em matéria de limpeza urbana e infraestrutura.

Os primeiros funcionários que desempenhavam múltiplas funções (chamados pelo povo de “dvorniki” ou zeladores) apareceram na Rússia ainda na época do tsar Aleksêi Mikhailovitch, em 1649. Nesse período, foi adotado um novo conjunto de leis do Império Russo, do qual fez parte o “Mandato de grad decanato”, considerado o primeiro passo para a criação de um futuro sistema de habitação e serviços comunitários.

Apesar disso ter contribuído para melhorar a situação em muitas áreas povoadas do país, a segurança sanitária em Moscou continuou relativamente precária durante séculos, pois tudo aquilo que a cidade processava ia parar nas ruas.

A sujeira na capital era simplesmente intransponível e até mesmo o Kremlin sofria com a falta de higiene – especialmente depois que Pedro I resolveu acomodar os Conselhos Públicos e todas as suas equipes. O ambiente insalubre de Moscou, assim como em outras cidades europeias, era propício para a disseminação de doenças que rapidamente adquiriam caráter epidêmico.

No dia 9 de abril de 1699, Pedro I emitiu o decreto “sobre a conservação da limpeza em Moscou e sobre a punição por despejar todo o tipo de dejetos vias”. De acordo com a nova lei, os habitantes da capital eram proibidos de jogar lixo nas ruas e deveriam cuidar da limpeza dos quintais e das ruas pavimentadas, bem como remover todos os dejetos do perímetro urbano e enterrá-los em áreas distantes.

O decreto do imperador tornou-se, assim, uma ferramenta poderosa não só para os funcionários responsáveis pela segurança e ordem em Moscou, mas também para os zeladores, que deviam monitorar a limpeza das ruas. Na época de Pedro I, também  teve início a canalização de esgotos e instalação de lixeiras. 

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.